sexta-feira, 21 de julho de 2017

A AUSÊNCIA - Sentimentos de mortes


A lembrança de uma imagem vazia
Que remexe o vago pela vaga que ficou
E como vaga de uma onda de mar bravio
Anuncia o arrasto que tudo arrasta para dentro
Fazendo com que uma inundação de coisas
De fatos, palavras, gestos e silêncios invasores
Nos desarrumem trincheiras e fronteiras

É a vida trazendo em desordem e de uma só vez
Tudo aquilo que se pensava perdido e destroçado
E os mesmos traços e lágrimas confusas, difusas
De fases, de frases da infância à velhice adulta
Adolescentemente compreendidas em dores
Atenuadas por palavras e favores vãos que se vão
Trazendo ainda na volta, tudo aquilo que voltou

E então com a mesma sorte de sempre
A morte que nos leva o corpo presente
Nos traz de presente, tantas lembranças
Tantas lambanças, tantas tontas verdades de amor
Daquele mesmo amor que nunca foi só palavra
Porque tão só nos deixará, sem nos deixar só
Posto que nos deixará sete lágrimas e uma canção

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