domingo, 23 de julho de 2017

TRISTE BRASIL


O rio corre desmoronando suas margens
Corre desordenado, discorde, disforme
A mata pela morte, se esvai nas águas sujas
Águas também quase mortas, amorfa, coliforme
Vida abundante no lugar errado, descaso

Enquanto a miséria avança incontinente
Os governantes incontinentes subtraem
Não só valores financeiros, monetários
Subtraem valores morais, coisas banais
Aflorando inversões em muitas versões

Seringas nas esquinas caídas ao chão
Hospitais parando, diversos por falta delas
Papeis em toneladas ao chão, propagam
Escancaram o mercantilismo reinante
E escolas à mingua, sem nenhum papel

Não há papel para que se escreva palavra
Falta papel para que se limpem ao vaso
Não existe quem assuma um papel decente
Tudo é uma questão de mera indicação
O que é indício, indicação da incapacitação

E se havia alguma segurança oficial
A notícia oficial é que não há segurança
Não há gasolina para patrulhar ruas
Não há critérios algum de detenção
Prendem donos de casa, libertam o ladrão

BORA LÁ



Espera!! me disse o medo,
com seu falso perfil de cuidado
É muito arriscado,
antes de qualquer coisa ou passo, certifique-se
Tenhas certezas muitas, não uma só,
nunca vá pela esperança
Insistiu dizendo para que eu não fosse,
"Olha !? É muito perigoso".

Mas eu fui, este é meu jeito de ser,
não respeito demais ao medo
Fui com cuidado, certifiquei-me dos riscos
e me enchi de esperança
Não haviam problemas no caminho,
só os que eu mesmo criei
Ao chegar, a vida me disse,
"viver não admite rascunho".

Fizeste bem em vir sem demora,
temos coisas a fazer sem medo
Tens como missão, abraçar a alguns,
sorrir e chorar com outros
Tem também bastante trabalho,
e aqui, a saúde não dá garantia
O tempo não para e nem te empurra;
cuide com carinho da vida e dispense o "cuidado"

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A AUSÊNCIA - Sentimentos de mortes


A lembrança de uma imagem vazia
Que remexe o vago pela vaga que ficou
E como vaga de uma onda de mar bravio
Anuncia o arrasto que tudo arrasta para dentro
Fazendo com que uma inundação de coisas
De fatos, palavras, gestos e silêncios invasores
Nos desarrumem trincheiras e fronteiras

É a vida trazendo em desordem e de uma só vez
Tudo aquilo que se pensava perdido e destroçado
E os mesmos traços e lágrimas confusas, difusas
De fases, de frases da infância à velhice adulta
Adolescentemente compreendidas em dores
Atenuadas por palavras e favores vãos que se vão
Trazendo ainda na volta, tudo aquilo que voltou

E então com a mesma sorte de sempre
A morte que nos leva o corpo presente
Nos traz de presente, tantas lembranças
Tantas lambanças, tantas tontas verdades de amor
Daquele mesmo amor que nunca foi só palavra
Porque tão só nos deixará, sem nos deixar só
Posto que nos deixará sete lágrimas e uma canção

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O MUNDO EM CINZA E PRETO


Na solidão, distante de tudo e todos
Na multidão, diante do luto e toldos
Todos, de múltiplas formas sentimos
Sentimos coisas inversas ao tudo
Sentimos mais, menos, mais ou menos
Sentamos, sabedores da espera
Da espera necessária que vem do fundo
Da espera complicada de estarmos
De estarmos diante e distante
Com medo e coragem, e de passagem
Neste mundo de muitos e poucos
De sãos e loucos, de claros e escuros
Mundo de ilusões e semântica
Quântica, quântico, polícia e ladrão
Rua acima, ladeira abaixo, porta sem capacho

SER AVÔ


Exulta, serás avô na vida que te resta.
Ensine as coisas importantes, coisas de significados eternos.
Ensine a brincar de esconde-esconde,
não é preciso esconder, é só brincar.
Ensine a pular corda, jogar água um no outro,
cuidado, sem interesse de encharcar.
Escave, faça poças de água, que serão lagoas.
Faça caretas sem ser por birra ou malcriação, só palhaçada.
Aprenda o valor de um abraço bem forte,
e se ela cair, ajude-a sem assusta-la.
Nunca negue um abraço,
mesmo quando ela estiver fazendo birra.
Pois daqui a alguns anos,
os abraços diminuirão e farão muita falta.
Fale sempre deste carinho e amor que você tem por ela,
Fale com sinceridade, narre os detalhes do encanto
Não só conte as histórias, mas viva-as com ela,
deixe que a imaginação tenha corpo
Não brigue por bobagens,
paredes podem ser pintadas novamente,
Copos e jarros quebram mesmo, e serão substituídos.
A cara feia, o grito, a reclamação e os castigos,
isto ficará, nunca se esquece.
Deixe, que mais tarde iremos arrumar
Iremos lavar o chão com bala pisada
Enquanto você se aborrece e limpa,
ela sai, se afasta e cresce.
Ela não precisa de tantas coisas materiais. 
Trabalhe só o necessário e ame mais.
Menos presente e mais presença!
E, acima de tudo, ore e peça a Deus sabedoria.
Pois o tempo nunca é o suficiente para se ser avô 
E ela está crescendo e mesmo que te ame,
irá preferir os amigos. Pois ela deixará de ser criança
E então, já não verá tanta graça em nós, seus avós
Sê avô enquanto puder participar

quarta-feira, 5 de julho de 2017

PALAVRAS


Ninguém é tudo que pensa ser;
nem bom, nem mau, nem louco ou são
Por vezes somos só pó e quem sabe,
pouco pó, pó puro e sem sabor
Um outro água, pouca água, água derramada,
vai saber? Água contaminada.
Alguns são básicos, outros são ácidos,
alguns falantes, outros calados
Ninguém é tudo o que pode ser,
seja capaz ou incapaz, ainda pode ser mais

De todos se retirou, se retira ou
se retirará algum proveito, tudo se move
Tudo se remove, não importa o tempo,
muito ou pouco, longo ou breve
De alguma forma que nosso ignorar desconhece,
tudo tem um valor sagrado
Maculado ou não pelos que julgam poder julgar,
tudo é útil e se utilizará
Tudo pode ser um quase nada,
nada por vezes é quase tudo, tudo ou nada tudo

O que se sabe e muitos dizem,
é que se juntarmos pó e água, então é massa
Se adicionarmos compreensão
e a terna capacidade de criar, será construção
Serão tijolos, paredes, de muitas e poli dimensões,
serão casinhas, serão mansões
Tudo de um pó, de uma água, que unidas,
entregues a um propósito, transpassam
Transcendem à compreensão, permitem-se,
projetam-se ao alvo do existir da própria criação

O MUNDO DOS SONHOS


Tenho um acordo com os sonhos,
o que normalmente acordado penso cumprir mais
Que é o de colocar limites e cabrestos,
em medos e desejos que evito demais
Pois quando à noite dormindo, lembrando-me ou não,
ele governa meus ais.
Ais de dor ou prazer, ais de menos, ais de mais, ais inversos, ais em versos, ais demais

E nunca sei se é, se foi ou se será verdade;
se tenho, se perco ou se passo susto e vontade
O que sei, é que não poucas vezes o sonho me acorda,
mesmo quando estou acordado.
E isto, apesar do acordo que tenho comigo,
de o inibir mais quando estou longe, des-perto.
 Então desprendo suas cordas que me prendem,
me movendo em intervalos breves de som e silêncio

E apesar deste aparente silêncio,
o sonho sempre me persegue ou acompanha
O sonho, nunca me deixa. Vivo sonhando concretudes, intenções, mesmo dormindo está acordado,
Que filtrarei medos de desejos, que os receberei como medos e desejos, e por fim os serei
Não que me proponha a ser um sonho ou um sonho ser, mas simplesmente, quero compreende-los e saber viver

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O MAR, O SOL, A LUA E O POETA


Olhaste-me com teu brilho refulgente
Revelando de mim e a todos que me vem
Toda a minha imensa e vasta inconstância
Todo este meu temperamento oscilante
Acompanhado destes desejos que demonstro
Ora, o de invadir ao outro, hora de recolher-me

E em tua pujança, em teu brilho e intenso vigor
Altera-me as cores, revela as nuances brancas
Aquecendo-me com tua compreensão amante
Muito embora, reveladora de tudo que sou
De tudo que faço e como me bato e rebato
Neste meu ir e vir, sem motivo e sem fim

E ainda insinuas trair-te em meu desassossego
Pois quando tu vais saindo e aparento avolumar-me
Na ânsia louca de te chamar a atenção no invadir
Me chega a lua para consolar com sua luz gélida
Que pouco revela as minhas vontades e me escuta
Em soluços e fungares do meu amor por ti

Mas o gentil poeta, que em tudo vê beleza
Em seu mundo e vida de significados e símbolos
Diz de mim coisas que me fazem bem, me acaricia
Chamando a meus estrondos de voz forte e constante
Ao meu volume imenso de casa de mundos
Aos meus respingos, de suave e terna brisa do mar

Mas dele, o que hei de dizer, o que se há de pensar
Seria simplesmente bondoso e gentil no falar?
Ou será algum interesse escondido em algum lugar
Talvez um brincador de palavras, arruaceiro de almas
Criando, fazendo, tecendo um crochet de palavras
Perturbando, encantando e nos fazendo sonhar!!!