sábado, 18 de fevereiro de 2017

A DOR



Sentada ali parada, subtraindo os sentimentos dos olhares que chegam
Ela me tornou serpente encantada pelo movimento do interno estar
O gesto contido, disperso no gesto desperto, despertou amor em mim
E de tal forma enfraquecido por aquele encanto, pedi socorro para ser
Ser apresentado, aproximado, ser alguma coisa nela que me libertasse

Mas qual? Qual serei, para que me sinta liberto ou parte deste amor?
Tentei ser ter, tentei ser estar e até não estar, tudo foi em vão
Pois o vão permaneceu e não como havia sido, agora o vão está em mim
Agravou-se o valor do vazio, esvaziando-me certezas que permaneciam
Certezas em coisas disformes e de valor insano para seu mundo real

Isto, ela se mantém na realeza de suas incertezas tão certas e de valor
Valores sem cifrões, sem escrituras, valores etéreos do seu amor
Encontro de desencantos, desencontrei-me de encanta-la e fui só
Só na estrada de volta para minhas antigas certezas, "in-certeza"
E por mais que eu tenha ido, continuo preso no cesto da serpente
E agora sem meu coração, retirado e guardado em sua mão.


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