terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

SER SUFIXO



Mente, semente, mormente, lamente, contente
No indo ou vindo, em um findo infindo lindo
Com a beleza da natureza, a certeza, a realeza 
Do passageiro tão sorrateiro, lá no bagageiro
Escondido, comprimido, iludido e perdido
Demora, cora, chora, implora quer ir embora
Cansado que está de viver dependente de outro
E nunca se encontrar, pois sua vida é sufixa

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sombras com esperança



E então o canto se fez pranto
Um manto nos trouxe escuridão
Pois nenhuma esperança existe
Nem tampouco jamais existiu
Era um pseudônimo de ilusão
Todas as crenças pregadas
Pois os legados da democracia
Há tantos anos já falecida
Apodreceram, cheirando mal
A justiça ficou nua e sem pudor
As armas se calaram de pavor

E este mal espanta a todos
Alastrou-se mundo a dentro
Nada, ninguém escapa ao espanto
Das dores, dos ais, das lágrimas
E ainda que sejamos dominados
Tanto faz que seja pela raiva ou dó
O seguro da vida é vinda do ser pó
Mas não desanime com a verdade
A verdade que está e virá no amanhã
Pois hoje eu viverei o amar ainda mais
Amanhã, se estiver vivo, serei mais capaz

A dúvida



Primeiro foi seu olhar, depois um sorriso intrigante
Depois fui confirmar e lá estava ela sorrindo pra mim
Despertou minha alegria, afagou minha estima, linda
Passei dias lembrando, imaginando o porque, a loucura
Melhor pensar que não tenha sido pra mim, é só ilusão

No retorno, o vazio, ela não está lá. Não chegou? Não virá?
E então eu torno ao lugar e seu estar me intriga, mesmo sem ela me olhar
Seu sorriso, seu jeito e aquela determinação me envolve
Ela se aproxima e se encosta, então, sonho impossíveis
Mas ela recua, na certeza de haver deixado o marca da vontade

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O OLHAR



Teu olhar rompeu o denso silêncio de meus segredos
E disse alegre e tristemente sobre meus medos e desejos
Rasgando respeitos e reverencias que cultivei por anos
De toda a dor, a maior foi a verdade sem a maquiagem
Manuseios de valores e lugares que nos mantém no nada
Na subtração de assumir aquilo que compreendemos
Fazendo-me aceitar que digo sins aos nãos e vice-verso
O verso do que sou, inverso do id, que transformo em versos

Tenho agora ruídos dissonantes, gemidos consoantes e vogais
Que representam a invasão barulhenta deste olhar desarrumador
Desta fala silente de investigação sem aprovação alguma
De forma igual não reprova, é só uma inquisição sobre mim
Uma busca por saber se eu sei quem realmente sou e quero
E quando abro os olhos depois desta introspecção incômoda
O olhar não está mais lá, deixou-me a certeza de sua missão
Invadir e acordar minhas dúvidas, medos e anseios e me deixar só

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A DOR



Sentada ali parada, subtraindo os sentimentos dos olhares que chegam
Ela me tornou serpente encantada pelo movimento do interno estar
O gesto contido, disperso no gesto desperto, despertou amor em mim
E de tal forma enfraquecido por aquele encanto, pedi socorro para ser
Ser apresentado, aproximado, ser alguma coisa nela que me libertasse

Mas qual? Qual serei, para que me sinta liberto ou parte deste amor?
Tentei ser ter, tentei ser estar e até não estar, tudo foi em vão
Pois o vão permaneceu e não como havia sido, agora o vão está em mim
Agravou-se o valor do vazio, esvaziando-me certezas que permaneciam
Certezas em coisas disformes e de valor insano para seu mundo real

Isto, ela se mantém na realeza de suas incertezas tão certas e de valor
Valores sem cifrões, sem escrituras, valores etéreos do seu amor
Encontro de desencantos, desencontrei-me de encanta-la e fui só
Só na estrada de volta para minhas antigas certezas, "in-certeza"
E por mais que eu tenha ido, continuo preso no cesto da serpente
E agora sem meu coração, retirado e guardado em sua mão.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O sentir



Tenho em mim este encanto, que em canto transformei
Posso ver de olhos fechados, tua luz dentro de mim
Posso sentir que uma geleira se derrete em suave cor
E sinto em cada canto, conto, ponta, ponto, teu sabor
Danças enebriante diante de mim, que não te minto
Lindo sorrir que desfaz e acende fogueiras em luz
E o que acende em mim, me ascende ao nascer do sol
Ao por do sol, cor da lua nova, estrela da manhã
Então ensolarado, quase entrando em insolação
Desabo em uma só lágrima, que me afoga a dor
Que me afaga o coração, mistura de dor, cor e amor

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017