sábado, 24 de dezembro de 2016

Envelhecendo através dos Natais



Quando o Natal é feito de lembranças
Ele poderá e será sempre  desigual
Porque todos, de alguma forma lua
O experimentam em fases diferentes
Ora crescente, ora minguante alegria
Por vezes natais cheios e brilhantes
Existindo também ausência de brilho

Acrescentamos ainda, que cada fase
Pode ser adornada de coisas contrárias
Passando da bonança à tempestade
Dias de calor no inverno, frio no verão
Folhas ao chão, derrubadas com o tempo
Derrubadas pelo vento ou a própria mão
Natais de lembranças boas e/ou más

Não nos bastasse isto, aquilo e aquilo outro
As folhas são para alguns, lixo, incômodo
Coisa a ser varrida, queimada, desprezada
Para outros, fertilizante a ser revolvido
Misturado à terra, para voltar a ser vida
Ainda há, aquele que escolhe zelosamente
E das folhas faz arte, joias forradas a ouro

Mas quando natal é encontro, como será?
Certamente semelhante à própria busca
Excessos, recessos, falta ou abundância
Daquilo que buscamos e encontramos
Ou inversamente perdemos e desistimos
Tendo então, em cada detalhe, mão e olhar
O caminho e a direção a se caminhar

Perder pais, irmãos e amigos à véspera
Resultado de dor inesperada e repentina
Ou já dizimado pela espera do medo
O encontro com a verdade  nua do ser
Transformar-se-á  em lembrança, cicatriz
Que alguns superam e outros esperam
Esperança vã de que a dor  e saudade vá passar

Mas quero crer e ter para mim mesmo
Que natal é esperança, é nascimento
Nascimento permitido em nós pela fé
Aquela fé de Maria, que disse faça-se
Ou quem sabe a de José, que disse creio
Fé de muitos, aos quais me engajo 
E alegremente recebo por dádiva pura

A esperança certa, que se me ativer
A me lembrar das vezes que abençoado
Senti a presença do Mestre a meu lado
Resultado de uma escolha madura
Vou deixar nascer em mim e me conduzir
O milagre anunciado de um salvador
Cristo, o Jesus, meu Mestre e Senhor.

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