segunda-feira, 18 de maio de 2015

Do fundo do coração


Parei defronte ao espelho e foquei meu olhar
Olhei-me, procurando de forma fixa e obsessiva
A existência real da expressão "fundo dos olhos"
Ali parado, fixado, fixando o olhar no meu olhar
Até o ponto de cansar de esperar, de olhar e buscar

Então cansado, deixei de esperar sem des-esperar
Deitei acompanhado e acompanhando a solidão
Então, todo aquele reflexo escuro do meu olhar
Reflexo do fundo da espera, do desejo de encontrar
Aquilo que de fato existe no fundo do meu olhar

E na escuridão dos olhos fechados vieram imagens
De alguém que corria sorrindo na minha direção
De alguém que sorria, que falava, que brincava
Que com carinhos me enebriava, me levando ao torpor
E novamente me veio a escuridão, não mais solitária

A voz dos gestos, os cheiros dos sorrisos
O som do silêncio, a cor do carinho, tudo
Tudo estava acompanhado de um ritmo
Que ora acelerava, outras acalmava
O surdo, o bumbo, o ritmo contínuo

Des-cobri então que havia me confundido
Que errara o alvo, o objeto da investigação
Pois não era no olhar, nem mesmo ao fundo
Que poderia te encontrar, pois teus movimentos
Teus gestos, teu jeito, encontrou um jeito
De conquistar o fundo do meu coração

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