sexta-feira, 22 de maio de 2015

Ser romântico


Ontem eu me esqueci de toda beleza
Não me lembrei do luar ou seu clarão
Não contei estrelas soltas no céu
Não me ative às histórias de amor
Tudo porque estava totalmente encantado
Estava a teu lado, envolto em teu brilho
Perdido em meio a sonhos de amor
Então, adormeci enroscado em sonhos
E hoje acordei você

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O vazio



Ainda tenho as lembranças de você a meu lado
Ainda tenho os sons presentes ecoando em mim
Ainda sinto cheiros que revelam tua presença
Ainda caminho na direção de te encontrar
Ainda guardo tantas coisas que me lembram você

Permanecem detalhes em muitos sabores
Permanecem reflexos de seu olhar, suas cores
Permanecem intactos, apesar de distantes
Permanecem umedecendo a face em lágrimas
Permanecem ainda na face as rugas e rusgas de amor

Mas é só imagem etérea, é só lembrança
Mas é só desejo impossível, desesperança
Mas é de fato, dura ausência, desaliança
Mas é só puro passado, pseudo-herança
Mas persisto na caminhada, na minha andança

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Do fundo do coração


Parei defronte ao espelho e foquei meu olhar
Olhei-me, procurando de forma fixa e obsessiva
A existência real da expressão "fundo dos olhos"
Ali parado, fixado, fixando o olhar no meu olhar
Até o ponto de cansar de esperar, de olhar e buscar

Então cansado, deixei de esperar sem des-esperar
Deitei acompanhado e acompanhando a solidão
Então, todo aquele reflexo escuro do meu olhar
Reflexo do fundo da espera, do desejo de encontrar
Aquilo que de fato existe no fundo do meu olhar

E na escuridão dos olhos fechados vieram imagens
De alguém que corria sorrindo na minha direção
De alguém que sorria, que falava, que brincava
Que com carinhos me enebriava, me levando ao torpor
E novamente me veio a escuridão, não mais solitária

A voz dos gestos, os cheiros dos sorrisos
O som do silêncio, a cor do carinho, tudo
Tudo estava acompanhado de um ritmo
Que ora acelerava, outras acalmava
O surdo, o bumbo, o ritmo contínuo

Des-cobri então que havia me confundido
Que errara o alvo, o objeto da investigação
Pois não era no olhar, nem mesmo ao fundo
Que poderia te encontrar, pois teus movimentos
Teus gestos, teu jeito, encontrou um jeito
De conquistar o fundo do meu coração

domingo, 10 de maio de 2015

Poema da ausência ( Triste Dia das Mães )


Por mais que esteja tentando
Apesar de muitos esforços
Tudo parece em vão e nulo
Embora haja sentimentos
Sentimentos de força tal
Que justifiquem a poesia
A poesia se ausenta em silêncio

Então a força de algumas palavras
Se impõem sem cerimônia alguma
E fica na mente, aprisionando a alma
Aprisionando a pena que escreve
Uma certa penalidade imposta
Aparentemente injustificável
Sentença em forma de ausência e vazio

E aí, as lágrimas regam sorrisos
A lembrança abranda a saudade
Lições deixadas compensam a dor
E um suspiro forte emerge do fundo
Me vindo a lembrança dos gestos
Os traços dos sorrisos e zangas
E quase consigo sentir seus braços

E daí, uma inevitável lágrima surge
Descendo suave e docemente na face
E muito embora seja fruto de enorme dor
Continua a nos ajudar e fazer bem
Posto ser lágrima de saudade de amor
Fruto de memórias de momentos ternos
Marcas deixadas por uma mãe que nos amou.