sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O analista


Tornara-se um especialista em previsões
Gabava-se de suas análises bem feitas
Calculava índices, percentuais, chances
Atualizava-se com a angústia de não falhar
Um só dado não coletado podia ser fatal
Era um homem de leituras, de pesquisas
Embora sua face aparentasse tranquilidade
Trazia em seu ciso, apatia, nem um sorriso
Vivia ocupado ou pré-ocupado em pré-ver
Tinha nisto sua confiança e desconfiança
Atordoado pelas más notícias da época
O homem exasperou-se, perdeu a cor
Perdeu a vontade de enxergar, de dizer
Des-cobriu sua triste insensatez analítica
Hoje não faço, porque amanhã vai piorar
Hoje não faço, pois amanhã pode ser melhor
Foi quando uma de suas poucas imprevisões
O filho que havia tido em uma crise de paixão
O abraça e diz baixinho, o técnico me ensinou
Chuta, que o mais importante é chutar no gol

Nenhum comentário:

Postar um comentário