terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Cataclismo de amor



Então o frio invadiu o seu verão e o imobilizou
Aquele sentimento sem princípio, meio ou fim
Tornou-se temporal temporão de um seco amor
Sumiram os suores, os risos, tudo é só isso, siso
Não o da seriedade que leva ao amadurecimento
Mas um siso adoecido, careado, causando só dor

E parado o tempo em pleno verão, tudo mudou
As folhas amarelaram, mas não caíram ao chão
As saúvas ávidas de folhas, as cortavam em vão 
Pois não caiam, não anunciavam frutos, nem flor
Tudo, estranhamente, ficou estagnado no coração
Um coração trincado pelo gelo em meio ao verão

Estarrecidas, as pessoas pediam chuva, outras não
Algumas criam no degelo pelas águas de verão
Outras acreditaram muito mais no frio intenso
E temiam o congelamento daquilo que secara
Aos poucos o verão foi findando sem mudanças
A árvore petrificou, com seu inverno externo

Seu inferno interno no coração

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O analista


Tornara-se um especialista em previsões
Gabava-se de suas análises bem feitas
Calculava índices, percentuais, chances
Atualizava-se com a angústia de não falhar
Um só dado não coletado podia ser fatal
Era um homem de leituras, de pesquisas
Embora sua face aparentasse tranquilidade
Trazia em seu ciso, apatia, nem um sorriso
Vivia ocupado ou pré-ocupado em pré-ver
Tinha nisto sua confiança e desconfiança
Atordoado pelas más notícias da época
O homem exasperou-se, perdeu a cor
Perdeu a vontade de enxergar, de dizer
Des-cobriu sua triste insensatez analítica
Hoje não faço, porque amanhã vai piorar
Hoje não faço, pois amanhã pode ser melhor
Foi quando uma de suas poucas imprevisões
O filho que havia tido em uma crise de paixão
O abraça e diz baixinho, o técnico me ensinou
Chuta, que o mais importante é chutar no gol