domingo, 25 de outubro de 2015

Denso



Palavras fartas, infartos, atos e poemas
E o mundo gira dentro de nós em laços
Laços de fitas, laços de amor, afeto
E o feto, latente, crescente, vida imanente
Acompanhado de sua solidão guardada
Aguada, prestes a despencar, nascer
Virá então o pranto, a lágrima do sorriso
A expectativa atroz dos dias que virão
Verão no inverno o calor do verão
O soluço, a cura da solidão latente
Palavras tantas, tontas, prontas ou não
Transmitem-nos a vida clara, rara.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

SER-SE-Á



Seja você mesmo, porque você é singular
E sendo você mesmo, lembre-se, você é plural
Você concentra em si pessoas de fato distintas
Sem que precise perder a unidade. É a semelhança
É o em nós divino, transcendente, excepcional

Ora pai, assumindo autoridade e papeis principais
Ora filho, co-adjuvando no ambiente familiar
Ora amigo, inter-ferindo, inter-cedendo
Ajudando ou sendo ajudado, seja você mesmo
Sinta, aja, revele-se, haja em você certezas e amor

Sendo assim, você ser-se-á sem cercear-se.
Lembre-se sempre e nunca se esqueça
Você foi feito à imagem e semelhança de Deus
Foi feito para ter vida plena, livre e abundante
Aceite as dádivas de Deus, foi seu filho que nos deu


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A lua e as poucas palavras dos muitos sentimentos


Olhou-me então a lua com seu olhar gélido e romântico
Dizendo-me em silêncio, o adeus das cinco da manhã
À medida que se afastava pela solvência branda e terna
Mostrava-me o chão umedecido pelas lágrimas noturnas
Fruto do amor que se vai assim sereno, sem necessidade 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Oração do alvorecer



Te agradeço Oh! Pai Celestial
Por cada uma das tuas promessas
E pelo fato de seres verdadeiro e fiel
Te louvo pelo amor imenso que nos tem
E também pela proteção enquanto dormimos

Te agradeço Oh! Pai de bondade
Por cumprires nos que te temem
Todos aqueles projetos de amor
Revelados na Morte de Cristo Jesus
Pois isto nos dá paz e segurança

Agora, que tiramos nossos corpos do sono
Que pensamos nos projetos e propostas
Para este novo dia de atividades cotidianas
Quero me lembrar que a tua vontade é boa
Que ela é agradável e também é perfeita

Te peço então, que esta vontade se cumpra
Não só em minha vida, mas na vida dos meus
Dos que me lembro cotidianamente com amor
Pois sei que cumprirás as promessas de amor
E que irás nos aperfeiçoar em cada passo do viver

Usa então a minha vida para teus propósitos
Pois coloco-me à disposição de teu querer
Para que através de cada gesto cotidiano
Eu possa em palavras e atitudes simples
Expressar teu profundo e perfeito amor

domingo, 28 de junho de 2015

Poema para Amábili




Um punhado de alegria
Eu desejo para você
Um tanto de ousadia
Todo mundo deve ter
 E uma trilha iluminada
Seja sempre o teu viver

Quero então te oferecer
Umas poucas palavras
Traduzindo o que penso
E o quanto gosto de você

Quero deixar três curtos conselhos:

Seja somente, seja semente e se permita florescer.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um estranho sonho


Adormeci em tarde serena de um feriado qualquer
Deitei-me e dormi mansamente um sono tranquilo
Enquanto viajava suavemente caminhos oníricos
Encontrei-me em cerimônia fúnebre de fato incomum

O deitado era um obeso avantajado e sem semblante
Os presentes, pessoas diretas e sem cerimônias formais
Logo um se adiantou e começou a falar sem rodeios: 
"Morreu ontem esta pessoa que muito me prejudicou"

Outro, pedindo um aparte, usou de semelhança e disse:
Este que jaz aí morto, sempre foi sem respeito pelo outro,
No tocante ao meu convívio com ele, foi sim desagradável.
Era pessoa sem afeto natural, interesseiro, um miserável.

E assim, mais três se pronunciaram sem fazer rodeios.
À medida que a caixa foi sendo fechada, o último disse:
Morreu ontem um ser desagradável e inútil à sociedade
Enterra-se hoje, um mal filho, mal marido e mal amigo

As poucas pessoas que ali estavam, disseram: "É verdade"
A caixa saiu carregada pelo funcionário do cemitério
Nem uma pessoa pegou uma só alça do pesado caixão
Neste exato momento acordei e fui escovar os dentes.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Ser romântico


Ontem eu me esqueci de toda beleza
Não me lembrei do luar ou seu clarão
Não contei estrelas soltas no céu
Não me ative às histórias de amor
Tudo porque estava totalmente encantado
Estava a teu lado, envolto em teu brilho
Perdido em meio a sonhos de amor
Então, adormeci enroscado em sonhos
E hoje acordei você

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O vazio



Ainda tenho as lembranças de você a meu lado
Ainda tenho os sons presentes ecoando em mim
Ainda sinto cheiros que revelam tua presença
Ainda caminho na direção de te encontrar
Ainda guardo tantas coisas que me lembram você

Permanecem detalhes em muitos sabores
Permanecem reflexos de seu olhar, suas cores
Permanecem intactos, apesar de distantes
Permanecem umedecendo a face em lágrimas
Permanecem ainda na face as rugas e rusgas de amor

Mas é só imagem etérea, é só lembrança
Mas é só desejo impossível, desesperança
Mas é de fato, dura ausência, desaliança
Mas é só puro passado, pseudo-herança
Mas persisto na caminhada, na minha andança

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Do fundo do coração


Parei defronte ao espelho e foquei meu olhar
Olhei-me, procurando de forma fixa e obsessiva
A existência real da expressão "fundo dos olhos"
Ali parado, fixado, fixando o olhar no meu olhar
Até o ponto de cansar de esperar, de olhar e buscar

Então cansado, deixei de esperar sem des-esperar
Deitei acompanhado e acompanhando a solidão
Então, todo aquele reflexo escuro do meu olhar
Reflexo do fundo da espera, do desejo de encontrar
Aquilo que de fato existe no fundo do meu olhar

E na escuridão dos olhos fechados vieram imagens
De alguém que corria sorrindo na minha direção
De alguém que sorria, que falava, que brincava
Que com carinhos me enebriava, me levando ao torpor
E novamente me veio a escuridão, não mais solitária

A voz dos gestos, os cheiros dos sorrisos
O som do silêncio, a cor do carinho, tudo
Tudo estava acompanhado de um ritmo
Que ora acelerava, outras acalmava
O surdo, o bumbo, o ritmo contínuo

Des-cobri então que havia me confundido
Que errara o alvo, o objeto da investigação
Pois não era no olhar, nem mesmo ao fundo
Que poderia te encontrar, pois teus movimentos
Teus gestos, teu jeito, encontrou um jeito
De conquistar o fundo do meu coração

domingo, 10 de maio de 2015

Poema da ausência ( Triste Dia das Mães )


Por mais que esteja tentando
Apesar de muitos esforços
Tudo parece em vão e nulo
Embora haja sentimentos
Sentimentos de força tal
Que justifiquem a poesia
A poesia se ausenta em silêncio

Então a força de algumas palavras
Se impõem sem cerimônia alguma
E fica na mente, aprisionando a alma
Aprisionando a pena que escreve
Uma certa penalidade imposta
Aparentemente injustificável
Sentença em forma de ausência e vazio

E aí, as lágrimas regam sorrisos
A lembrança abranda a saudade
Lições deixadas compensam a dor
E um suspiro forte emerge do fundo
Me vindo a lembrança dos gestos
Os traços dos sorrisos e zangas
E quase consigo sentir seus braços

E daí, uma inevitável lágrima surge
Descendo suave e docemente na face
E muito embora seja fruto de enorme dor
Continua a nos ajudar e fazer bem
Posto ser lágrima de saudade de amor
Fruto de memórias de momentos ternos
Marcas deixadas por uma mãe que nos amou.

sábado, 21 de março de 2015

Ando Assim, Meio Down


Eu ando assim meio Down
Sorriso aberto e sem medo
Superando os preconceitos
Com a ternura à flor da pele
Cumprimentando sorrindo
Escolhendo olhar no olhar.
Tenho me sentido inserido
Superando meus limites
Dominando meu mundo
Nem ligo pro que pensam
Porque me sinto super bem
Me sinto confiante e feliz
Eu ando assim meio Down

domingo, 8 de março de 2015

SER MULHER


Só Ser
.
Ser capaz
Ser sensível
Ser forte
Ser determinada
Ser companheira
Ser solidária
Ser independente
Ser sincera
.
Ser tudo o que se quer ser
.
Ser mulher
.

Ser imagem e semelhança de Deus

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Cataclismo de amor



Então o frio invadiu o seu verão e o imobilizou
Aquele sentimento sem princípio, meio ou fim
Tornou-se temporal temporão de um seco amor
Sumiram os suores, os risos, tudo é só isso, siso
Não o da seriedade que leva ao amadurecimento
Mas um siso adoecido, careado, causando só dor

E parado o tempo em pleno verão, tudo mudou
As folhas amarelaram, mas não caíram ao chão
As saúvas ávidas de folhas, as cortavam em vão 
Pois não caiam, não anunciavam frutos, nem flor
Tudo, estranhamente, ficou estagnado no coração
Um coração trincado pelo gelo em meio ao verão

Estarrecidas, as pessoas pediam chuva, outras não
Algumas criam no degelo pelas águas de verão
Outras acreditaram muito mais no frio intenso
E temiam o congelamento daquilo que secara
Aos poucos o verão foi findando sem mudanças
A árvore petrificou, com seu inverno externo

Seu inferno interno no coração

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O analista


Tornara-se um especialista em previsões
Gabava-se de suas análises bem feitas
Calculava índices, percentuais, chances
Atualizava-se com a angústia de não falhar
Um só dado não coletado podia ser fatal
Era um homem de leituras, de pesquisas
Embora sua face aparentasse tranquilidade
Trazia em seu ciso, apatia, nem um sorriso
Vivia ocupado ou pré-ocupado em pré-ver
Tinha nisto sua confiança e desconfiança
Atordoado pelas más notícias da época
O homem exasperou-se, perdeu a cor
Perdeu a vontade de enxergar, de dizer
Des-cobriu sua triste insensatez analítica
Hoje não faço, porque amanhã vai piorar
Hoje não faço, pois amanhã pode ser melhor
Foi quando uma de suas poucas imprevisões
O filho que havia tido em uma crise de paixão
O abraça e diz baixinho, o técnico me ensinou
Chuta, que o mais importante é chutar no gol

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Desabafo para Karina


Alguém me procurou para dizer que você não me quer mais,
Que te viu falando e rindo de mim

Que escreves-te no verso da página do verso que lhe dei, 
o teu telefone e entregas-te a outro alguém


E embora saibas declamar o verso de cor e salteado,
desejo que chores por cada palavra, cada rima

Pois decidiu de forma irrevogável que não quer mais saber de mim, pois me achas vazio e sem sabor

Então olhei-a sem muito sentir, nem dor ou alívio, 
não senti tristeza ou alegria. Só imobilizei

E fiquei pensando no que seria aquilo, uma mulher
que vem me dizer que rasgas-te o verso que te dei

Colocando nele  o número do teu telefone,
propondo um encontro e assinando assim: "Marina".


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lua Clara Matinal


Lua clara, transparente da estrelada manhã
Que o sol preguiçoso não quer ver ali
Ela ilumina a parte que lhe convém
Fazendo-se maior do que de fato é
Pois realça a grande árvore distante
Para encerrar a noite linda que viveu
Nos oferecendo seus manjares visuais
Nos envolvendo em suas seduções
Todas elas ligadas às histórias de amor
Repletas de sonhos, desejo e paixão

Lua clara transparece ser senhora de si
Senhora de si mesma e seus reflexos
Se gabando de dar aos homens sonhos
E a oportunidade de saber parte do sol
Somente a parte que ela quer revelar
Absorvendo todo seu calor atômico
Nos irradia um outro sublime calor
Por vezes minguante, por vezes, crescente
Deixa de forma clara, o sabermos sutilmente
A quem o sol persegue e sempre pertence

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A memória


Hoje ela me apareceu tão alegre
Trazendo com ela um sorriso meu
Me envolveu em palavras e imagens
A tal ponto, de minh'alma sentir cheiros
Não me trouxe convites ou propostas
Me encantou com um velho som desigual
Desequilibrou-me com seus rodopios
Assobiando e cantarolando suas canções 
Velhas e novas canções dissonantes
Me fez sorrir, me fez chorar de amor
Me dizendo baixinho ao pé do ouvir
Não se esqueça de dar graças a Deus
Não deixe os beijos e abraços para depois
Ame hoje, declare hoje a sua alegria
Seja você, seja livre, seja feliz

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A velha estrada


Ficou ali, aparentemente abandonada
A estrada envelhecida e suas curvas
Ficou ali, sem a presença cotidiana
Trocada pelo asfalto e seus 150 Km/h

Tornou então à companhia dos pardais
Às pequenas lebres e outros esquecidos.
Os tatus, as maritacas, árvores regionais
Foram voltando sem medo, re-vivendo.

O aparente silêncio, a ausência sonora
Criada pelo som dos motores de outrora
Foram sendo substituídos por cantos
Pelo movimentos de galhos expostos

Ali, algum tempo depois, habitou a paz
Voltou o bom cheiro de terra molhada
Voltaram as flores, os frutos e pássaros
Então, na aparente solidão, ouvia-se Deus

domingo, 4 de janeiro de 2015

Ser ninho


Ser ninho é algo pouco natural
É ser composto daquilo que é.
Do pensar de quem vai se utilizar
É que se faz um ninho verdadeiro.
Lugares altos, baixos, seguros ou não,
Ser ninho em tocos, em tascos
Ser ninho é ser, para ser para alguém

Em seus momentos de vazios
O ninho está lá esperando,
Esperando a hora ou quem;
Não sabe exatamente quando.
É ninho, foi feito para ser
Para ser seguro, para acolher
Para experimentar esperas

O ninho vê histórias antes delas
Conhece diversos tipos de casais
Histórias de devoção e abandono
De silencioso desenvolvimento
De idas e vindas de chocadores
Ouve gritarias e vê bocas abertas
Idas e vindas de alimentadores

O ninho sabe vidas e mortes em si
Sabe de sua utilidade temporal
E a inutilidade de ser sempre útil
O ninho sabe ser e deixar de ser
Ser ninho é escolha do criador
Um duro, árduo e sublime estar
Ser ninho é servir aos homens
Ser ninho é serviço a Deus

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Um 2015 iluminado


Não é só uma questão de resolver seus problemas
em relação ao peso ou boa alimentação,
é uma questão vivencial.

Rejeite sobras de momentos felizes e prazer,
busque uma vida de realizações
ao invés de uma vida de comemorações.

Ame-se inteligentemente, não se engane,
o que te faz mal, nunca, em dia algum é bom.

A mais bela de todas as iluminações
estão nas coisas naturais.