quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Na casca


Quando tudo cessa, tristeza, alegria, sorriso ou pranto
Quando um senão em nós, des-espera qualquer surpresa
Invade nossa alma, o frio que chamamos de solidão
Uma sólida certeza de que nada mais virá surpreender
E se permanecemos fechados, sem olhar, ouvir, sentir
Se trancados em nós mesmos não sentirmos a brisa
Não conseguirmos notar sequer tonalidades e nuances
Então, certamente escolhemos que não queremos mais
E não nos importa a promessa, desprezamos a ameaça
Porque escolhemos de forma determinada e terminada
O desistir da existência surpreendente que nos cerca
Estranhamente escolhemos o não ser de forma alguma
E ainda que saibamos a impossibilidade desta nulidade
Pelo menos na forma de completude e pura integridade
Sinto, que só uma gota deste veneno retirado do medo
Uma só gota deste anestésico profundo em nossa alma
Tem potencial capaz de nos fazer morrer, ainda que vivos

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