segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A re-integração


Parti da exata parte onde estou
Parti em parte, porque parte ficou
Parte ficou sem esperança e foi
Foi exatamente esta que partiu,
A parte que des-esperou em mim
Partiu porque não resistiu a dor
O peso da integridade do todo
E então partiu e espatifou-se
Espatifando-se, espalhou-se
E a parte que ficou, a esperança
Esperou um certo tempo e partiu
Partiu como a que des-esperou
Mas partindo, foi integra, inteira
Não toda, mas a inteira parte
A parte que esperou, que ficou
Que ficou por um tempo ali
Ali ativa, observando as partes
As partes espalhadas pela dor
E enquanto ali parada estava
Ajoelhada pela dor que a parava
Olhava as partes espalhadas
E as catava, as unia, as colava
Mas como não adiantasse
A vida das partes havia ido
E não havia vida em si nelas
A parte sobrevivida apesar da dor
Bebeu-as por inteiro, sorveu-as
Com todo o seu duro amargor
E ao digeri-la, sentiu-se inteira
E partiu então, sem nenhuma dor

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