sábado, 29 de novembro de 2014

Simplesmente é


Se ela é quimera, meio megera
Doce menina, dengosa, sensual
Adorável fofinha, brava magrela
Nada disso tem muita importância
Detalhes tolos, pouco relevantes
Pode ser uma nenê ou bela idosa
Despojada, Hippie ou vaidosa
São formatos tantos, entalhes
Faces facetadas da pedra bruta
Parece Diamante, Jaspe, Rubi
Mas é mais quente e charmosa
É pedra puramente brasileira
Negra, loira, morena, mulata
MULHER

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A espera do amor


Seca, a terra sedenta clama água
Mas não espera em sua alma pura
Por uma água qualquer, quer chuva
Embora aceite a torneira aberta
E isto, por causa do amor pela árvore
Ela deseja ardentemente água do céu
Sentir aquele encontro suave e constante
Quantidade em imensidão distribuída
De tal forma que a sacie em plenitude
Assim, ela se sentirá feliz, plena e realizada

Assim também, o coração espera o amor
Não aquele que somente vem pela piedade
Tampouco pela ocasião passageira
Muito menos o amor com olhos nos frutos
Mas o coração vazio e sedento de encontro
Espera um amor que lhe refresque a alma
Um toque de amor que lhe aqueça o corpo
Um derramar de palavras e gestos suaves
Com capacidade intensa de fazer brotar e crescer
Crescer e dar frutos, à sua própria semente de amor

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A noite do amor Boreal


Acordo e o vejo, parado com seu brilho gélido
Não sei ao certo se já nasceu e ainda vai subir
Ou se está descendo e aos poucos vai saindo
Sei que ele está lá e eu girando de forma curta

E não adianta a esperança ou o adiantar da hora
Ele está resplandescente e aparentemente ali
Eu aqui fitando-o, sem saber se faz fita ou finta
Ele está lá parado, aceso, me vendo, sem me olhar

domingo, 23 de novembro de 2014

O inverso do verso


Tenho estado meio encabulado
Totalmente sem noção do que escrever
Ando assim ultimamente, pensando em você
Ligeiramente sem noção do que fazer
Se fico calado, se fico esperando
E então, eu fico assim imobilizado
Acordado, sem sono e sem você
Indeciso, coisa que não me é normal
Acho melhor eu parar de escrever
E enviar este verso inacabado pra você

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Enluarado


Lua cheia sobre o mar e cores muitas
Muitas versões, aversões do frio aqui
Há versões em cheias, crescentes de amor
E o canto do mar que bate suavemente
Confundindo no ouvir, sussurros e ais
E a maresia não esfria desejos, nem calor
A maresia se une, se confunde no suor

Suor e calor, noite enluarada de amor
E a lua nova, envergonhada sob o mar
Nada ilumina, só o amor irradia calor
Só o amor, o mar, a maresia, fantasia
E os corpos imersos no mar escuro
Pela lua nova se escondendo do amar
E o mar tranquilo iluminado de amor

E foi então que caminharam juntos
Lua e amor crescente iluminando
Luzia clareando a orla das vestes
A orla da praia recebendo a lua
E o amor dos dois, dando de borla
Todo significado que tem o amor
Vendo ali a lua encantada e clara
Por causa do tom do amor dos dois

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Decor de cor


Tantas lutas, tantas dores, tantas cores
Branco negro do negro branco impuro
Pois ser puro é ser todo, ter tudo em si
Pois ser puro e ter de si cores diversas
Diversas cores e tons de ser humano
Sendo humano sem cor e sem dor
Ser só humano, de cor e salteado
Saltitando negro saltimbanco branco
Mameluco, o homem in-sano, maluco
Perdido em tons, em raças, em castas
Buscando identidade em nada demais
Homem de raça, não precisa de cor
A melhor raça de homem, é a do amor


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A floresta


Despir-me, des-fazer-me em desejos
Estar com a razão dominada e é só
E despido do que creio, creio estar
Creio estar vestido do melhor de mim
Vejo estar vestido pela alegria de ter
Ter a meu lado uma tela de Monã
Com toda sua beleza natural e só
Sol, estrela que não gosta da Lua
Lua de tantas estrelas a seu redor
Afastadas pela frieza que demonstra
Amostra clara da alegria de estar só
Não só encantando aos que a veem
Mas encantada pelo sol distante
Assim vivem as semi-deusas ao redor
Encantadas, encantando, estando só
E eu, terra da Terra, meio encantado
Encanto a semente que caiu em mim
Fecundada pela sua parte diferente
E ajudado pelo sol e pela água que cai
Faço a flor que dispensa dias ou noites
E que a qualquer hora, sabe falar de amor.

A porta


Esta luz que vem de ti e me invade a retina
De tal forma ilumina e clareia, que me cega
E este teu cheiro tão suave de mato fechado
Me inebria, atordoa, deixando a porta aberta
Não entre-aberta, mas de todo escancarada
E só você, nada mais permito passar por ela
Encontras-te a chave perdida dentro de mim
Não a pedis-te, não a roubas-te, não a levas-te
Tua luz, teu cheiro, teu olhar, teus passos
Tua forte suave voz apertou-me o coração
Tuas mãos em mim curaram todas as dores
E enxerguei pela fresta da luz invasora
Que iluminou minh'alma agora rendida
Que tu mesma é a chave que me libertou

sábado, 8 de novembro de 2014

O grande amor



Casar com palavras, fazer meu par
Sabê-las impares e fazê-las plurais
Soma-las para diminuir distâncias
Diminui-las aumentando paixões
Tê-las sem nunca querer possuí-las
Possuí-las, para lhes dar doce prazer

E assim, vivo este casamento com amor
Dominado e envolvido por todas elas
E embora por elas, sou assim monogâmico
Monogâmico neste amor policromático
Cheio de cores, sabores, prazeres em mim
Pois é assim que toco palavras - Com amor.

Amor repleto de cheiros, lembranças simples
Cheio de previsões, de provisões comuns
Comuns a todos nós que sentimos dores
Dores originárias, filhas do bem querer
Me escorrem então, lágrimas e suores
Dor e prazer, prazer na doce dor de escrever

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A cura


Deslizei meu olhar sobre você
E tudo surgiu como pura magia
Os sentimentos mais intensos
As sensações, todas tão ternas

Ali, me olhando e diante de mim
A idealização do pré-sentimento
Doce, meiga, atenciosa e bela
E seu olhar me envolvendo

E eu falando verdades puras
Misturadas a puras vontades
Verdade crua, vontade pura
Pensei com intuitiva mente

Será minha cura?