sábado, 2 de agosto de 2014

O inesperado


Riscou no muro de minha casa com lápis de cera, coisas que não consegui ler
Usando fortes cores, misturadas a desenhos diversos e aparentemente sãos
Deixou os pedaços dos que quebraram empilhados, bem defronte ao portão
Com um cartão cheio de letras grandes e pequenas, todas em azul-marinho

Pela calçada foi fazendo setas que indicavam um longo e extenso vai-e-vem
Aqui e acolá ia desenhando pés e mãos vermelhas sombreados com carvão
As letras grandes e pequenas continuamente permaneciam agora em preto
Já distante, pétalas se misturavam às letras e às setas molhadas por água

Subitamente, um copo e uma carta envelopada que explicava: "copo de lágrimas".
Então o retorno do caminho foi ocupado por elucubrações e hipóteses diversas
Que aos poucos foram se tornando em algo tão estranho quanto o acontecido
De volta ao portão e ao abri-lo, encontro um recado escrito em verde e rosa
"Desculpe-me se lhe aborreci, não era o que queria, perdão, errei o endereço".

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