domingo, 31 de agosto de 2014

A TORMENTA



Ainda em ondas altas, findo o maremoto
A nau continua plena,  em pleno alto mar
Com as marcas deléveis da tal tormenta
Capitão, tripulantes, passageiros e grumetes
Todos respiram alívio do mar assustador
Contam-se baixas, prejuízos, coisas a fazer
As velas novamente içadas enchem-se
Timão e timoneiro ainda tensos e exaustos
Vão progressivamente dando nova direção 
Em pleno mar aberto, no mais alto-mar
Flutuam sobre ondas que tendem a acalmar
Com as âncoras que ficaram em algum lugar
Navegador ou passageiros não sabem onde está
Mas o porto, de acordo com a cartografia
Somada à indicação da boa e velha bússola
Está distante, um outro tanto para chegar
Vamos então navegando sem garantias
Sem certezas de bonança e sem medo algum
Marinheiro experiente, não tem medo de perigos
Fincando os olhos em Deus, vai cortar o alto mar

sábado, 30 de agosto de 2014

Quando a beleza te cutuca pela manhã


Receba a sua manhã crendo em milagres,
Porque basta um momento de alegria e beleza
Para que você saiba que ela existe,
Cultive-a, faça a sua parte com gentileza e cuidado
Não será preciso tê-la ou prendê-la,
A gentileza e a beleza são como belos pássaros, 
Deixe-os livres, voantes e seguros
Espere que eles façam ninhos em tua casa,
Alimente-os e mesmo que não sejam teus,
Sua beleza e seu canto serão.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A expressão d'alma


Dizem os poetas que a poesia é a mais bela de todas as expressões da alma, 
os músicos dizem que é a música, os pintores dizem ser as telas,
as mulheres as mães e os homens os pais, mas aí respondemos,
só resumimos claramente isto em palavras,
logo, é mesmo a poesia.
A alma é arte, a arte é a alma através de nós.

sábado, 23 de agosto de 2014

O desconhecido


E então chega com um sorriso terno
Com mãos leves e bem seguras
O olhar doce, misturado ao sorriso
Sorriso brando, voz segura e suave

Tudo parece um canto harmônico
Em cada canto da sala, do quarto
Lembranças em fotos e recados
E a lágrima escorre mansa na face

Os passos ainda que os mesmos
Trocaram de direção, distância
Então, os sentimentos tão reais
Transformaram-se em saudade

Lembrança é o que restou
Nenhuma má, todas boas
Muitas lembranças boas
Vazio de razões ou motivos

Todas as muitas certezas
A crença que havia tido
E que por momento breve
Tornara-se questionável

Todas elas voltaram em mim
É fato real que não o conheço
Ainda não consegui encontrar
Aquilo que se chama amor

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Ter filho



Ser filho e ter pai, é condição especial.
Ser filho é se sentir protegido e amado
Olhar o dia ensolarado sem se queimar
Olhar a chuva caindo e não se molhar
Ser filho é ir a partir do décimo degrau
Caminhar livremente, mas ser protegido

Ser pai e ter filho. Ah! é algo divinal
É entregar todo tempo com prazer
É entender que temos amor para dar
Que mesmo que tenhamos razão
Podemos abrir mão dela sem dor
Ser pai é um grande prazer inaudito

Ser pai e ter filho é poder compreender melhor a Deus

sábado, 9 de agosto de 2014

A Gratidão - Oração da Manhã


A noite foi nos deixando sem que pudéssemos sentir
Nas horas em que conversando contigo agradecia
Pouco me preocupei com horas, minutos e o luar
Tua luz que tudo irradia, deu vida ao próprio sol
Então as horas passam e no desejo de te ouvir
Não consigo sentir que a manhã vai chegando
Concentro-me no desejo de aprender tua palavra
Através dela ouço tua voz claramente, sem visões

Mas chegou a manhã de um novo dia para viver
E mantenho a mesma certeza noturna de proteção
Sabendo que neste novo dia, virão novas bençãos
E que sejamos nós, bençãos em tuas mãos de amor
Que a vida de nossos semelhantes receba teu amor
Sendo do teu querer, que este amor esteja em nós
Que estando em nós, saibamos repartir alegremente
Assim o dia passará e tua presença, aqui permanecerá

Ah! Se eu fosse marinheiro


Ah! Ah! Se eu fosse marinheiro
Se eu fosse o teu marinheiro
E você fosse todo meu mar
Então, se eu fosse marinheiro
Me poria agora mesmo a nadar
Navegar eu mesmo neste mar
Sem nau, sem nada. iria nadar
Se eu fosse marinheiro no mar
O mar seria todo meu mundo
O mar seria meu próprio lar
Doce, mar de melar, meu mar
Mas eu não sou marinheiro
Nem você é meu doce mar
Então vivo navegando vazio
Daqui, d'acolá vagando navio
Na busca do encontro com a mar

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Uma canção ao amor de Deus - ORAÇÃO MATINAL


Acordo pensando em ti, em tua graça bendita
Em meu coração, reitor das minhas emoções
O sentimento é de certeza de tua presença
Ora aparentemente atuando a certa distância
Em outras, tão próximo, que o posso tocar

É esta a melodia que ouço com entendimento
Pois quando penso em minha trajetória breve
E percebo tua contínua presença e providência
Logo me lembro que és cumpridor de promessas
E então, eu des-canso na jornada do dia-a-dia

Será hoje, com a certeza que tu nos dá sempre
Mais um dia em que Tu me guardarás em amor
Mais um dia em que esperas que eu te entenda
E te entendendo, seja eu, reflexo de teu amor
Estendendo, da mesma forma como Tu fazes
A atenção e disposição para amar ao irmão

sábado, 2 de agosto de 2014

O inesperado


Riscou no muro de minha casa com lápis de cera, coisas que não consegui ler
Usando fortes cores, misturadas a desenhos diversos e aparentemente sãos
Deixou os pedaços dos que quebraram empilhados, bem defronte ao portão
Com um cartão cheio de letras grandes e pequenas, todas em azul-marinho

Pela calçada foi fazendo setas que indicavam um longo e extenso vai-e-vem
Aqui e acolá ia desenhando pés e mãos vermelhas sombreados com carvão
As letras grandes e pequenas continuamente permaneciam agora em preto
Já distante, pétalas se misturavam às letras e às setas molhadas por água

Subitamente, um copo e uma carta envelopada que explicava: "copo de lágrimas".
Então o retorno do caminho foi ocupado por elucubrações e hipóteses diversas
Que aos poucos foram se tornando em algo tão estranho quanto o acontecido
De volta ao portão e ao abri-lo, encontro um recado escrito em verde e rosa
"Desculpe-me se lhe aborreci, não era o que queria, perdão, errei o endereço".

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Falando de amor


Dizer coisas simples, mas com sinceridade
Fazer projetos e sempre com cumplicidade
Nas horas mais críticas manter a bondade
Nos momentos mais difíceis falar a verdade

Ter como exercício diário, boa admiração
Em cada abraço ou beijo, dar com coração
Toda e qualquer ajuda seja sem vacilação
Aceitar ajustes, esperar sem murmuração

Se é assim, certamente valerá a pena investir
É bom que seja recíproco, o oferecer e o pedir
Sempre se lembrar da magia de sentir gratidão
Que seja desejo expontâneo, que haja paixão

Escrever II



Quando tudo me parece ir bem, então escrevo.
Quando me sinto realizado e pleno, estando feliz
Então  escrevo coisas aparentemente tristes,
Mas é só uma falta de atenção de quem lê 
Falta de atenção com as vírgulas e pontos

Porque quando estou pré-ocupado, calo
Calo as palavras, calo as mãos, calo o olhar
E sinto crescer um calo enorme na alma
Que me faz doer o pé dos meus sentimentos
Então não falo, calo sentindo a dor do calo

Mas agora que ando alegre e feliz, então eu falo
Falo e não calo nem as palavras, nem o olhar
Caminhando o hoje que tenho com alegria
Caminhando o hoje que tenho, com alegria
Escrevo, falo, não calo, nem os calos que tenho

Escrever


Hoje morri para ti e vivo só sem você
Só, sozinho, aqui sem você solidão
Cercado de tudo e de todos a sós
Morreu o nós, morreu o dois em um
Morreram as promessas de nós dois

Hoje eu vivo assim, escrevendo versos
Como sempre estive aqui com você
Escrevo a sós, na companhia da solidão
Morreu o dois, somos dois uns e é só
Só me acompanho de lembranças

Agora vá solidão e me deixe aqui a sós
A sós com as coisas que sinto e escrevo
Acompanhado e acompanhando versos
Versos que chamo de meus, eu os escrevo
Versos tão seus, porque permaneço só