sexta-feira, 4 de julho de 2014

Adeus e até já


No meu inverno ainda se encontram as folhas do outono que passou
Da mesma forma em que na primavera, cultivo morango temporão
Sou assim mesmo, lembro e esqueço as coisas que passaram
Escritor e contabilista, é desta forma que sou, poeta e contador

Contando e contabilizando dados, acontecimentos e emoções
Dando valores claros ou confusos a palavras, gestos e olhares
Medindo com o metro do meu mundo o tamanho das coisas
Daquelas coisas que tenho guardado dentro do meu coração

E muito embora meu coração se encontre sempre em reforma
Uma espécie de ampliação, ainda e mesmo que seja assim
Ha moveis que já não se encaixam e não combinam mais
O tamanho ou modelo não me incomodam, é a funcionalidade

Quando o amor não funciona, se é preciso um esforço inatural
Quando os gestos não dizem mais aquilo que já existiu, então ...
Então é preciso reformular, quebrar ou levantar paredes
Abrir ou fechar portas e janelas, arejar, pintar paredes, reformar

Vivo assim em expansão, escritor, contabilista, agora construtor
Dividindo e dividindo-me em velhos esforços novos e solitários
No esforço humano de encontrar uma medida exata de amar
Ao outro e a mim, sem que me sinta violento ou violentado

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