sábado, 28 de junho de 2014

Não tenho tempo para o tempo



Desprezei os múltiplos, perdi os minutos
Desfiz-me das horas, vivo o momento
Crendo o óbvio, vivo seriamente o real
Aquilo que efetivamente tenho em mim
Ofertando a dádiva que chamam vida
A mim e a você que está mais perto

Fui entendendo a alegre condição do hoje
Construindo um novo, não por memória
Sem o desejo coletivo do que chamo outro
Palpei o real, o momento que tenho aqui
E des-coberto que não tenho o amanhã
Nem mesmo o hoje, se dito em horas e minutos

Toquei então em papeis antigos e amarelos
Coisas que hoje eu sou, outras que nunca fui
Certidões e certificados do fugaz, chamado amanhã
Full gás, etereamente concreta ilusão do tudo
Me enxergando nada além do agora em mim
Porque viver para aquilo que não está mais?

Acordei do sonho terrível do tempo, das horas
Descansei no pesadelo nobre do estar aqui
Na certeza sublime de que não existe amanhã
Sorri as lágrimas dos que chegam a vencer
Enxuguei a tola esperança de que vou chegar
Tenho o meu hoje para viver como quiser

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