terça-feira, 15 de abril de 2014

MEU CHÃO


Ando pelo meu próprio chão forrado de letras soltas
Tento não pisa-las, para deixar intacta cada fotografia
Cada notícia minha que não saiu no jornal da manhã

Fico sentado ali, ali parado, olhando aquele velho muro
Que apesar de demolido, figura impiedosamente lá
Me dizendo pode ir, não faço questão, vá de avião

E eu só; me levanto do vazio imenso de verdades sãs
Des-cobrindo todas as mentiras que me fizeram ficar
Me sorrindo, sem graça alguma para sorrir, só rio de mim

Rio um rio de suor e lágrimas, saliva e solidão
Mar de amar, de amargar, de deixar ir e vir
Sem motivos ou com motivos que perdi em mim

Por fim apago a lâmpada e vejo na janela a cor do sol
Naquela lua que a algumas horas atras não estava ali
E depois dela vejo os outros sóis, pequenos e gélidos

Entendo a distância e toda simbologia que ela faz
São sóis pequenos e frios, contempláveis ao olhar
A bela figura que a distância de tudo me traz

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