sábado, 7 de setembro de 2013

A CALMARIA


O porto, o cais, tudo cada vez menor 
À distância, o vento e a vela velam por nós
A nau segura, deriva da junção da força
Força do vento contra a resistência da vela
E embora a vela resista, a nau cede e vai
Vai à direção do imenso mar azul
Azul, vento, vela, distância, solidão
E a vela desaba de dor pelo abandono
O vento que a impelia e que a ele, ela resistia
Cansou de empurrar, cansou de ajudar
E a nau a deriva na calmaria, bonança
E o marinheiro suspende seu olhar
Procura um sinal, uma ave, uma asa
Asa, braço, vela e leme dos pássaros
E ali, tudo parado, não há nada mais
Nem cais, nem porto, nem vento
E a vela parada, silente e caída
Com uma imagem tênue da cruz
Cruz que vela por vós e por nós
E a nau parada no altar, alto mar
Por causa da calmaria, da bonança
Ausência do vento que faz tempestade
E o marinheiro experiente deita, observa
Esperando a extrema bonança passar
E vai passar, quando o vento voltar
E passar por ali, na resistência da vela
E tudo voltar a ter vida, movimento
E o marinheiro levará sua nau
Calma e suavemente ao mais alto mar



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