sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Caminhos - Des-Encontros



Não há o que esconder quando o olhar resiste a uma declaração de amor
Não é possível mentir, se daquele beijo não restou nem uma emoção
Se dos abraços não ficou calor e se das palavras que encantaram eu me esqueci
Nem sei mais se ficou saudade, se ficou lembrança, se ficou vontade em mim de você
Pois quando me olhava no espelho, uma luz me iluminava pensando em te ver
E agora, aqui parado, olhando minha imagem, me vejo e me sinto tão só
Neste caso não são as palavras que falam, são os silêncios que gritam
São as ausências que se encontram presentes, não há ilusão ou sonho são
Tudo ficou para trás no plano relativo de nós dois, cada um para um lado
Nos afastamos dois passos, a cada passo que damos em nossa própria direção.

O ALQUIMISTA


Aprendi a sonhar sozinho, sonhos sem direção
Tornei-me adulto com esperança e sem ilusão
Conheço muitos caminhos de escuridade e clarão
Eu, mergulhador de águas profundas, claras ou não

Sigo então o meu destino, mesmo que seja contra-mão
Quero coisas que não mintam, sou mente, sou coração
Não fujo de problemas, mas minh'alma quer solução
Fiz do meu desejo e minha fala, minha vara de condão

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

VERSO TRISTE


Foi se esvaindo, acabando aos poucos, devagar
Não foi sem aviso, mas também, de que adianta?
As coisas foram acontecendo, desacontecendo
Sons em intervalos de silêncios, solidão e dor
E então nos acostumamos, mesmo sem gostar
No amor o medo de magoar, de ter de dizer
A frieza tornou-se sólida, tudo era compreensão
A compreensão que mata, que não corrige
Agora chega a saudade e eu não sei o que pedir
Que ela peça que você volte mais uma vez
Para, quem sabe? Tentar ou sofrer novamente
Ou que ela lhe diga não volte mais
E nesta hesitação, eu escolho dormir, sonhar
Mesmo sem a garantia de que os sonhos sejam bons

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A FORÇA DO AMOR


Nada pode aplacar esta força
Nada pode impedi-la de chegar
Basta um tom de voz, um olhar
Talvez um simples gesto de ternura
Quem sabe?
Uma flor, um simples olá
Uma bela e doce canção
O fato é que em algum lugar em nós
De forma fácil ou mais complexa
Sem que haja o gen, a pílula, a fórmula
Existe uma porta a se abrir
E então aquela voz chega devagar
Aquele perfume que você nem gostava
Um biotipo diferente do seu desejo
E você encantado diz sim a força do amor.

Subir




Suba com disposição, suba degrau por degrau
Suba sem o esforço que faz cansar antes do tempo
Suba se possível sem parar, com cadência e adiante
Suba apoiando-se no corrimão, faça se for preciso
Suba olhando cada degrau, é melhor não tropeçar
Suba e evite olhar para o topo da escada
Ela é a sua escada, ela tem muitos degraus
Não pense sobre as reservas de energia
Lenta ou rapidamente suba, suba mais um degrau
Saiba que subindo os ratos não resistirão; logo, suba
Suba mais um degrau e olhe para cima, céu super nublado
Trovões e muita água, ameaças e barulho, então suba
Porque lá, depois das nuvens, se encontram as estrelas
A lua, o sol e as constelações para serem desfrutadas
Sem nenhuma sombra ou distorção
Então suba, suba, suba.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Verso para a Gi









E ela lá parada com o olhar girando
Esta buscando alguma coisa com o que brincar
Seu sorriso ainda pequeno denuncia a dúvida
Seu jeito de peralta menina já achou o que fazer
Um, dois, três, quatro passinhos e o sorriso se abre
Pega com jeito o lápis, a boneca, seja lá o que for
E aí vem a imaginação, posso ver no brilho do olhar
Gira ao redor e sorri, mostra pra mãe
Agora o outro lado, fala para o pai
Já está tudo certo, tem a ideia, as ferramentas
Tem também a aprovação, é hora de bagunça
De fazer estripulias, muito riso e animação
Esta é a minha neta e deve ser a de outro alguém
Filha daquela que foi menina e do garoto também
Que mesmo adultos não perdem a beleza
De ver em gestos de crianças, toda graça que tem

A DÚVIDA



Condensado pelos anos de espera e desejo
Sublimado pelo caminho da mesma demora
Tornou-se um dia, uma corredeira caudalosa
Rolando pedregulhos, dando abrigo a peixes
Rompeu-se o silêncio, e como de costume
A palavra fez surgir o que parecia ser nada

O turbilhão da espera, a força da represa
Arrastou árvores, que tombadas, represaram
Criando laguinhos, facilitando plantações
Tudo era bonito, viçoso e pleno de vigor
E aí, veio o estio, diminuíram as chuvas
O condensamento penetrou o solo, voltou

E a medida que as palavras cessavam
Veio a diminuição de gestos e toques de amor
E a mata voltou a ocupar o riacho, agora seco
O lago virou plantação, adubado pelo que caíra
E então, o reinado do silêncio e do segredo
Deixou a dúvida, a sublime pergunta, 
foi amor ou ilusão?





domingo, 18 de agosto de 2013

A DOR



Depois de alguns anos nós nos acostumamos a recebê-la
Já não existe lugar para medos, preocupações ou desesperos
Simples e gentilmente puxamos a cadeira para que ela possa estar
Falamos então de motivos, motivações, razões e tempo das coisas
Já nos encaramos com olhar menos hesitante, não há pressa
Queremos resolver, tornar solúvel o que se tornou concreto

Então, dependendo de muitos fatores
Revolvendo passados, pensando futuro
Vamos descobrindo se será o caso de hospedá-la
Ou se poderemos dispensá-la mais esta vez, 
Só mais esta vez, nem que seja a última e  derradeira
E fechamos o acordo, pagamos o preço se pudermos

Com cordialidade, mas sem um abraço ou beijo algum
Sem sorriso nos lábios, com gratidão fria e sem afeto
Estendemos a mão e selamos com trato suave os dias que virão
E aí, sem palavras, só pensamentos.
Nós seguimos sozinhos ou acompanhados da dor.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Meu sonho



Envolvida no sonho e mistério
Cavalga em círculos ao redor de mim
Sem rosto, seu perfume ilumina
Toda minha sensação de viver

E assim, sem rosto e com calma
Inibiria meus  pensares e olhares
Seu  toque, minha face ilumina
No doce desejo de te ver,  de te ter

A resistência em acordar
É o acordo, o acorde da alma
A ilusão de que haverá forma
Formato de amor e mulher

Mas acordo sem esperança
A não ser a gerada pelo calor
Pelos lençóis amassados
Carregados do mesmo perfume

E uma camisola no chão

sábado, 3 de agosto de 2013

O meu Caminho



Nem sei se quero entender
Tampouco quero explicar
Pois comigo é sempre assim
Os dias passam de repente
Passam com eles a emoção
Em seus sons, aquela canção
Em meus sonhos aquela paixão

Caminho feito de tudo
Pedras, flores e frutos
Ladeiras nos dois sentidos
E que sejam inventadas
Se me for assim divertido
Saindo que é complicado
Sem que haja explicação

Vou mesmo sem saber
Se é noite ou quase manhã
Meu hoje não é ontem
Não é também amanhã
É pedra quebrada
Lapidada ou não
Esta é minha canção