quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

PERDÃO, PERDOAR, PERDOADO




Com certeza não é esquecer, pois não seria saudável, nem é preciso. Você irá lembrar, pois é possível e até mesmo normal que a tristeza ainda exista, certas ofensas marcam e nem sempre a dor que entristece passa e ainda assim você pode ser uma pessoa saudável.

Enfim, o mais simples a pensar é que perdoar é não impor uma pena para que aquela pessoa pague pelo que fez, pois algumas pessoas mesmo depois de dizerem que perdoaram, continuam lembrando, falando, espalhando e com isto entristecendo, cobrando ou prejudicando aquele que ela julga ser o ofensor.

Meça de forma objetiva aquilo que a pessoa lhe fez e veja se será possível perdoar parte ou o todo e então escolha cobrar ou perdoar, sem fingimentos ou demagogia.

Acredite, assim é melhor. É humano e saudável.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Etérea


Ela passa e sorri, seu caminhar é um esplendor
Se debruça e fala baixinho, bem de mansinho
Ela quer saber uma coisa e quer só verdade
Da voltas em torno do tema, olha bem firme
Me dizendo deixa pra lá, vai neste vem
Vem neste vai, me encosta a mão e diz não
Sorridente me diz novamente deixa pra lá, 
Você não quer me entender, vai passar
E eu calado, cabreiro, assustado e gostando
Do jeito, da dança de vais e vens, do sorriso
E ela retoma a fala, diz que eu deveria ter dons
Dom de saber, de entender e adivinhar tudo
Tudo o que ela deseja, tudo  que ela quer
Morde a boca, alonga os braços, me abraça
E secamente me diz: Você tem de saber
Se vira e vai, me deixando com suas mentiras
Com minhas verdades e meus sonhos de amor
E eu parado, catatônico, poetizado por sua cor
Ela se afastando, me deixando ali parado
Na breve parada, gira me apontando a mão
Me chama sem palavras, flexiona o dedinho
Totalmente encantado eu vou

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O COSMO


Na manhã fria em que a chuva caiu
Depois de fortes rajadas de vento
Maria saiu para passear sozinha
Com semblante calmo e sereno
Percorreu a estrada remexida
Observando galhos, folhas e frutos
O chão por eles forrado agradecia
Imaginava semeadura, adubação
E ela respeitando a natural escolha
Escolhia também, ela mesma
O fruto que queria, a flor que lhe agradava
Saciada da fome, adornada a casa
Maria sorriu imaginando o normal
Que semelhantes forças metamórficas
Atendiam à terra, árvores e rios
Tanto quanto atendiam a ela mesma
E em um suspiro sorridente
Entendeu que toda aquela beleza
Que toda aquele passeio feito
Tinha nela mesma parcela de cor
Ela também vendaval, ela flor
Ora nos galhos, ora no chão
Hoje se alimentando, admirando
Amanhã sublime alimentação

domingo, 13 de janeiro de 2013

A FORÇA


Crescer, sonhar, enfrentar fronteiras, destruir barreiras e avançar
Avançar sem temor, com a crença firme de estar no rumo certo
Olhar horizontes, permanecer atento, pássaros no céu, água no chão
Saber sem medo o tanto a aprender, aprender sem medo de errar
Caminhar caminhos que nos façam felizes, transpor fronteiras, caminhar
Enfrentar o que não nos é normal, voar sem asas, pé fincado ao chão
Atravessar rios, submergir profundo, emergir sempre tendo uma razão
A caminhada não tem fim, levo na mão o bastão, passo pra quem seguir
Faço então das coisas antigas relíquia, do que é velho faço reformação
Do lixo, de todo aquele lixo, reciclagem do serve, do que não presta incineração
Crescer, sonhar, enfrentar fronteiras, destruir barreiras, avançar e vencer

O apego





Com a lanterna na mão na estrada clara
Clara procurava enxergar, pois não via
Não era uma questão de luz, luminosidade
Era a cegueira da revelação plena, da clara luz
Apareceu tudo e parecia de uma só vez
Havia se esquecido durante a trajetória
Nos períodos de luminosidade amena
De separar, analisar e escolher
Não fez as escolhas simples, 
Não guardou, nem jogou fora
Ficara com tudo o que não presta
Com aquilo que lhe era útil também 
E agora na luz plena e reveladora
Tinha muito mais coisas a ver, escolher
Dezenas de bobagens que lhe confundiam
E progressivamente as pilhas enfraqueceram 
E ela na luz plena e reveladora, enxergava
Mas míope e astigmática nada via
Coisa alguma distinguia, não pode mais escolher
E então, perplexa, em meio a tudo, sentou-se
E mesmo sem poder nada usar
Ficou com tudo e nada lhe servia

sábado, 12 de janeiro de 2013

A perfeição

Aquele momento re-encontro platônico
Daquilo que no pré-nascer se vê
Vindo de onde não sei, déjà vu
Sentada, pensando de onde eu vinha
E eu enebriado pela beleza pura, sua
Que me era minha, minha quimera

E eu perdido em mundos paralelos
Beleza branca pura, junção perfeita
Cores girando, todas puras
Imaginárias lendas, legendas
E ela ali parada, imóvel, silente
Estranhamente tocável e real

domingo, 6 de janeiro de 2013

A JORNADA



O dia amanhece distanciando-se da noite e parece em vão
Seus sinais, com pássaros, sonidos de carros, movimentos
Seus cheiros diversos, café, hortelã, pão quentinho ou não
Das pre-ocupações, algumas que invadiram a noite
Lhe brotam buscas que sejam soluções, paliativos
Dependendo da complexidade, da urgência, dos senões
E o cheiro do feijão, do ovo, do arroz meio frio na marmita
É solução para a fome do estomago, parada e descanso
Sentado, calado na sombra e fugindo de assombração
Do sol escaldante, no tempo que resta, retorna ao batente
Muitas perguntas,  por vezes, nenhuma resposta que cale
A dúvida, a dívida, o boleto e o cartão, e o cartão marca 13
13 horas, hora de voltar, voltar pro batente que esta esperando
E como por encanto, que vem daquilo que aprendeu, estudou
A resposta para toda a questão do dia, lhe chega suave
Analisa, medita e assertivamente propõe a medida, 
Que na medida certa, toda questão vai sanar, sorriso
Então des-cobre a tarde findando, a jornada no fim
Tarefas cumpridas, do dia comprido que agora acabou
Retira o macacão, esconde na mochila, junto com a marmita
E vai pra casa, sonhando e pensando na moça bonita
Que já lhe deu um bacurizinho, que corre arisco no quintal
Vê a mulher e sapeca-lhe um beijo na boca e responde a pergunta.
"Meu dia foi moleza, difícil foi segurar a saudade, 
a vontade de você de te rever, de te ter". 
Pega a bola e chuta, falando pro guri. Papai chegou, vamos brincar. 
É noite chegando pra se descansar. O dia vem vindo, não pode esperar