terça-feira, 26 de novembro de 2013

A LÁGRIMA - Poema para Regina


Cessaram-se os sons, o sorriso e também a dor
Cessou o olhar, os passos faceiros e a esperança
Cessou o calor da pele, cessou também o desejo
Cessou aquilo lhe movia e que me movia também
Me olhava então com seus doces olhos fechados
Tocando-me na memória viva que tenho em mim
Ainda com tantos cheiros e sensações de amor
Moveu-se ali parada, inerte, para longe de mim
Tão perto a ausência de sua presença, meu vazio
Vazão do amor que me deixando, me acompanha
Desacompanhando-me de corpos presentes aqui

E neste emaranhado de saudade, de lembranças
Tanto se aproxima de mim a dura vontade de rever
Tanto se afasta de mim a esperança de poder sentir
De poder sorrir o sorriso que um dia me envolveu
De querer viver a imagem que eu sempre sentia
Então em meio a doces e dores das lembranças
Um pouco adormecido; desperto da dor do sonho
Do duro sonho de dor, sem que me pareça pesadelo
Acordo com os acordes de "Too Young", e então
Me descubro ainda lá, resistindo às lágrimas
E sem lástima me levanto, envelopando a saudade

domingo, 3 de novembro de 2013

DANÇAR


Dança, que dançar é magia, claro encanto
Baila, tenhas tu alegria ou duro pranto
Gira teu corpo e envolve com teu olhar
Dança por muitos motivos, este é teu canto
Teus pés querem dizer vá, dizendo venha
Teu corpo pode doar luz em plena escuridão
Dança com olhos o que tens no coração
Dança, pois dançar faz bem a alma
Dança, pois com teus passos desfarás dores
Dança em homenagem a vida e a teus amores

sábado, 26 de outubro de 2013

PENSAMENTOS


Busco a todo instante, por todo lugar
Por aquele vazio de pre-ocupações
Faço manobras, me distraio e me traio
Pensando aqui e acolá, sonhando você

Então acordo fazendo acordos e acordes
Com cordas que me levam pelas árvores
Com cordas tênues que me prendem a você
E durmo pensando e sonhando em você

Então sem remédio busco remediar
Se me esquecer, sei que vou lembrar

Se permanecer em mim esta imagem
Se permanecerem todas as lembranças
Sei que vou sorrir, sei que vou chorar
Desejando te ver, querendo te amar

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A VIDRAÇA


Da janela da minha vida vejo a longa estrada
Um fino fio, uma linha vai além do horizonte distante
Pensando na janela, viajo amanhãs fora do vidro
Receio algum, comodidade muita me faz ficar
Mas na janela tão pequena há dor do incômodo
Do estar contido, quase imóvel em meu mundo
Cercado de todos e tudo em meio a grande solidão
Então me afasto dela para ver a imensidão interior
Meu mecanismo de sublimação, de resposta simples
Simples de vão simplismo, sem simplicidade alguma
E a vidraça da sala sem portas, mostra os dois lados
Por dentro uma parte, por fora porto para quem parte
E parte de mim fica e outra ainda está, mesmo querendo ir
E amanhã volto a escrever mesmo que tenha conseguido ficar.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A ESTRADA DO AMOR


No mundo de in-certezas e in-seguranças que criamos
Aprendemos desde bem cedo um prazer por possuir
E à medida que vamos crescendo sem nos desenvolver
Vamos então ficando apertados no sentimento de posse
A exclusividade que requeremos tem em si valor próprio
Cada um, sem forma ou acerto, escolhe para si o que cobrar
E nos des-cobrimos não propriamente no medo de perder
Mas fundamentalmente o grande medo de perder para o outro
E isto, por ser uma forma estranha ao sentimento de amor
Destrói relações, fere formas de afeto, dilacera o coração
E somos surpreendidos pela estranheza no olhar do outro
Daquele que nos admirava e achava encantador o que recebia
Nos encontramos com o lado obscuro e agressivo do medo
Do temor de ter sido comparado, trocado por outro, outra
As palavras de doce sabor se transformam em duro rancor
Acordamos então em meio ao pesadelo do que aprendemos
Que o amor é uma estrada de mão dupla, de reciprocidade
E em meio ao questionamento, pode ser que descubramos
Que entendamos que não é, não é estrada de mão dupla
O amor é estrada de mão única, de um só sentido
Só tem sentido quando todos caminhamos para lá
Na direção de encontrar sem medo, palavras trocadas
Mãos enlaçadas, sorrisos e olhares que nos fortalecem
Corpos suados pelo co-labor dos objetivos comuns
O trabalho e o conjunto de corpos suados pelo amor
Nas formas de casais, de pais e avós e irmãos diversos
Então escolhemos e tratamos bem a quem amamos
De mãos dadas ou não, com beijos ou sem
Vamos sem medo caminhando na mesma direção
Caminhando com todo sentido no mesmo sentido

domingo, 22 de setembro de 2013

POETIZAR


Poemas para que? Se vivo com você
Se sinto tanto assim, você junto de mim
E como falarei das coisas que sonhei?
Se só sonho teu corpo junto ao meu.
Mas tudo bem, eu quero ser romântico
Então faço versos pensando em você
Passo em lugares públicos publicando
Dizendo a cada passo que quero te ver
Minha pressa é minh'alma presa, 
É meu corpo só querendo te ter
Então, mergulho em saudades 
Bebo lembranças, me afogo
Por causa desta saudade 
Que sinto se estou longe
Da vontade que vivo sempre
Que estou perto de você

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

שלום וצדק


Ap 21.1
Amanheceu como se não houvesse passado
Nada do que estava era de novo, maquiado
Disfarçado de hoje ainda que fosse ontem
Tudo era novo, novas cores, novos olhares
Pássaros não temiam, comiam em nossas mãos
Nós não temíamos, compartilhávamos coisas
Desde o pão matinal até o sorriso mais franco
O sol era agradavelmente tempero do calor
E uma brisa suave não era o alívio, era uma cor
E vivemos então de mãos dadas, sem donos
Sem senhores, sem escravos, sem temores ou pesares
E podíamos dormir pela manhã, o trabalho era prazer
Passear noites investigando matas, nomeando vegetais
O sono não era fruto do cansaço, estávamos no descanso
Não nos cansávamos mais, caminhávamos o hoje
Sem projeções preocupadas com o amanhã
E então me deitei sem medo e quando despertei
Amanheceu como se não houvesse passado.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

OS FINS


Levei muito tempo para aprender a finalizar, concluir
Iniciava, desenvolvia e depois, livre, me arrependia
Ficava ali, parado, olhando a demora do início do fim.
Recomeçava, uma, duas, até que acabava sem mim.
E fui desvivendo, construindo para outros terminarem
E fui enxergando e me cansando dessa história sem fim
Até que por fim, meu mundo parou de tanta não conclusão
E conclui que era isto, falta de vontade de ter feito
Descobri que não era o que queria exatamente fazer
E que todo e tanto sofrimento era desnecessário em mim
E então em um piscar de olhos aprendi a findar, terminar
E depois disto, aprendi a concluir, chegar ao fim

O SILÊNCIO


Sou assim, por vezes represa, por vezes vazão
Sou caminho de curvas, claridade, escuridão
Sou calmo, sereno como tempestade de verão
Sou água correndo, águia voando atrás do avião
Sou assim, as vezes sou frio em outras paixão
Sou terra seca, suada de chuva, eu sou pé no chão
Sou sincero, se palavras machucam, peço perdão
Sendo assim, meu ninho é vazio de imensidão
Nas noites de frio, me descubro acordado
Sou só solidão

domingo, 8 de setembro de 2013

Poema para Marcos e Lena



Existem encontros que proíbem palavras exatas
Nascem e não sabemos de que mundo paralelo vem
Sente-se que é d'além, além mares, além tempos
Nas discórdias concorda-se por compreensão
Aceita-se o fato de que temos verdades hetérias
Etárias e transitórias, perdoa-se sem saber
Porque não há concentração na ofensa, na dor
São relações dominadas por admiração e amor
Nos des-cobrimos então sempre juntos, próximos
Mesmo a milhar, milhares de quilômetros distantes
E o encontro, mesmo que não físico, é constante
Uma soma de fatores, de doares de bondades
Que chamamos amor e amizade

sábado, 7 de setembro de 2013

A CALMARIA


O porto, o cais, tudo cada vez menor 
À distância, o vento e a vela velam por nós
A nau segura, deriva da junção da força
Força do vento contra a resistência da vela
E embora a vela resista, a nau cede e vai
Vai à direção do imenso mar azul
Azul, vento, vela, distância, solidão
E a vela desaba de dor pelo abandono
O vento que a impelia e que a ele, ela resistia
Cansou de empurrar, cansou de ajudar
E a nau a deriva na calmaria, bonança
E o marinheiro suspende seu olhar
Procura um sinal, uma ave, uma asa
Asa, braço, vela e leme dos pássaros
E ali, tudo parado, não há nada mais
Nem cais, nem porto, nem vento
E a vela parada, silente e caída
Com uma imagem tênue da cruz
Cruz que vela por vós e por nós
E a nau parada no altar, alto mar
Por causa da calmaria, da bonança
Ausência do vento que faz tempestade
E o marinheiro experiente deita, observa
Esperando a extrema bonança passar
E vai passar, quando o vento voltar
E passar por ali, na resistência da vela
E tudo voltar a ter vida, movimento
E o marinheiro levará sua nau
Calma e suavemente ao mais alto mar



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Poema do Malandro Ferido ( Obrigado Morro do Salgueiro )

Vou dizer pra você, não vai ser mole não
É cena de fogo cruzado, de tiros trocados
De bala perdida, zunindo pertinho do teu coração
Foi você que escolheu, desenhou teu caminho
E agora me volta falando mansinho, pisando fininho
Dizendo benzinho volta pra mim, sei não
Dá um tempo querida, estou aberto pra vida
Esqueci de dizer que uso colete pro meu coração
Se você quer, tudo bem, faz tua parte também
E não pensa que é promessa que faço
É meu jeito de ser, uma espécie de laço
Escondido no meio das folhas caídas ao chão, 
Tensionado, bem preso no topo da árvore, 
Esperando a tua pisada, cuidado com teu coração

NOSTALGIA ( Poema para Dinael )


Vivo lembrando da manga rosa
Da barreira que subíamos a brincar
Tenho na minha memória e sem imagem
A figura terna que nos fazia o sanduíche
Para depois da pelada, que se chamava futebol

Lembro da goiabeira e da goiaba branca
Das cigarras, que no pé de abacate, abacateiro
Cantavam nossos dezembros de sol e alegria
Era uma vida cheia de tios e tias, primos, primas e irmãos

Hoje me lembro com saudade e sem vontade de voltar
Dos sábados ensolarados, a brisa, o vento, o mar
Brinquei muito, sofri muito, amei de muitas formas
Lá, no passado, ficaram boas e más lembranças
Flores, frutos, pétalas, espinhos e sementes no chão

Existe em mim, algumas vezes, a dificuldade de visualisar
Lembrar semblantes e olhares, detalhes que se perderam
Que vão se esvaindo com os anos e não posso conter
Trago então estas memórias que tenho na mente e coração
E espiro a fumaça clara da saudade, cheia de gratidão

Vivi, vivo e viverei alegrias e tristezas puras e ternas
Marcadas por este tempo que já se foi.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SINS E NÃOS




Me acostumei com nãos e com sins
Não me agradam e não me convencem
O que busco é compreensão, solução
Me acostumei com idas e vindas diversas
Com muitas brinquei, com outras chorei
De algumas fiz enterro, de outras ressurreição
Me acostumei com pétalas e espinhos
Tenho a mão ferida de tocar-me, sentir-me
Arranquei pétalas que joguei ao chão
Tapetes para heróis que pareciam vilões
E vou crescendo, me des-envolvendo
Daquilo que me impede o crescimento
Des-fazendo enganos e des-enganos
Sufocado, sufocando, sorrindo, chorando
Vou caminhando sem correr ou parar
Sem medos de versos, de sins ou de nãos
Com idas e vindas, sem crenças em ilusões
Faço verso de tudo, troco o sim pelo não.

POEMA PARA LÉO VEIGA


Amanheci na noite escura de minhas lembranças
Na manhã das minhas perdas
No anoitecer de qualquer esperança
Pus-me então a nadar para fora da praia
Na direção do mar, do oceano
E lá mergulhei em meus pesadelos
E vi Atlântida submersa, erigida em pleno mar
Nesta divisão de dimensões e concepções
Onde triunfo e fracasso se confundem
Não propriamente por dúvidas quaisquer,
Mas pelo simples fato de ignorar, desconhecer.
E por esta ignorância, pensei voltar,
Mas me lembrei de insistir, mais uma vez tentar
E do pretérito mais que perfeito lembrara de não insistir, 
Nada de insistir em sofrimento desnecessário, só tentar
Pensando novamente naquilo que realmente buscava
Me enxerguei com a facilidade dos peixes
Sem pensar, sem hesitar, resolvi nadar
Mesmo sem ser peixe e sem nada procurar.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Caminhos - Des-Encontros



Não há o que esconder quando o olhar resiste a uma declaração de amor
Não é possível mentir, se daquele beijo não restou nem uma emoção
Se dos abraços não ficou calor e se das palavras que encantaram eu me esqueci
Nem sei mais se ficou saudade, se ficou lembrança, se ficou vontade em mim de você
Pois quando me olhava no espelho, uma luz me iluminava pensando em te ver
E agora, aqui parado, olhando minha imagem, me vejo e me sinto tão só
Neste caso não são as palavras que falam, são os silêncios que gritam
São as ausências que se encontram presentes, não há ilusão ou sonho são
Tudo ficou para trás no plano relativo de nós dois, cada um para um lado
Nos afastamos dois passos, a cada passo que damos em nossa própria direção.

O ALQUIMISTA


Aprendi a sonhar sozinho, sonhos sem direção
Tornei-me adulto com esperança e sem ilusão
Conheço muitos caminhos de escuridade e clarão
Eu, mergulhador de águas profundas, claras ou não

Sigo então o meu destino, mesmo que seja contra-mão
Quero coisas que não mintam, sou mente, sou coração
Não fujo de problemas, mas minh'alma quer solução
Fiz do meu desejo e minha fala, minha vara de condão

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

VERSO TRISTE


Foi se esvaindo, acabando aos poucos, devagar
Não foi sem aviso, mas também, de que adianta?
As coisas foram acontecendo, desacontecendo
Sons em intervalos de silêncios, solidão e dor
E então nos acostumamos, mesmo sem gostar
No amor o medo de magoar, de ter de dizer
A frieza tornou-se sólida, tudo era compreensão
A compreensão que mata, que não corrige
Agora chega a saudade e eu não sei o que pedir
Que ela peça que você volte mais uma vez
Para, quem sabe? Tentar ou sofrer novamente
Ou que ela lhe diga não volte mais
E nesta hesitação, eu escolho dormir, sonhar
Mesmo sem a garantia de que os sonhos sejam bons

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A FORÇA DO AMOR


Nada pode aplacar esta força
Nada pode impedi-la de chegar
Basta um tom de voz, um olhar
Talvez um simples gesto de ternura
Quem sabe?
Uma flor, um simples olá
Uma bela e doce canção
O fato é que em algum lugar em nós
De forma fácil ou mais complexa
Sem que haja o gen, a pílula, a fórmula
Existe uma porta a se abrir
E então aquela voz chega devagar
Aquele perfume que você nem gostava
Um biotipo diferente do seu desejo
E você encantado diz sim a força do amor.

Subir




Suba com disposição, suba degrau por degrau
Suba sem o esforço que faz cansar antes do tempo
Suba se possível sem parar, com cadência e adiante
Suba apoiando-se no corrimão, faça se for preciso
Suba olhando cada degrau, é melhor não tropeçar
Suba e evite olhar para o topo da escada
Ela é a sua escada, ela tem muitos degraus
Não pense sobre as reservas de energia
Lenta ou rapidamente suba, suba mais um degrau
Saiba que subindo os ratos não resistirão; logo, suba
Suba mais um degrau e olhe para cima, céu super nublado
Trovões e muita água, ameaças e barulho, então suba
Porque lá, depois das nuvens, se encontram as estrelas
A lua, o sol e as constelações para serem desfrutadas
Sem nenhuma sombra ou distorção
Então suba, suba, suba.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Verso para a Gi









E ela lá parada com o olhar girando
Esta buscando alguma coisa com o que brincar
Seu sorriso ainda pequeno denuncia a dúvida
Seu jeito de peralta menina já achou o que fazer
Um, dois, três, quatro passinhos e o sorriso se abre
Pega com jeito o lápis, a boneca, seja lá o que for
E aí vem a imaginação, posso ver no brilho do olhar
Gira ao redor e sorri, mostra pra mãe
Agora o outro lado, fala para o pai
Já está tudo certo, tem a ideia, as ferramentas
Tem também a aprovação, é hora de bagunça
De fazer estripulias, muito riso e animação
Esta é a minha neta e deve ser a de outro alguém
Filha daquela que foi menina e do garoto também
Que mesmo adultos não perdem a beleza
De ver em gestos de crianças, toda graça que tem

A DÚVIDA



Condensado pelos anos de espera e desejo
Sublimado pelo caminho da mesma demora
Tornou-se um dia, uma corredeira caudalosa
Rolando pedregulhos, dando abrigo a peixes
Rompeu-se o silêncio, e como de costume
A palavra fez surgir o que parecia ser nada

O turbilhão da espera, a força da represa
Arrastou árvores, que tombadas, represaram
Criando laguinhos, facilitando plantações
Tudo era bonito, viçoso e pleno de vigor
E aí, veio o estio, diminuíram as chuvas
O condensamento penetrou o solo, voltou

E a medida que as palavras cessavam
Veio a diminuição de gestos e toques de amor
E a mata voltou a ocupar o riacho, agora seco
O lago virou plantação, adubado pelo que caíra
E então, o reinado do silêncio e do segredo
Deixou a dúvida, a sublime pergunta, 
foi amor ou ilusão?





domingo, 18 de agosto de 2013

A DOR



Depois de alguns anos nós nos acostumamos a recebê-la
Já não existe lugar para medos, preocupações ou desesperos
Simples e gentilmente puxamos a cadeira para que ela possa estar
Falamos então de motivos, motivações, razões e tempo das coisas
Já nos encaramos com olhar menos hesitante, não há pressa
Queremos resolver, tornar solúvel o que se tornou concreto

Então, dependendo de muitos fatores
Revolvendo passados, pensando futuro
Vamos descobrindo se será o caso de hospedá-la
Ou se poderemos dispensá-la mais esta vez, 
Só mais esta vez, nem que seja a última e  derradeira
E fechamos o acordo, pagamos o preço se pudermos

Com cordialidade, mas sem um abraço ou beijo algum
Sem sorriso nos lábios, com gratidão fria e sem afeto
Estendemos a mão e selamos com trato suave os dias que virão
E aí, sem palavras, só pensamentos.
Nós seguimos sozinhos ou acompanhados da dor.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Meu sonho



Envolvida no sonho e mistério
Cavalga em círculos ao redor de mim
Sem rosto, seu perfume ilumina
Toda minha sensação de viver

E assim, sem rosto e com calma
Inibiria meus  pensares e olhares
Seu  toque, minha face ilumina
No doce desejo de te ver,  de te ter

A resistência em acordar
É o acordo, o acorde da alma
A ilusão de que haverá forma
Formato de amor e mulher

Mas acordo sem esperança
A não ser a gerada pelo calor
Pelos lençóis amassados
Carregados do mesmo perfume

E uma camisola no chão

sábado, 3 de agosto de 2013

O meu Caminho



Nem sei se quero entender
Tampouco quero explicar
Pois comigo é sempre assim
Os dias passam de repente
Passam com eles a emoção
Em seus sons, aquela canção
Em meus sonhos aquela paixão

Caminho feito de tudo
Pedras, flores e frutos
Ladeiras nos dois sentidos
E que sejam inventadas
Se me for assim divertido
Saindo que é complicado
Sem que haja explicação

Vou mesmo sem saber
Se é noite ou quase manhã
Meu hoje não é ontem
Não é também amanhã
É pedra quebrada
Lapidada ou não
Esta é minha canção

sábado, 4 de maio de 2013

CAMINHAR



O amor está em nós, remediavelmente se for analisado nas doses que nos trazem dores por causa de afastamentos e perdas e dispensando remédios quando ele mesmo é a dose de saúde que nos traz felicidade.
E aí, des-cobrimos que aquele sapato que nos cabia tão bem, laceou ou encolheu com alguma umidade e que feridas e calos serão possíveis. São crescimentos e des-envolvimentos necessários e indispensáveis, são as novas trilhas que pedem outro tipo e formato de calçado, são os pés calejados que ora suportam agruras ou os joanetes que nos impedem a suave alparca.
É a vida, são os dias que nos convidam a caminhar a cada etapa um novo calçado ou novas sensações nas velhas sandálias. 
Não tem jeito? Pelo contrário, sempre haverá um jeito de seguir adiante.

domingo, 14 de abril de 2013

TRIBUTO AO VERDADEIRO AMOR


Saímos tarde do lugar sereno do conforto
Entendendo tão pouco da dor e sofrimento
Acordamos em um mundo fora das palavras
Dentro de emoções fortes e desconhecidas
Descobrimos então as cores do sangue da veia
O gosto das lágrimas que rolam desordenadas
Nascidas de frustrações e desesperos reais
Então nos encontramos no mundo sofrido
Entendendo que nossas lágrimas doces
Sempre enxugadas e consoladas por alguém
Eram disfarces de uma dor inexistente e nula
E ao sentir a ineficácia das morfinas em palavras
Des-esperamos em fuga do que nos fará crescer
No desejo insano de se manter menino sem dor
Então aquele mundo de fantasia, agora maculado
Não nos aceita mais e nós igualmente o desprezamos
Descoberta a verdade vivencial da escolha e da dor
Assumidas as responsabilidades de haver dado o passo
Que nos levou para fora do mundinho em que guardados
Julgávamos viver uma plenitude de compreensão das coisas
E então, a fórceps, nos descobrimos com marcas que ficam
Formações e deformações da força dos aparelhos em nós
Agora irremediavelmente nascidos para um mundo adulto
Lugar onde se misturam e se confundem prazer e dor

domingo, 7 de abril de 2013

A lágrima



A noite presente, trazendo à memória ausências

Construindo saudades e vontades de voltar 

E por um momento terno e brando

Escorre a lágrima que sai do coração de quem ama de longe.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A VERDADE


Se eu soubesse aquilo que me perguntas
Com certeza te diria aquilo que penso
Porque certamente seria só impressão
Aquilo que alguns chamam de verdade
E os mais sábios sabem ser opinião

Mas é mais do que falta de certeza
E tenho prestado a você toda atenção
O difícil é porque falas de muitos dias
Queres promessas e juras de amor
E tenho hoje a certeza que sou teu

É por isso que lhe digo três palavras
"Hoje sou teu" e se isto não te basta
Preciso lembra-la do valor que tem
Porque é uma bela e pura verdade
Vou te falar, é uma confissão de amor

TORNAR-SE PESSOA


Estava ali parado vendo as folhas passarem
A desordem não era só de tempo ou fases
Misturavam-se as pessoas que estiveram lá 
As que gostaria que estivem também na foto
Algumas que dispensaria de todas as cenas
A particular lente dos dias me mostrou tons e cores
Fotos desbotadas na história, mas vívidas na memória
E hora eu lembrava alguém que está longe de mim
E em outras me sentia longe de quem esta perto
E o caleidoscópio estranhamente girava
Trocando, incluindo e extra-ordinariamente
Sobrepondo e substituindo peças claras e foscas
Tudo me passando na mente e eu chocando e chocado
Calado, parado, pensando presente, ao lado o passado
O presente, nem me era o presente ou o passado
O presente eu mesmo me dava estando ali
Repensando, repassando, presenças e ausências
Telas que foram escritas, melodias pintadas
Fusos horários, confusas memórias sem marcas
Me marcando a memória, em memória do que vivi
E viajando no tempo, pensando e passeando
Passando o presente passado, pretérito imperfeito
Quem sabe mais do que imperfeito, sei que fui
Sinto claramente que sou e serei feliz.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O DESENHO DOS DIAS


Deixar que os anos nos desenhem
Com seus dias, meses, anos e ventos
Com amores e desamores que nos deu
Fazendo retoques finais na face
Com seus diversos tons de branco
Com iniciais suaves riscas na pele
Com suas aparentes vitórias e derrotas
Que por fim descobrimos ser a vida
Trazendo-nos cores vibrantes e fortes
Cobertas pelo suave pincel do tempo
Trazendo mansamente seus tons pasteis

E então, descobrimos prazeres maiores
Palavras mais dosadas, claras e precisas
Que declaram não só aquilo que somos
Mas também o que deixamos de ser
Em mansas cores de frustração ou triunfo
Que fundidas se fizeram sabedoria
E então, estes anos fazem de simples pingos
Lágrimas sinceras de profunda dor ou sorriso
Todas elas com valor descomunal
Pois nos ensinaram as crianças e jovens
Os adultos e velhos como nós

domingo, 17 de fevereiro de 2013

LEMBRE-SE


Lembrar é uma questão de sabedoria, 
Porque é preciso saber o que lembrar
Pois da forma correta não vai sofrer sem razão. 
Não faz muito bem a nossa alma 
Lembrar coisas perdidas que nos trazem rancor, 
Já nos faz tão bem lembrar coisas que mesmo perdidas 
Enternecem nosso momento e nos ajudam a caminhar.
Não é muito bom lembrar que a conta vai vencer 
Se não vou ter dinheiro para pagar
Mas é bom lembrar antes da compra se eu tenho saldo 
Assim, posso comprar e não sofrer
Mas já que comprou e não tem a grana para pagar, 
Bom é lembrar de pegar o telefone e avisar que vai atrasar.
Não é bom lembrar-se dos dias passados 
Pensando que eles eram melhores do que o hoje, 
Pois os dias passados construíram o hoje que vivemos, 
Mas é bom lembrar-se de fazer hoje o bem, 
Porque irá refletir na vida dos que virão 
E eu ainda posso estar por lá.

CARIOCA NATIVO



Coisa nativa ativa em mim
Faz-me sentir saudade de mar
Coisa ativa cativa em mim
Faz-me sentir vontade
Sem querer ou ter medo de voltar
Tenho vontades
E fico a vontade em sabê-las
Tenho medos, sem o medo
De dizer que os tenho
Tenho coisas ativas
Nativas, cativas
Tenho saudades em mim