quinta-feira, 31 de maio de 2012

O RECOMEÇO

O fim de uma fase deve trazer lições
Deve fazer um acréscimo de saber
Sem fingimentos e omissões, mudar
Mudando as atitudes, pensar novo
Enxergar, desbravar novos horizontes
Então não haverão repetidos erros
Nem dores repetidas, conhecidas
Então no novo, o desconhecido
Alguma apreensão pelo que virá
Mas também esperança no amanhã
Deixar para traz mágoas e lágrimas
Esquecer tristezas tolas e banais 
E acordar novo de forma nova
Para novamente tentar, viver e sonhar.

domingo, 27 de maio de 2012

NECESSIDADES

Sem nada, nem eira, nem beira
Desci a ladeira e bati, fiquei ali
Olhando, sentindo aquela dor
Pensando em tudo aquilo
A velocidade, as curvas
Nos amortecedores vencidos
O freio fraco, pouco eficaz
Parecendo carro de rolimã
No paralelepípedo duro
Em um dia de chuva
Não foi pouca prudência
Nem imperícia ou negligência
Não havia culpa, nem culpados
Foi só a escolha do dia
A opção pelo veículo
A forma de se dirigir
Falta de preocupações
Queria descer e desci
Depois de algum tempo
Levantei-me e sorri
Algumas quebraduras
Dor aqui, dor ali, acolá
Mas tudo bem agora
O tiroteio comia solto
Era fogo cruzado e eu ali
Era hora descer, eu desci.

SOU SER

Sou um fragmento do todo
Um todo em fragmentos
Se olho em volta? Pluralidade, imensidão
Se me analiso? Diversidade e multidão
Sou micro, sou macro, cosmo e partícula
Presença e ausência, companhia e solidão
Imagino e crio, crio ou imagino que crio
Desejo e rejeito, peço e nego que peço
Também não nego que peço, mas nego o que peço
Integral sem ser integro. Integro, mas parcial
E caminho o caminho
Que por vezes é meu caminho
Por outras o próprio caminho
Caminho com outros e caminho só

FACES FACETADAS


Água
Rios, mares, lagoas, represas, lágrima e suor
Água
Respingada pelo carro da rua que passa e me suja
Água
Do banho quentinho, me limpa e acalanta
Água
Que esfria o ovo cozido, quente demais
Água
Usada em concreto dá a têmpera
Água
Caída do céu arrastando, arrasando
Molhando o campo, irrigando, causando erosão
Água
Eu, você, nós, cães e aves
Água
Caleidoscópio

VIDAS


Os rios que correm limpos 
De imagens claras
A luz do quarto acesa
Fluindo um rio represa
Que sem pressa escoa
Inundando a cama, o chão
Derramando, derramado
Declaradas paixões
Que inunda de toda cor
O cinza da manhã sem dor
Absorvida pela noite
Que também foi absorvida
Pela força e beleza deste amor

Vida a dois


A tua presença  um verso
Reverso do regresso
Inverso do adeus
A tua vontade em parte
Parte a minha sem adeus
Inteira mesmo partida
No teu inverso o verso
Vidas sem adeus
E não se perde nada
Mesmo que escorregue
Ainda que caia da cama
Ou mesmo da mesa
A tua presença alcança

GOSTAR-SE



Estar sozinho não aumenta a busca
Se o que se busca não é 
Nem está em outra pessoa
Ficar sozinho não traz a dor da solidão
Porque solidão não precisa ter dor
Solidão pode e deve ser tão bom
Viver a busca de encontrar as vezes cansa
Se o que se busca estiver em outro lugar
Vivo então a solidão sem me importar
Sem buscá-la, desejá-la ou rejeitá-la
Não é boa, nem má. 
Gosto de mim.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Xadrez


Peças do tabuleiro que caiu
Do jogo anotado de xadrez
Espalhadas pelo chão de terra
Recolhidas na pressa calma
Confiada pelo toque no relógio
Escritas em lances e tempos

A mera impressão de controle
De recomeço certo do jogo
Do ponto em que parou e caiu
Discussão e análise dos lances
A tola certeza de continuidade
Pelo registro de tudo que foi

E quando se levanta, se olha em volta
Vê-se de forma simples, triste e veraz 
A cena da cadeira vazia, deixada para traz
Revelando que a companhia, que foi feita adversária
Derrubou o tabuleiro, se levantou e foi embora
Deixando anotado o jogo que acabou

SENTIMENTOS


Existe uma força estranha que vez em quando me visita, invade e seduz
Ela me fala de uma forma de formas chamadas de amor e paixão
Em um estranho misto de sentimentos de dependência e alguma dor
Confesso que resisto, não quero me entregar a sentimentos e momentos
Que de uma forma tão forte me pressionam e convidam a pensar você
Porque uma soma de fatores e dores que se vestiram com jeito de amor
Fazem minha cabeça parar de pensar em ir adiante e me convidam a ficar
Fico então nesta luta que só por si me segura, quase me obrigando a voltar
Então sublimo ouvindo músicas, lendo e escrevendo versos que os substituem
Ficam no lugar de sonhos e desejos do amor desenhado com lápis de cera
Aqueço as mãos e  esfrego os riscos dando luz, sombra e outra dimensão
Fazendo com que as coisas certinhas, chamadas de perfeitas, mas irreais
Se tornem ao mesmo tempo a rosa, a gota que cai, a folha rasgada
O dedo furado no espinho, o olhar brilhante e o sangue no chão

domingo, 20 de maio de 2012

TIJUCA


Acordo cedo e lágrimas rolam no meu rosto
Tenho saudade de você meu Rio de Janeiro
Saudade de meu pai, meus irmãos e amigos
Vontade de ter os pés na areia daquela praia
Olhar voltado para a serra que dela me separa
Verde que me separa da Barra, Recreio e Pontal
Este olhar brilhante não sai de mim, é minha alma
Teus tuneis que me levam a Lagoa, Ipanema
As lembranças das crianças brincando na praça
Das morenas de andar gingado e loiras faceiras
Coisas que me despertavam toda forma de amor
Tijuca minha alegria, a tua lembrança minha paixão 

sábado, 19 de maio de 2012

MUDANÇAS


Andei em versos de inversos sentimentos
A lua que não brilha, tem o brilho do sol
O mar que se agita, agiganta-se é terno
Os sentimentos diversos de justiça
De uma esperança a ser conquistada
Porque esperança não é só esperar
Esperança na luta, no caminho de chão
A terra batida, o asfalto, o Jegue, o avião
Todos juntos sendo uteis ao caminhar
Indo ao encontro da conquista árdua
Da trajetória sempre sana e louvável
De mais e novas conquistas sociais

TUDO

A sombra daquela árvore que abriga pássaros
A estrada de galhos e folhas secas outonais 
As cores em tom pastel de suaves contrastes
A água que corre no riacho fecundando flores
A alegria da menina que brinca entre os animais
Cada coisa ou detalhe, calor, frio, sol ou luar
Tudo é dádiva é dom que nos é dado
Mas devo dizer da gratidão pela perda que ensina
Por aquela dor que alerta algo que precisa mudar
Pelas chuvas que transbordaram rios e ruas
A terra firme que tremeu e me mostrou a fragilidade
A segurança de na insegurança contar com Deus
Existe em tudo uma verdade, uma vontade
É isto que me dá vontade de você

domingo, 13 de maio de 2012

DIA DAS MÃES

Hoje não quero saber de razões que ferem o projeto divino
Hoje vou esquecer as más notícias dos jornais
Hoje vou me concentrar na ternura recebida
Em verdades que recolhi em minha família
Nas verdades reveladas por esta forma de amor descomunal
Hoje quero agradecer a Deus pelo seu plano 
Ou quem sabe à mera evolução dos sentimentos sublimes
Hoje sou grato por ter tido uma mãe e tantas outras mães
Mães que me amaram com ternura semelhante 
Mães que tornam este mundo menos mau

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O DIA

Escolhi mergulhar em tuas águas
Naufragar a nau, ir a nado
Sorvendo teus mares e rios
Escolhi o cansaço, o suor
Que se mistura a tudo
Transformando e transformado
Em busca de terras tuas
Minhas também, pois desbravo
Mansamente o que permites
Sem desejo de invadir, tomar
Tampouco possuir
Só viver em ti e em paz

terça-feira, 1 de maio de 2012

A AMIZADE


Acordei meu último dia
Eu mesmo o despertei
Com respeito e sem medo
Um ao encontro do outro
Em trajeto plano e reto
Como é meu viver
E o dele, o é também
Tristezas sem mágoas
Alegria sem tolice
Ternura de tom triste
Raiva de injustiça social
Acordei meu último dia
Eu mesmo o despertei
Ouvi dizer sem interrogação
Posso dormir mais um pouco
Sorrimos o desnecessário
Continuando o caminho
Lado a lado, sem mãos dadas
Na jornada crua e nua
Com dia exato de chegar