domingo, 22 de abril de 2012

O Afortunado

Tenho o frio ríspido da manhã
O calor lancinante do meio dia
O doce azedo da limonada
O amargo que cura do boldo
Tenho amigos e desafetos
Salários e dívidas em cifrões
Tenho o vigor mantido e perdido
Alegria da vitória e tristeza da derrota
Tenho sono e insônia, fome e nojo
Tenho tudo

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A DISCUSSÃO


Imensa nuvem formada sobre a cidade
Anuncio escuro de clara tempestade
Sons reluzentes antecedem trovões
O barulho do desequilíbrio bêbado
Tudo move-se ao vento ardente
Árvores, pássaros, roupas no varal
O granizo límpido, rápido e reluzente
Com seus tambores suaves e estridentes
Deixando telhados e pisos molhados
Na expressão singela de um tempo
Tempo curto de mudanças rápidas
De tensões, desequilíbrios térmicos
Forças contrárias, conflitantes, desiguais
Depois a chuva fina, o vento brando
Um azul que parece acalmar as palavras
Olhares perplexos enxergam o caos
A raiva, a desesperadora lembrança
De haver dito, verdades e mentiras
Todas ferinas, ferindo, matando
E quando um som de bonança
Suave, em tons de desculpas
Parece chegar, o olhar perplexo
Descobre toda ausência de nexo
Do quadro arrasador e triste
Que a ardente discussão consumou

VOCÊ

A lua branda no negro azul do céu
Panos espalhados no chão molhado
E a música deslizando em teu corpo
A porta entre-abre em som de Blues
Estranha imagem, de novo você
Que saiu da minha vida, sem ter ido
Toca o telefone, atendo e falo alô
E a  voz que responde é você
A noite da lua branda acaba
E o céu de azul brilhante
Me acorda em luz clara
Me viro na cama
E encontro você

SÍNTESE SOCIAL


A manhã seca de céu azul anil caiu vermelha ao entardecer
As nuvens que surgiram, quem sabe de onde veio?
Quem sabe dali mesmo, do lugar do calor seco
Aparentemente vencendo, secando o molhado
Esturricando o pasto, fendendo o serrado
A noite derramou frio, o frio precipitou água
Que estava subindo na aparente derrota
De uma luta temporal e desigual
Desceu desta forma, verdadeiro temporal
Limpando, varrendo, espalhando o sujo
Secando o pó em água, demonstrando força
Desordem da desordem
Nova ordem cósmica
Nova ordem social

domingo, 1 de abril de 2012

As tuas promessas


Deus! Estou aqui só pra dizer
Que suas promessas me alegram
Senhor, a tua promessa me alegra
A promessa do teu grande amor
Espero todos os dias, a cada manhã
Respostas para simples dilemas
Em meio a tudo eu vejo a tua promessa
Andando nas ruas, envolto em problemas
As tuas promessas me alegram
Eu deito e fico pensando em mim
Se as preocupações aumentam 
Pensando em amigos sofrendo
Em um mundo tremendo
Então eu vou além de mim
E vejo nas tuas promessas de amor
Soluções da tua doce presença 
Na tua companhia, no silêncio
Eu durmo em paz nas tuas promessas.