segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O verdadeiro amor.

Os braços que outrora incansáveis
Mantinham ao colo o ninar os filhos
Hoje acena pedindo auxílio
Para que se possa levantar

As pernas que andarilhavam
Em trabalhos e passeios
Hoje, trêmulas bambeiam
Em um simples caminhar

A visão aguçada da leitura
Ouvir o mexer suave na cama
Do bebê no quarto ao lado
Agora está substituído por um:
"Não ouvi bem meu filho".

Marcas dos anos passando
Do vigor se extinguindo
De possibilidades diminuídas
De movimentos diminuídos

Mas em um só reparar
De forma mais atenta
Lá está aperfeiçoado
O mesmo brilho no olhar

Quando no tocar as mãos
Entrelaçam os dedos
A mesma ternura
Agora quase eterna
Encaixe suave e perfeito

Já não é mais preciso o ouvir
A visão para ver o semblante
Foi dispensada também
Em tudo se conhecem pelo silêncio
Pela transpiração suave
Pelo respirar tranquilo
Destes muitos anos de amor

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