segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ab - SURDOS


CAPITULO 4





À tardinha enquanto Beth e eu conversávamos, Antonia chegou com seu jeitinho faceiro e sempre elegante, pediu licença, nos cumprimentou, sentou-se e disse sorrindo: “o estressado me ligou cobrando o fato de eu não haver te dito que ele havia viajado para o Maranhão”, simplesmente sorri, ela continuou: “de fato ele havia me pedido para que eu te dissesse que ele teve de sair as pressas, mas que precisava falar com você”, Beth interrompe com uma pergunta em tom de brincadeira: "como você consegue viver com Carlos?". Rimos e continuamos a conversa.

Mais alguns minutos e Antônia olhou para Beth e lhe perguntou: “Amanhã você pode me acompanhar quando for ao médico?” Beth imediatamente lhe disse: “A que horas?” Antônia retornou: “as dez, mas não se preocupe”. Beth foi incisiva: “Vou desmarcar um compromisso que tenho e passo no teu apartamento as 9h30m”.

Com esta breve conversa Antônia levantou-se e olhando para nós dois disse-nos: amo vocês. O diálogo entre Beth e Antônia retratou com exatidão, não só o caráter da amizade que elas cultivam há bem mais de 20 anos, tanto quanto a preocupação de Beth com Antônia.

Enquanto Antonia caminhava, Beth me olhou com um semblante carregado, com a cabeça pendida para a direita e a boca um pouco retorcida e falou “c'est la vie”, voltou a olhar para Antônia, passou a mão na nuca e me disse: “vou com ela para casa, assim vamos conversando”.

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