sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ab - SURDOS capítulo 3


CAPÍTULO 3


  
Mais um dia se passou sem que eu tivesse notícia de qualquer um deles, já havia me esquecido dos desencontros dos dois e me encontrava perplexo com o fato do Rubinho não só haver voltado a “Fórmula 1", se bem que na verdade nem sequer chegou a sair e o que é ainda mais interessante, até a sorte desta vez está do lado dele.

Exatamente neste momento em que pensei na sorte dele, o telefone toca, era o Carlos que com aquele seu habitual interesse pelos outros foi deixando de lado os preâmbulos do bom dia, como tem passado e outras coisas da boa educação e indo direto ao assunto: “Cara você precisa me ajudar, a Beth não atende mais meus telefonemas e não é que ela não esteja com o aparelho ou fora de área, não! Não é nada disso, cara, ela se nega a me atender, pedi para um amigo meu ligar para ela e ela atendeu numa boa, perguntei para minha irmã se ela tinha visto a Beth no prédio nestes três dias e ela me falou que todo dia; cara você precisa pedir para ela me atender...”.

Como me mantive calado, ele começou a perguntar: está me ouvindo? Está tudo bem? Aí então eu falei-lhe em tom suave - boa tarde, como andam as coisas?Tenho notado sua ausência, você que vinha quase todos os dias para conversarmos e agora já faz três dias que não aparece na galeria..., não consegui continuar, me interrompeu abruptamente e disse: “caraca véio, minha irmã não te disse que tive de viajar? Ela não te falou que a Empresa me mandou para Bacabal?”, respondi rapidamente, antes que continuasse a praguejar a irmã: Carlos me escute, ela não me disse e também não entendo que você ou ela tivessem esta obrigação, mas me diga que cidade é esta? Respondeu-me, Maranhão véio, terra de José Sarney, Maranhão terra quente pra caraca.

Mudou seu tom de voz e me perguntou: você vai me ajudar, não vai? Respondi: Em que? Nesta história toda aí que aconteceu, “ela está furiosa”. Como já estivesse menos agitado, pude dizer a ele que isto passa com o tempo e que ele passasse a ser mais pontual com as pessoas quando marca encontros, retrucou rapidamente: “ta bom, ta certo, vou esperar, mas quero deixar bem claro que se ela romper a amizade comigo, você será o culpado, entendeu não é? Entendi, entendi perfeitamente... cortou minha fala com um vou desligar, continuou: este telefonema vai ficar muito caro, Bacabal é longe pra caraca, desligou...

Liguei para a Beth que me atendeu na primeira chamada com um simpático querido, adoro quando ela usa um tom doce e sarcástico nesta palavra, respondi-lhe da mesma forma, - hummm! Estou sentindo que teremos um café vespertino repleto de bons humores, rimos simultaneamente. Que bom, o ritmo de nossa amizade voltou ao normal...

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