quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Milagre

Envolvidos em apreensões e medos vindos de notícias e diagnósticos, os homens caminham com dificuldade. Nesta hora então, se torna ainda mais importante as palavras de fortalecimento e esperança. Trazer e levar à lembrança as histórias de superação e coragem remete o espírito abatido de volta à batalha.
O abraço, o sorriso, um aceno sincero de simpatia e amor podem desencadear o processo de cura da alma e do corpo, uma declaração sincera de nosso afeto e amor é em si, e será sempre, o início de um milagre que está por vir.
Por este motivo ame mais, ame sempre, ame melhor. Milagres estão dentro de nós.

Sentidos

Caminhei caminhos cotidianos sem rumo ou direção
Caminhei jornadas orientado por quereres diversos
Sem motivo, sem verso ou reverso algum. 
Então mesmo sem cansaço me cansei de caminhar para lá
Parei e sem sentar, sem deitar ou reclamar
Abandonei não propriamente o caminho, mas a direção 
E não propriamente um abandono, mas uma retroversão.
Agora sei que estou distante,
Mas é melhor voltar no caminho do que se perder nele
Agora sei que me aproximo e aí...
Nenhuma preocupação com o momento de chegar
Consegui o mais importante, estou na direção certa.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O encontro

Dias e noites a fio, a saudade que mata
A espera em forma de desespero
Transborda o coração de sentimentos dúbios
O medo se contrapondo ao desejo
E você longe de mim dentro do meu peito
E passam os dias em milhares, anos de dor
A saudade apertando e me prendendo a você
Você tão distante e o sentimento a meu lado
Toca o telefone e ouço a voz, o mesmo tom
O mesmo transbordar de sentimentos únicos
Sentimentos plurais, amor, desejo, paixão
E a voz invade e me fala de amor, lembranças
Não há como compreender, não há razão
É o amor chegando de repente, surpresa
Que ascende a alma e acende a paixão
E entre trocas de sofrimentos e saudades
Entre confissões de dor e paixão
Os corpos atônitos se tocam dizendo sim
Os olhos dizem sim e as bocas se calam
Sem poder dizer sim, se beijam
Se perdem em passeios,
Se encontram nos corpos
Suados e descansados no amor

Ser mãe



Ela tinha certezas que só o amor podiam dar
Esperava pacientemente que nuvens sumissem
Que a água abaixasse absorvida pela terra úmida
Também através dos rios que ainda cheios

Mas era a prova do amor imenso
De lembranças do que foi vivido
E daquilo que está por vir a ser
De tudo o que virá a acontecer

Então a ternura, a paixão gentil
Aquele querer descomunal
Se traduzem em banhos e papinhas
Tantas e infindáveis coisas
Noites sem dormir, preocupações banais
E tudo por ser mãe e ser mulher.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O verdadeiro amor.

Os braços que outrora incansáveis
Mantinham ao colo o ninar os filhos
Hoje acena pedindo auxílio
Para que se possa levantar

As pernas que andarilhavam
Em trabalhos e passeios
Hoje, trêmulas bambeiam
Em um simples caminhar

A visão aguçada da leitura
Ouvir o mexer suave na cama
Do bebê no quarto ao lado
Agora está substituído por um:
"Não ouvi bem meu filho".

Marcas dos anos passando
Do vigor se extinguindo
De possibilidades diminuídas
De movimentos diminuídos

Mas em um só reparar
De forma mais atenta
Lá está aperfeiçoado
O mesmo brilho no olhar

Quando no tocar as mãos
Entrelaçam os dedos
A mesma ternura
Agora quase eterna
Encaixe suave e perfeito

Já não é mais preciso o ouvir
A visão para ver o semblante
Foi dispensada também
Em tudo se conhecem pelo silêncio
Pela transpiração suave
Pelo respirar tranquilo
Destes muitos anos de amor

A espera

No olhar o desejo
Na alma a dúvida
O coração palpitante
Expressa seu querer
Duvida da correspondência
Crendo na possibilidade
A soma de tudo é querer
O coração seu senhor
Durante toda sua vida
Sem querer mudar
Permaneceu alerta
Esperando a porta abrir
O tempo que for preciso
Pois tem as chaves nas mãos

Ab - SURDOS


CAPITULO 4





À tardinha enquanto Beth e eu conversávamos, Antonia chegou com seu jeitinho faceiro e sempre elegante, pediu licença, nos cumprimentou, sentou-se e disse sorrindo: “o estressado me ligou cobrando o fato de eu não haver te dito que ele havia viajado para o Maranhão”, simplesmente sorri, ela continuou: “de fato ele havia me pedido para que eu te dissesse que ele teve de sair as pressas, mas que precisava falar com você”, Beth interrompe com uma pergunta em tom de brincadeira: "como você consegue viver com Carlos?". Rimos e continuamos a conversa.

Mais alguns minutos e Antônia olhou para Beth e lhe perguntou: “Amanhã você pode me acompanhar quando for ao médico?” Beth imediatamente lhe disse: “A que horas?” Antônia retornou: “as dez, mas não se preocupe”. Beth foi incisiva: “Vou desmarcar um compromisso que tenho e passo no teu apartamento as 9h30m”.

Com esta breve conversa Antônia levantou-se e olhando para nós dois disse-nos: amo vocês. O diálogo entre Beth e Antônia retratou com exatidão, não só o caráter da amizade que elas cultivam há bem mais de 20 anos, tanto quanto a preocupação de Beth com Antônia.

Enquanto Antonia caminhava, Beth me olhou com um semblante carregado, com a cabeça pendida para a direita e a boca um pouco retorcida e falou “c'est la vie”, voltou a olhar para Antônia, passou a mão na nuca e me disse: “vou com ela para casa, assim vamos conversando”.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Segunda-feira cinco e meia da manhã

A lua cumprindo seu turno
Insistente, mas esmaecente
Encantava o início da manhã
Como quem estica seu horário
No intuito de findar sua missão
Olhava serena
Toda aquela cena
Alguns chegando a casa
Do trabalho, da noitada
Cansados ou não
Sorrindo ou zangados
Nas mãos sapatos
E os pés no chão
Cônjuges, pais, irmãos
Saiam ao trabalho, a escola
Todos na contra mão
No céu a lua sumindo
Barulhos surgindo
Que confusão

Noites de sextas-feiras

Quando o frescor da noite descer
Caminharemos na calçada
Conversaremos coisa qualquer
Dividiremos o amor de nós dois

Quando frio do avanço da noite vier
Dividiremos um cobertor
Protegendo corpos descobertos
No encontro deste amor

Então pela manhã
Quando descobertos pelo sol
Naquela desarrumada cama
Sorriremos as palavras ditas

Nos levantaremos preguiçosamente
No desejo sano de não ir
E ao assobio do labor que chama
Responderá não a nossa chama de amor

Ab - SURDOS capítulo 3


CAPÍTULO 3


  
Mais um dia se passou sem que eu tivesse notícia de qualquer um deles, já havia me esquecido dos desencontros dos dois e me encontrava perplexo com o fato do Rubinho não só haver voltado a “Fórmula 1", se bem que na verdade nem sequer chegou a sair e o que é ainda mais interessante, até a sorte desta vez está do lado dele.

Exatamente neste momento em que pensei na sorte dele, o telefone toca, era o Carlos que com aquele seu habitual interesse pelos outros foi deixando de lado os preâmbulos do bom dia, como tem passado e outras coisas da boa educação e indo direto ao assunto: “Cara você precisa me ajudar, a Beth não atende mais meus telefonemas e não é que ela não esteja com o aparelho ou fora de área, não! Não é nada disso, cara, ela se nega a me atender, pedi para um amigo meu ligar para ela e ela atendeu numa boa, perguntei para minha irmã se ela tinha visto a Beth no prédio nestes três dias e ela me falou que todo dia; cara você precisa pedir para ela me atender...”.

Como me mantive calado, ele começou a perguntar: está me ouvindo? Está tudo bem? Aí então eu falei-lhe em tom suave - boa tarde, como andam as coisas?Tenho notado sua ausência, você que vinha quase todos os dias para conversarmos e agora já faz três dias que não aparece na galeria..., não consegui continuar, me interrompeu abruptamente e disse: “caraca véio, minha irmã não te disse que tive de viajar? Ela não te falou que a Empresa me mandou para Bacabal?”, respondi rapidamente, antes que continuasse a praguejar a irmã: Carlos me escute, ela não me disse e também não entendo que você ou ela tivessem esta obrigação, mas me diga que cidade é esta? Respondeu-me, Maranhão véio, terra de José Sarney, Maranhão terra quente pra caraca.

Mudou seu tom de voz e me perguntou: você vai me ajudar, não vai? Respondi: Em que? Nesta história toda aí que aconteceu, “ela está furiosa”. Como já estivesse menos agitado, pude dizer a ele que isto passa com o tempo e que ele passasse a ser mais pontual com as pessoas quando marca encontros, retrucou rapidamente: “ta bom, ta certo, vou esperar, mas quero deixar bem claro que se ela romper a amizade comigo, você será o culpado, entendeu não é? Entendi, entendi perfeitamente... cortou minha fala com um vou desligar, continuou: este telefonema vai ficar muito caro, Bacabal é longe pra caraca, desligou...

Liguei para a Beth que me atendeu na primeira chamada com um simpático querido, adoro quando ela usa um tom doce e sarcástico nesta palavra, respondi-lhe da mesma forma, - hummm! Estou sentindo que teremos um café vespertino repleto de bons humores, rimos simultaneamente. Que bom, o ritmo de nossa amizade voltou ao normal...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sofrer

A dor que me leva
Ao encontro do que sou
E do que não sou também
É uma dor sem tamanho
Não é grande ou pequena
Basta ser incessante

A dor que tem remédio
É do sabor que não gosto
Não que seja amargo
Tampouco é doce
É porque me cura
Da dor que gosto de ter

Então não está na dor
Sequer na amargura
Não no remédio
Ou na doçura
É dor de um peito
Que não quer cura

A natureza da paixão

A tarde se foi
Sem que se fosse
O calor do verão

A água abaixou
Sem que se fosse
As marcas da enchente

São coisas inevitáveis
Se experimentamos a força
Invasão é sem permissão

Por este motivo, eu, você
Temos desejo de viver
E medo da paixão acontecer

Porque ela invade
Mexe com tudo e todo ser
Deixando marcas sem escolher

E não haverão diques
Para impedir a chegada
Bueiros para escorrer
Que os possam suportar

A força da natureza
E também da paixão
Não pede licença para entrar
Sai sem pedir perdão.

Ab - SURDOS


CAPÍTULO 2





Sentei-me e fiquei pensando no ocorrido, me perguntava o porquê de tanta tensão e exagero de emoções que estavam se desenrolando e tudo por causa de um atraso, ou melhor, alguns atrasos de uma pessoa que afinal de contas é sabidamente um descansado em relação ao cumprimento de horários. Enquanto pensava, fui desperto por outra pergunta, era a moça do Café  me perguntando o que eu queria, pedi um “Saint Paul”, precisava me compensar do congestionamento que os dois haviam me causado.

Com o decorrer do dia e suas tarefas fui me esquecendo daquele turbilhão de emoções, até que, já no finalzinho da tarde, Beth me liga e nem bem me deixa falar alô, já descarrega:  “você me traiu, foi contar para o Carlos o que eu havia conversado com você pela manhã e se não bastasse, ainda deu razão a ele, o cachorro me ligou só para me dizer que você concordava com ele, que eu sou uma histérica, que não havia motivo para tanto descontrole, caramba e eu que imaginava que tinha em você um amigo de verdade, daqueles a quem se pode contar qualquer coisa, que decepção!!”. Encerrou daquele jeitinho dela, desligando o telefone sem querer ouvir uma palavra.

Fiquei evidentemente furioso, minha vontade era mandar os dois para aquele lugarzinho conhecido... rsrsrs , que é Quixeramobim, mas achei melhor assimilar. Vez por outra me vinha um surto, uma vontade de ligar para o Carlos e lhe dizer algumas coisas que quando não penso, eu penso dele; gostaram? É semelhante ao dinheiro não contabilizado do PT, que não é Caixa Dois, coisas da riqueza do relativismo. Na verdade eu sabia que ele voltaria com aquele olhar de vitorioso, meio sorrindo, meio eufórico, totalmente idiótico. Pois bem, não me apareceu naquele dia e nem no outro, acho que estava pressentindo que iria levar uma dura.

Neste interregno, olha a legenda aí gente”, quero dizer: neste intervalo, Beth havia me procurado e conversamos sobre o absurdo de ela acreditar no que havia ouvido. Conversamos sobre o ocorrido, o que lhe deu a oportunidade de me perguntar: “Você não acha que eu tenho razão?” Foi exatamente neste ponto que ela conseguiu me compreender, lhe disse claramente que não tenho competência para julgar quem tenha razão em problemas entre pessoas, que o muito que faço é ouvir e se a pessoa me pedir uma sugestão sobre o que fazer, eu respondo imediatamente que: de acordo com o que você está me contando, eu faria desta ou daquela maneira ou simplesmente responderia que questões pessoais devem ser resolvidas entre os envolvidos e que se os dois quisessem minha opinião, que conversássemos a três.

Ela me olhou com um olhar que ela usa quando não tem saída, meio “você me paga” e me perguntou:  “o que exatamente você respondeu para o Carlos, que levou-o a afirmar que você dava razão a ele?” Dei um sorriso, cocei a cabeça, que é um costume meu e lhe respondi serenamente: Beth, ele não me perguntou se eu dava razão a ele, ele me perguntou se eu havia entendido e eu respondi que sim, ele não voltou a me perguntar o que eu havia entendido ou qual o meu entendimento e opinião sobre o ocorrido, ele simplesmente me disse: “você é meu melhor amigo, sabia que iria me entender” e depois vazou querida.

Mais uma vez me olhou com aquele olhar e disparou: “não me chame de querida, detesto, odeio quando você me olha com este semblante de piedade profunda e me chama de querida. Beijou-me, agradeceu e saiu calmamente, já distante uns quatros passos, virou-se e me disse pausadamente com o mesmo olhar que me olhou:  “aquele calhorda me paga”.

Ab - SURDOS


CAPITULO 1



Beth foi ao meu encontro enfurecida. Suas palavras desordenadas demonstravam uma mágoa que não se podia medir. Minha dúvida era se aquela ira não escondia algum desejo oculto que nunca me revelara; pensei comigo, isto não é da minha conta, é melhor ficar calado...  e enquanto pensava, Carlos passou dirigindo seu carro, olhou, balançou a cabeça e seguiu, enquanto isto ela falava coisas desconexas, acabou de falar e foi embora sem sequer dizer tchau.

Carlos havia estacionado seu carro na mão inversa do fluxo dos carros, eu mesmo não havia notado, veio em minha direção e disse-me que não queria se encontrar com ela. Ficou me olhando com aquela cara de quem quer que se faça alguma pergunta, fui andando em direção ao café e ele caminhava a meu lado sem saber muito bem o que falar e eu calado, sem querer me envolver em problema dos outros.

Mas ele não agüentou, me olhando com aquele olhar de esquilo querendo pegar nozes; vocês sabem ao que me refiro, não é? È um olhar que expressa desejo de fazer alguma coisa, mas ao mesmo tempo, um medo de ser surpreendido; pois bem, disparou a matraca e começou a reclamar e a falar da intolerância da Beth, vez por outra me olhava para ver meu grau de aprovação ou reprovação em relação à sua fala, mas eu mantinha a face plástica que me é comum nestes casos.

Explicou-me detalhadamente os motivos do atraso que ocasionou aquela fúria em Beth, falou do trânsito, a fila no Banco e uma soma de tantos outros problemas que fiquei imaginando que não havia sido o mesmo Carlos que a deixara esperando por dez minutos, porque seus problemas contados somariam bem mais de 2 horas de atraso.

O interessante também é que sequer me perguntou acerca do que Beth e eu conversávamos, a sua certeza era tamanha que ele mesmo me explicava, pedia os esclarecimentos e tornava a me esclarecer sem que eu precisasse abrir a boca para pronunciar uma palavra sequer.

Ao fim da sua entusiasmada dissertação, o Mestre perguntou-me: Entendeu? Respondi laconicamente, lógico Carlos, claro que entendi. Olhou-me com gratidão e me disse: “você é meu melhor amigo; sabia que iria me entender”, nem chegou a sentar à mesa para tomarmos um café, despediu-se e sorrindo saiu comentando, “a Beth é uma exagerada”.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

HUMANIDADES


Simples assim,
Como desejar ficar e ter de ir
Complexo por desejar dizer não
E precisar com dor dizer sim
Nos variáveis tons de sublimar
Quando gentilmente, propositadamente
Ferimos com as palavras leves
Como um punhal adornado em pedras
Afiado em pedras feitas de coração

Complexo também
Quando sente a dor de se perder
Não propriamente o outro
Mas exatamente, se perder de si
Nos variáveis tons de amor
De propósitos indefinidos
Que nos levam ao descaminho
Com cor de atalho de vida em retalho

E seguimos e/ou perseguimos
Mundos de ilusões
Sonhos de bolhas de sabão
Que no chão nos fazem escorregar
E acordarmos em pesadelo a enfrentá-lo
E exatamente por isto, por enfrentá-lo
Em sins e nãos fora dos sonhos
Em situações ideais e viver somente o dia
E seja o que for e da cor que for
Se fazer e ser feliz

OLHAR PARA TRÁS



Ela se movia na direção contrária do viver
Atordoada por exames, por idade
Por prognósticos cientificamente precisos
Como se fosse preciso diagnóstico
Que nos lembre que o final da estrada
Logo na primeira parada do caminho
A estação se chama morrer

E então ela olhou para trás
Na direção da vida, do nascer
E compreendeu que é mais
Bem mais do que mágica o que existe
E enxergou por aquele segundo eterno
Que a vida é milagre, a vida é dádiva
É dom de Deus.


Ο θάνατος II


Exposta a influências, a alma ou aquilo que sentimos,
Encontra-se a mercê das tempestades do viver.
Somos então, compelidos a ações ou reações
Daquilo que à nosso frágil entender
Pró ou contra, sopra sobre nosso querer
Aprendemos com isto a resistência
Com aquilo outro, o ceder, fazer manobras
Mas nosso corpo, a nau da alma
Em seus emaranhados hormonais
Complexos sistemas educacionais
Vai batendo em rochedos milenares
Encalhando em novos bancos de areia
Não existe um mapa seguro
Que nos garanta navegar incólumes
Isentos de todo e qualquer perigo
E na maioria das vezes
Não são os acidentes geográficos
Ou a topografia das relações interpessoais
Que nos alcançam e ferem
Somos nós que colidimos
Que guiamos inconseqüentemente
A nau da alma, a casa do espírito
Que por fim e de forma una somos nós
Mas vamos em frente
Atropelando amigos, respeitando inimigos
Compelidos por um não saber
Que a nau tem destino certo
E nesta esfera, todas têm porto único
E ninguém sabe o dia que vai chegar.

SAUDADE



Saudade é coisa louca
É ausência da presença
Presença da ausência
Saudade faz dor mesmo na alegria
Produz lágrimas
Mesmo que compreendamos
Desfaz pra construir de novo.
Saudade se sente
De tempos, de lugares e de coisas
Mas quando é de gente
Ah! Quando é de gente
Dilacera o coração
É estranhamente menos dolorosa
Se aquela a quem amamos
Já se foi para sempre
Porque vai se transformando
Vai se fazendo aos poucos
Em terna lembrança.
 Mas quando a saudade existe
E a pessoa a quem amamos também
Não importa a distância
Metros, milhas, mares
A dor é sempre maior
Vive acompanhada da esperança real
De se rever.
 Por isto, meu amor
Hoje chorei alegre,
Ficando triste de saudade
Desejando-te a meu lado
Re-encontrar você

DES-GOVERNAR


Água descendo
Inundando ruas
Destruindo sonhos
Deixando rastros
Desmoronando vidas

E eles sentados
Assinam papéis em decretos
Assassinam com suas canetas
Calamidades públicas
Que dispensam enchentes

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Dúvidas e medos


Com flores nas mãos e sorriso opaco
Ela pensava: Foi tão pouco.
Ele com o volante nas mãos
Pensava hesitante: Será que gostou?

Um imaginava o outro
Cada qual do seu degrau
Sem que percebessem
O próprio encontro

Sem que mensurassem
Cada gota escorrida
Das muitas que escorrem
Nas coisas do amor

Então quase a uma
Suspenderam pensamentos
E telefonaram um para o outro
Simultaneamente ocupados

Sem o encontro desejado
Mesmo na busca dele
Ocupados demais
Em entender o amor

E então,
Quando já cansados de pensar
Pensando em como descansar
Com tanto amor pulsando

Entenderam o óbvio
Que não há explicação
Nem símbolos ou gestos
A ficar no lugar do amor

Corpos que se amam
Devem se amar
Em cada gesto ou olhar
A certeza pra ficar

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Esperança

Acordei a manhã muda
Não há palavra doce
Nem saudade terna
Que faça poesia
Prosa ou poema

Acordei do que não dormi
Despertei preocupações
Coisas do dia-a-dia
Manutenções, provisões
Nada que faça poesia

Então de que vem tais palavras?
De onde provem esta escrita?
Certamente das preces
Da esperança em Deus
Um Deus que nos quer bem.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Amar-se ou amar-te


Amar a imagem
Pode não ser propriamente amar o outro
Pode ser amar o que gostaríamos que ele fosse
Ou que ela quer que pensemos que ela é

Amar a coragem
Pode ser necessidade de proteção
Amar a bondade
Pode ser sublimação

Um ama por isto
Outro por aquilo
Tem quem ame a quilo
De tanto que diz que ama

Mas para se pensar o amor
Não concentre nos porquês
Nas razões que te agradam
Nas coisas que te completam

Para amar o outro
Atenha-se à necessidade dele
Tenho e lhe dou o que precisa
Não ele a mim

Porque certamente
Quem ama porque
Quer o outro
Para amar-se a si mesmo

Quem ama o outro
Ama apesar de...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

VOCÊ MEU AMIGO

Se houver oportunidade
Se existir a necessidade
Eu lhe direi pessoalmente
Quem sabe até publicamente
Da amizade que sinto por você

Não digo grande amizade
Porque amizade não existe
Em outra forma ou tamanho
Basta ser amizade e então
É sincera, terna e eterna

Você pode ver em meus olhos
Nas vezes que precisar de mim
Perceberá deferimentos
Nos olhos e gestos, você e eu
Todos os que querem
Sabem discernir os amigos

Amor, o eterno

Hoje quando a lua voltar
Depois do sol se por
Eu ainda espero estar aqui
Assim de uma forma romântica
Serei eterno como a lua e o sol
Para aqueles que se foram
Que se forem antes de mim

Hoje quando a lua voltar
E nos trouxer encantamentos
Visões de escuro claro
O coração voltará a acender
Ascender ao céu da lua
E pelo seu poder de encanto
Iluminará a rua com seu amor

Nesta hora, se soubermos
Poderemos olhar em nós
Enxergar a nosso redor
O eterno dissolvido
Em fragmentos fraternos
Que como um todo
Nos falam de amor

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Coisas de Amigos

A amizade é feita de sabores
Sabores diversos, bons e maus
Bons momentos vividos
Na presença de uma amizade
Não são confundidos com outros

O amigo se sabe,
Não há porque desconfiar
Ele não nasceu na fortuna
Tampouco no infortúnio
Ele nasceu no coração de Deus
Que estende suas mãos a nós
Através desta maravilha
Chamada amizade

Amizade não tem idade
Tem identidade, sinceridade
E nunca se confunde com grosseria
O amigo, a amiga
Não se pré-ocupa com pessoalidades
De coisas de si, nem do outro
O amigo se ocupa com a amizade

Ao amigo

Mergulhei em praias lindas
No nascer ou por do sol
Andei serras, montanhas
Descansei em planícies
Fiz-me e desfiz-me
Tristezas, dissabores
Sabores de alegria
Mas nada há que se compare
A amizade nossa de cada dia

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É o que há em matéria de.....

Deus cuida de mim, de ti, de nós
Tem bons sentimentos
Mesmo quando olha os maus
Sua paciência se baseia
Na certeza do que criou
Seu fundamento é que o humano
Foi criado à sua semelhança
E que sempre que a criatura quer
Pode contar com a ajuda do criador
Para através do SEU amor divinal
Alcançar o objetivo para o qual foi criado

Nada, coisa alguma é maior que seu amor
Nem passado, nem escolhas, nem vontades
Ele nos espera com com ternura sem igual
Quer que o que está longe volte
Que o que está perto fique ainda mais perto
Que o que está cansado descanse n'Ele
Pois seu amor não se pode medir
É eterno, infindo e maravilhoso
Acima de religiosidades e paradigmas humanos

Ele é o Deus criador que opera sem parar
E cria hoje uma nova chance para mim
Uma nova chance para você
Uma nova chance para nós

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

1968 - 2012 Tijuca e imaginação.

Zé Pereira passava correndo todas as terças na direção da feira,
Seu horário era quase na hora do almoço, onze e meia
Xepa, gritavam os feirantes, quando ele aparecia
Andava a feira toda, de cima abaixo pesquisava
Chegava no finalzinho e chorava, choramingava preço
Queria qualidade, a que sobrara, olhava, pegava, reclamava
Escolhia como quem conhece bem cada legume, verdura, fruta
Depois ia abrindo uma bolsinha de mão que se transformava
E ia enchendo a sacola, duas maçãs, cinco bananas
Couve cortadinha, repolho, batatinha
Ia na direção da barraca do peixe e ia dizendo
Mas ficou chique esta feira, já comprei em tábua de madeira
Agora é tudo inox, ninguém morria àquela época
O que mata gente, é a contaminação, Francisco falava: Cala
Toma Zé Pereira, duas, três, seis cabeças de peixe
Sobra daqueles que não sabiam o que fazer com elas
Pegava a sacola, olhava com gosto e dizia: Belo pirão, belo pirão
E ia assim de fio a pavio, cada trinta metros, outra sacola aberta
Chegada a hora, meio dia e meia, Zé Pereira dizia: Bem!!! Bão!!!
Zé Pereira ta indo embora, cheio de sacola na mão
Chegando em casa suado e sorridente, recebia a compensação
Rita, a Ritinha, Rita de Cassia, dizia com gosto : Ah!!! Homi Bão
Saiu com pouco dinheiro e voltou com um montão
Zé Pereira lhe dava um tapinha no traseiro e dizia:
Fica elogiando que o nego pega animação e sacumé
Porque com Zé Pereira não tem reclamação
Trabalho muito, ganho pouco, a noite é longa
Mas não me falta disposição, comia um pratão de sopa
E voltava pro batentão, eh!!! tempo bão!!!

Pronome Ela (08/03/12)


No olhar sempre seguro
Em passos firmes e suaves
Deixa-se envolver por laços
Que desata com uma só mão
Em seus braços o abraço certo
A indicação certa das mãos
Dizendo sins, dizendo não
Sofrendo com ou sem lágrima
Acompanha cada passo
Próximo, distante, firme ou cambaleante
Trocando roupas do sorriso
Escondendo aflições, ansiedades
Sofrendo tudo, como se fosse pouco
Mantendo os olhos em Deus
Rogando que possa ser suas mãos
Ajudando a levantar e consolar
Amante, mãe, amiga
Mulher.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

ADMISSÃO

Admitir é verbo difícil de se conjugar com coerência
Porque quando erramos e somos levados a ela, a admissão
Relutamos em dizê-la no Presente Indicativo
Na maioria das vezes usamos o Pretérito Perfeito
Para não ouvirmos todos os detalhes do erro
Soltando um sonoro: "Eu já admiti"
Não que de fato admitisse
Vou caminhando para um Pretérito Imperfeito
Porque a danada da admissão teve tantos mas,
Numerosos porquês e tantos senões
Que a admissão do erro tem sabor de desculpa
Des-culpa minha, com transferência para outros
Sejam motivos, pessoas ou acasos

Admitir é verbo difícil de se conjugar com coerência
Porque admitimos a morte como parte natural da vida
Mas a negamos todos os dias, choramos desesperados
Mesmo para aquelas mais anunciadas, buscando razões.
E nos ofendemos com a verdade simples,
Morreu porque tinha a condição "sine qua non", estava vivo
Fugimos cotidianamente deste enfrentamento, evitando sinais
Mas quando ela chega queremos detalhes, minúcias
Algumas chegam ao sórdido, ao sádico
E não admitimos sermos assim,
Haverá ao ver deste ou daquele, sempre o motivo
Porque a danada da admissão tem tantos mas.

Poderíamos então combinar sobre a admissão
O amor é possível para quem ama
E nós só podemos reger nosso próprio amor
Logo, se ele(a) ama a ele ou ela, admita, é uma questão dele(a)
Se para alguns o melhor e rir na hora da dor,
Admita que é só um jeito de ser
Admitamos nossas limitações
Admitamos a individualidade, como algo a ser respeitado
E pense bem, no Imperativo não existe primeira pessoa
Porque quando imperativamente temos de admitir
O muito que conseguimos é uma primeira pessoa,
Mas no plural.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

RECOMEÇANDO


Recomece meu amigo
Nem precisa ser de onde parou
Recomece de onde quiser
De onde você estiver
Se houveram mágoas
Se pessoas te feriram
Perdoe-as se puder
Se não conseguir
Tente esquecer o fato
Mas faça-se um favor
Não guarde rancores
Porque o rancor em nós
Abate a alegria e ternura
Que vamos precisar no recomeço

Coloque cada lágrima de tristeza
Em um copo para água
E prove o sabor marinho
Que te abateu ferozmente
Saindo de você, não te destruiu
Ao voltar te fortaleceu
Você o absorveu
Tornando-se forte como o mar
As lágrimas de alegria
coloque-as também em um copo
Empunhe um espargidor
E como os clérigos
Abençoe com sorrisos os que passam

Diga amém para o que você crê
Diga não para o que discorda
Não fique se esforçando para ser amado
Teu simples jeito de ser é agradável
És digno como és, digno de ser amado
Mas não se esqueça
Mesmo em meio a estas palavras
Não demore em hesitações
Recomece meu  amigo
Mesmo que não lhe pareça necessário
Recomece a cada dia
Guardando só o que vale a pena
Vamos recomeçar

Não tenha dúvidas,
Tudo o que se tornou pesado
Vai impedir o caminhar
Abandone as tranqueiras do passado
Leve em teu coração só os amores
Se por possível caminhe com os amados
Mas caminhe na direção do novo
Não confunda recomeço com voltar
Se só tomas um litro de leite
Troque as duas geladeiras
Por um frigobar
Vamos começar de onde estiver
Vamos recomeçar.

VERDADES

Você que um dia foi meu maior motivo
Sendo a minha loucura sã
Ferida pelo meu juízo doentio
De devaneios de certezas vãs
No meu amor de lousa de giz
Que se aprende na escola
Com aqueles que ensinam
Sem sequer saber o amor

Pra você que viveu a renuncia
Que se calou diante da dor
Pra você a minha reverência
A minha admiração
E o meu eterno amor


CHEGANDO

Caminho na direção do amanhã
Com os olhos no chão chamado hoje
Ouvindo as vozes do passado

Caminho com passos menores
Ritmo menos acelerado
Pois não quero voltar atras

Vou seguindo de tal forma
Que pareço perseguir-me
Sem ver sombra alguma

Barreiras, buracos e pedras
Desvio, evito e passo por cima também
Caminho calçado com o pé no chão.