sábado, 10 de novembro de 2012

A ilusão


Se por um só momento
A mente ilude e mente
E um sorriso não é o que esperavas
E palavras disseram coisas inversas
Diversas coisas e nem um verso
E se lágrimas rolaram secas
Com sorriso duro e doído
Nada se perdeu, não houve erro
São desejos tão comuns em nós
Ilusões criadas e alimentadas
Sem propósitos comuns
Mantenha a esperança e sorria
Verás que também iludes

Só Hoje


Sinto uma imensidão de dores e alívios
Vivo mergulhado e mergulhando em águas
De rios fortes e calmos, lagoas cheias e secas
Sinto amores, desamores, cantos e descantos
Encantos e desencantos, mas em tudo existe amor
Vivo em cada passada, cada passado, presente e futuro
E em mim a multidão dicotômica de sentires
Paixões de amor e de ódio, tempestades e calmarias
E mergulho no ócio que me faz melhor e sonho
Sonho com cores e sabores, sons e silêncios misturados
Alguns em compassos harmônicos, outros tiroteios ferozes
E olho em volta e digo sim e não, quero e desprezo tudo
Sou um dia, sou o dia, sou hoje e serei amanhã
Mas o passado que passou por mim, saiu de mim
Ficando só lembrança e fantasia; poesia e imaginário
Vou deixá-lo lá, não vou voltar para buscar.

domingo, 30 de setembro de 2012

FUNDAMENTO, FUNDAMENTAL, FUNDAMENTALISMO


Acho sempre estranho o uso deste termo para adjetivar radicais movidos por latente arrogância e ignorância. No campo das religiões são chamados de fundamentalistas, aqueles que em qualquer vertente defendem um ataque a outras religiões, coisa extremamente absurda, já que estudiosos dos livros sagrados dão conta de uma pregação de amor e tolerância entre os povos como base para a construção de um mundo melhor.

Quando adentramos o campo do esforço de conhecimento científico, aí a coisa é ainda pior, já que sabemos que o que norteia a ciência é o des-cobrir, ou seja, tirar a coberta que se encontra sobre as coisas que ignoramos. "Uma coisa sei, que nada sei" já ouviram tal frase, não é mesmo? Assim vemos um simples "ovo" ir de herói a vilão e de novo voltar a herói da história, tudo isto regado a afirmações cabais de descobrimento.

Balela, toda afirmação extrema e imutável é infantilidade e/ou ignorância.

O campo da fé deve ser pessoal, mas a religião e a ciência, nas diversas formas humanas devem se contentar com o temporal. Somos muito pequenos e finitos para sabermos muito, imaginem tudo...

O fundamento e o fundamental é amar, o fundamentalista ama.

sábado, 29 de setembro de 2012

HARMONIZAR


A harmonia é um bem a ser cultivado detalhadamente, por vezes esperamos dos outros, aquilo que nós mesmos não oferecemos, queremos consideração sem considerar os limites e dificuldades do próximo, nos esquecemos de ser gratos e exigimos do outro, aquilo que não exercemos de consideração com a dificuldade alheia.
Desafetos não são notas que combinam, nem SUS silenciosos, mas desafinos que comprometem o  entendimento agradável do nosso viver. Procure a harmonia, ainda que na dissonante escolha de complementos da cor, procure, ache e viva a harmonia.

sábado, 25 de agosto de 2012

POUCAS PALAVRAS


Não é preciso falar, nem fazer alguma coisa que comprove 
Sua pele, seus olhos, seus gestos dilatam um dileto amor
Existe presente na sua presença o maior presente do amor
O sorriso, o olhar de admiração e importantes coisas banais
E quando se zanga, transpira um desejo denso de não magoar
Então só me abrace e beije, não quero ter nada a mais, 
Está claro em minha mente que com você sou feliz

domingo, 22 de julho de 2012

A Árvore - Poema para Loide

A força imóvel à mercê do regar
Dependente de climas ou pessoas
As raízes rasas ou profundas
As folhas da primavera ao verão
Galhos nus ao outono, flores
Secos tons pastéis, folhas ao chão
Foi crescendo a sombra dos galhos
O machado, a serra, um fim
Um móvel imóvel de madeira nobre
Guardando passados originais

Poema para Maurício

O comum é que exista dentro de nós, esperança e desesperar, 
Ânimo e desânimo, força e cansaço
Existe também a responsabilíssima capacidade de escolher
Ora com a razão, por vezes com emoção 
Com as escolhas suas consequências. 
Somos então este coquetel de caracteres. 
Está em nós uma imensidão
Somos capazes de construir e destruir mundos 
Mesmo sendo personas tão frágeis e hetérias.
Nos imaginamos por vezes capazes de tudo
Em outras impotentes diante do todo 
Por afetos ou desafetos, impulsos e medos.
Somos humanos e desumanos
Mas de todas as coisas a marca é ser
SER O QUE SOMOS.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A AMIZADE

A amizade é sentimento e razão
Divergência e convergência sana
Tem ternura, brincadeira e irritação
Cala e fala tudo o que é preciso
Caminha a nosso lado na ajuda
Mas também se afasta para ajudar
Dispensa títulos quando a sós
Mas não na presença de outros
Dispensa pimenta e todo tempero
Só não dispensa o sal
Nem o da imensidão dos mares
Nem o do rolar das lágrimas

sábado, 30 de junho de 2012

POEMA PARA OS QUE AMO


Escrevo este poema para os que amo
Com certeza clara de que se sabem
E entendem quase todos os meus motivos
Escrevo sem citar nomes
Dedico sem nominar pessoas
Exatamente porque as amo
E elas sabem disto tão bem
Para cada uma das pessoas
Uma, duas, varias formas de amor
Mas para elas, cada uma
Um sentimento puro e terno
Mono ou polifórmico
Simples ou complexo
Do meu amor.

terça-feira, 19 de junho de 2012

BOA NOITE


Pontes e estradas, ilusões e semântica
Estar só no silêncio da sólida solidão
Mergulhar o abismo cósmico do não saber
Esquecendo lembranças que emergem
Lembrando esquecimentos náufragos
Na companhia de verdades e mentiras
Afastando-se de mentiras e verdades
Caminhando círculos na longa direção
Sentindo frio e um sabor calmo
Fechando os olhos para sentir
Deitar, pensar, orar e dormir

sábado, 9 de junho de 2012

O AMIGO DO FRIO


To aqui parado, sozinho e pensando na vida
Eu to de cara com o barato estranho ali
Com um tipo que passou por mim e parou aqui
Mas to de boa, parado, calado e de olho fechado
De corpo blindado por um casaco legal
É o frio desértico, o "descalor" sem igual
Que depois de chegar, vai ficando
Oprimindo a mim e quem sabe, oprime a você.
Mas gosto dele, me lembra o velho amigo
Que me chama e diz: É hora de ir
E paro, olho e acelero dizendo
Amigo, na boa, você que sabe
Acerto a gola, olho e vou no frio geral.

A brisa


Sou como o vento, agrado no calor, mas corto no frio
Ou como o tempo, pois nunca penso em parar
Vou caminho que for preciso, tendo de sorrir ou chorar
Faço e desfaço alianças, prezo e desprezo emoções
Sou como a água que sacia ou arrasa, depende do uso
De acordo com o tempo, depende do vento, sou fúria do mar
Sigo ou persigo nobre ou tolo ideal, construo ou destruo
De acordo com o vento, de acordo com o tempo
Trilho ou persigo, tolos momentos ou o meu ideal

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A JORNADA


Viver de forma simples, ir adiante, caminhar
Construir e desmoronar castelos, confiar
Empenhar-se incansavelmente na tarefa
Descansar quando é imprescindível
Ter alegria naquilo que é bom, não ser tolo, 
Fingir sem querer lesar, enganar
Dormir na certeza da ausência de dolo
Lembrar-se sempre de que sou findo
E mesmo assim caminhar para o infinito
É assim que vou chegar.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O GRANDE AMOR

Um grande amor é acontecimento único
Que algumas vezes, sem motivo nenhum
Acontece na vida, uma, duas, diversas vezes
O grande amor é a disposição de amar grande
E não é necessário eternidade ou companhia
Porque o grande amor é planta plena
Nascente ou morrendo, permanece o mesmo
Isto, se for verdadeiro o grande amor
Então, pé na estrada das causas, dos olhares
Atenção despreocupada nas flores e nas florestas
Porque quando menos se espera, o objeto aparece
E se aparece quando menos se espera
Quando menos se espera desaparece também
Aparece e desaparece o objeto que desperta
Despertando ou acalmando em nós o sentimento
Que se é amor, haverá de ser grande, duradouro
Com causas, objetos ou pessoas a serem amadas
Ou nada a ser exaltado, a não o grande amor
Porque o grande amor é capacidade de ser
Expressar e viver, calar ou dizer, sorrir, beijar, abraçar
O que se quer com ternura intensa ou vontade densa
E são tantas coisas que constroem o prédio
Do que chamamos grande amor.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O RECOMEÇO

O fim de uma fase deve trazer lições
Deve fazer um acréscimo de saber
Sem fingimentos e omissões, mudar
Mudando as atitudes, pensar novo
Enxergar, desbravar novos horizontes
Então não haverão repetidos erros
Nem dores repetidas, conhecidas
Então no novo, o desconhecido
Alguma apreensão pelo que virá
Mas também esperança no amanhã
Deixar para traz mágoas e lágrimas
Esquecer tristezas tolas e banais 
E acordar novo de forma nova
Para novamente tentar, viver e sonhar.

domingo, 27 de maio de 2012

NECESSIDADES

Sem nada, nem eira, nem beira
Desci a ladeira e bati, fiquei ali
Olhando, sentindo aquela dor
Pensando em tudo aquilo
A velocidade, as curvas
Nos amortecedores vencidos
O freio fraco, pouco eficaz
Parecendo carro de rolimã
No paralelepípedo duro
Em um dia de chuva
Não foi pouca prudência
Nem imperícia ou negligência
Não havia culpa, nem culpados
Foi só a escolha do dia
A opção pelo veículo
A forma de se dirigir
Falta de preocupações
Queria descer e desci
Depois de algum tempo
Levantei-me e sorri
Algumas quebraduras
Dor aqui, dor ali, acolá
Mas tudo bem agora
O tiroteio comia solto
Era fogo cruzado e eu ali
Era hora descer, eu desci.

SOU SER

Sou um fragmento do todo
Um todo em fragmentos
Se olho em volta? Pluralidade, imensidão
Se me analiso? Diversidade e multidão
Sou micro, sou macro, cosmo e partícula
Presença e ausência, companhia e solidão
Imagino e crio, crio ou imagino que crio
Desejo e rejeito, peço e nego que peço
Também não nego que peço, mas nego o que peço
Integral sem ser integro. Integro, mas parcial
E caminho o caminho
Que por vezes é meu caminho
Por outras o próprio caminho
Caminho com outros e caminho só

FACES FACETADAS


Água
Rios, mares, lagoas, represas, lágrima e suor
Água
Respingada pelo carro da rua que passa e me suja
Água
Do banho quentinho, me limpa e acalanta
Água
Que esfria o ovo cozido, quente demais
Água
Usada em concreto dá a têmpera
Água
Caída do céu arrastando, arrasando
Molhando o campo, irrigando, causando erosão
Água
Eu, você, nós, cães e aves
Água
Caleidoscópio

VIDAS


Os rios que correm limpos 
De imagens claras
A luz do quarto acesa
Fluindo um rio represa
Que sem pressa escoa
Inundando a cama, o chão
Derramando, derramado
Declaradas paixões
Que inunda de toda cor
O cinza da manhã sem dor
Absorvida pela noite
Que também foi absorvida
Pela força e beleza deste amor

Vida a dois


A tua presença  um verso
Reverso do regresso
Inverso do adeus
A tua vontade em parte
Parte a minha sem adeus
Inteira mesmo partida
No teu inverso o verso
Vidas sem adeus
E não se perde nada
Mesmo que escorregue
Ainda que caia da cama
Ou mesmo da mesa
A tua presença alcança

GOSTAR-SE



Estar sozinho não aumenta a busca
Se o que se busca não é 
Nem está em outra pessoa
Ficar sozinho não traz a dor da solidão
Porque solidão não precisa ter dor
Solidão pode e deve ser tão bom
Viver a busca de encontrar as vezes cansa
Se o que se busca estiver em outro lugar
Vivo então a solidão sem me importar
Sem buscá-la, desejá-la ou rejeitá-la
Não é boa, nem má. 
Gosto de mim.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Xadrez


Peças do tabuleiro que caiu
Do jogo anotado de xadrez
Espalhadas pelo chão de terra
Recolhidas na pressa calma
Confiada pelo toque no relógio
Escritas em lances e tempos

A mera impressão de controle
De recomeço certo do jogo
Do ponto em que parou e caiu
Discussão e análise dos lances
A tola certeza de continuidade
Pelo registro de tudo que foi

E quando se levanta, se olha em volta
Vê-se de forma simples, triste e veraz 
A cena da cadeira vazia, deixada para traz
Revelando que a companhia, que foi feita adversária
Derrubou o tabuleiro, se levantou e foi embora
Deixando anotado o jogo que acabou

SENTIMENTOS


Existe uma força estranha que vez em quando me visita, invade e seduz
Ela me fala de uma forma de formas chamadas de amor e paixão
Em um estranho misto de sentimentos de dependência e alguma dor
Confesso que resisto, não quero me entregar a sentimentos e momentos
Que de uma forma tão forte me pressionam e convidam a pensar você
Porque uma soma de fatores e dores que se vestiram com jeito de amor
Fazem minha cabeça parar de pensar em ir adiante e me convidam a ficar
Fico então nesta luta que só por si me segura, quase me obrigando a voltar
Então sublimo ouvindo músicas, lendo e escrevendo versos que os substituem
Ficam no lugar de sonhos e desejos do amor desenhado com lápis de cera
Aqueço as mãos e  esfrego os riscos dando luz, sombra e outra dimensão
Fazendo com que as coisas certinhas, chamadas de perfeitas, mas irreais
Se tornem ao mesmo tempo a rosa, a gota que cai, a folha rasgada
O dedo furado no espinho, o olhar brilhante e o sangue no chão

domingo, 20 de maio de 2012

TIJUCA


Acordo cedo e lágrimas rolam no meu rosto
Tenho saudade de você meu Rio de Janeiro
Saudade de meu pai, meus irmãos e amigos
Vontade de ter os pés na areia daquela praia
Olhar voltado para a serra que dela me separa
Verde que me separa da Barra, Recreio e Pontal
Este olhar brilhante não sai de mim, é minha alma
Teus tuneis que me levam a Lagoa, Ipanema
As lembranças das crianças brincando na praça
Das morenas de andar gingado e loiras faceiras
Coisas que me despertavam toda forma de amor
Tijuca minha alegria, a tua lembrança minha paixão 

sábado, 19 de maio de 2012

MUDANÇAS


Andei em versos de inversos sentimentos
A lua que não brilha, tem o brilho do sol
O mar que se agita, agiganta-se é terno
Os sentimentos diversos de justiça
De uma esperança a ser conquistada
Porque esperança não é só esperar
Esperança na luta, no caminho de chão
A terra batida, o asfalto, o Jegue, o avião
Todos juntos sendo uteis ao caminhar
Indo ao encontro da conquista árdua
Da trajetória sempre sana e louvável
De mais e novas conquistas sociais

TUDO

A sombra daquela árvore que abriga pássaros
A estrada de galhos e folhas secas outonais 
As cores em tom pastel de suaves contrastes
A água que corre no riacho fecundando flores
A alegria da menina que brinca entre os animais
Cada coisa ou detalhe, calor, frio, sol ou luar
Tudo é dádiva é dom que nos é dado
Mas devo dizer da gratidão pela perda que ensina
Por aquela dor que alerta algo que precisa mudar
Pelas chuvas que transbordaram rios e ruas
A terra firme que tremeu e me mostrou a fragilidade
A segurança de na insegurança contar com Deus
Existe em tudo uma verdade, uma vontade
É isto que me dá vontade de você

domingo, 13 de maio de 2012

DIA DAS MÃES

Hoje não quero saber de razões que ferem o projeto divino
Hoje vou esquecer as más notícias dos jornais
Hoje vou me concentrar na ternura recebida
Em verdades que recolhi em minha família
Nas verdades reveladas por esta forma de amor descomunal
Hoje quero agradecer a Deus pelo seu plano 
Ou quem sabe à mera evolução dos sentimentos sublimes
Hoje sou grato por ter tido uma mãe e tantas outras mães
Mães que me amaram com ternura semelhante 
Mães que tornam este mundo menos mau

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O DIA

Escolhi mergulhar em tuas águas
Naufragar a nau, ir a nado
Sorvendo teus mares e rios
Escolhi o cansaço, o suor
Que se mistura a tudo
Transformando e transformado
Em busca de terras tuas
Minhas também, pois desbravo
Mansamente o que permites
Sem desejo de invadir, tomar
Tampouco possuir
Só viver em ti e em paz

terça-feira, 1 de maio de 2012

A AMIZADE


Acordei meu último dia
Eu mesmo o despertei
Com respeito e sem medo
Um ao encontro do outro
Em trajeto plano e reto
Como é meu viver
E o dele, o é também
Tristezas sem mágoas
Alegria sem tolice
Ternura de tom triste
Raiva de injustiça social
Acordei meu último dia
Eu mesmo o despertei
Ouvi dizer sem interrogação
Posso dormir mais um pouco
Sorrimos o desnecessário
Continuando o caminho
Lado a lado, sem mãos dadas
Na jornada crua e nua
Com dia exato de chegar

domingo, 22 de abril de 2012

O Afortunado

Tenho o frio ríspido da manhã
O calor lancinante do meio dia
O doce azedo da limonada
O amargo que cura do boldo
Tenho amigos e desafetos
Salários e dívidas em cifrões
Tenho o vigor mantido e perdido
Alegria da vitória e tristeza da derrota
Tenho sono e insônia, fome e nojo
Tenho tudo

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A DISCUSSÃO


Imensa nuvem formada sobre a cidade
Anuncio escuro de clara tempestade
Sons reluzentes antecedem trovões
O barulho do desequilíbrio bêbado
Tudo move-se ao vento ardente
Árvores, pássaros, roupas no varal
O granizo límpido, rápido e reluzente
Com seus tambores suaves e estridentes
Deixando telhados e pisos molhados
Na expressão singela de um tempo
Tempo curto de mudanças rápidas
De tensões, desequilíbrios térmicos
Forças contrárias, conflitantes, desiguais
Depois a chuva fina, o vento brando
Um azul que parece acalmar as palavras
Olhares perplexos enxergam o caos
A raiva, a desesperadora lembrança
De haver dito, verdades e mentiras
Todas ferinas, ferindo, matando
E quando um som de bonança
Suave, em tons de desculpas
Parece chegar, o olhar perplexo
Descobre toda ausência de nexo
Do quadro arrasador e triste
Que a ardente discussão consumou

VOCÊ

A lua branda no negro azul do céu
Panos espalhados no chão molhado
E a música deslizando em teu corpo
A porta entre-abre em som de Blues
Estranha imagem, de novo você
Que saiu da minha vida, sem ter ido
Toca o telefone, atendo e falo alô
E a  voz que responde é você
A noite da lua branda acaba
E o céu de azul brilhante
Me acorda em luz clara
Me viro na cama
E encontro você

SÍNTESE SOCIAL


A manhã seca de céu azul anil caiu vermelha ao entardecer
As nuvens que surgiram, quem sabe de onde veio?
Quem sabe dali mesmo, do lugar do calor seco
Aparentemente vencendo, secando o molhado
Esturricando o pasto, fendendo o serrado
A noite derramou frio, o frio precipitou água
Que estava subindo na aparente derrota
De uma luta temporal e desigual
Desceu desta forma, verdadeiro temporal
Limpando, varrendo, espalhando o sujo
Secando o pó em água, demonstrando força
Desordem da desordem
Nova ordem cósmica
Nova ordem social

domingo, 1 de abril de 2012

As tuas promessas


Deus! Estou aqui só pra dizer
Que suas promessas me alegram
Senhor, a tua promessa me alegra
A promessa do teu grande amor
Espero todos os dias, a cada manhã
Respostas para simples dilemas
Em meio a tudo eu vejo a tua promessa
Andando nas ruas, envolto em problemas
As tuas promessas me alegram
Eu deito e fico pensando em mim
Se as preocupações aumentam 
Pensando em amigos sofrendo
Em um mundo tremendo
Então eu vou além de mim
E vejo nas tuas promessas de amor
Soluções da tua doce presença 
Na tua companhia, no silêncio
Eu durmo em paz nas tuas promessas.

sábado, 31 de março de 2012

RECOMEÇAR




Bateu a porta me deixando sem mim
Foi embora levando meu sono
Saiu sorrindo o sorriso que era meu
Levou palavras que não tinha, não sabia
Palavras do meu livro do Ferreira Gullar
Mas tudo bem, tudo certo, vai passar
Passar como as nuvens do verão
Como as chuvas que arrasam
E eu, cidadão de certezas simples
Sei com sentimentos comuns
Que parecia, mas não era amor
Então não foi perda, nem ganho
Foi um dia que findou no anoitecer
E sólido e tranquilo, rodo na mão
Limpo, jogo fora móveis e mágoas
Restos inúteis da ilusão

INCONGRUÊNCIAS


A alma transpira calma sentimentos e ilusões
Respira sem aparelhos, violências e decepções
Grave, grava gravuras insólitas da dor geral
Espalhadas em faces desconhecidas e iguais
Caladas pela ausência do amparo público
Torturadas por desmazelos sólidos e banais
Iguais iguarias vencidas, promessas vencidas
Tortura das certezas derrotadas pela desilusão
E lá, no fundo do peito, no cerne da mente
Nada é verdade na mente e na alma
E tudo mente se o assunto é amor
Então, o desmembrado sentimento
Com membranas despedaçadas
Rompe derramado e derramando
Certezas de vida em derrotas de amor
Amores derrotados, mas glorificados
Justificando, explicando, aceitando
As mentiras dos sentimentos de dor

PROVA DE AMOR

Será uma bela manhã de outono
Uma tarde singela e cheia de amor
Teremos os dois, vespertina ternura
Um caminho noturno de puro calor
Seremos nós dois, seremos um só
Ainda assim, unidos por horas
Distantes por minutos
Seremos em tudo e a cada minuto
Uma prova do amor.

domingo, 25 de março de 2012

BOM DIA, BOM DOMINGO.

Se por acaso você se alegra com a alegria vinda de bons motivos do seu amigo, irmão ou conhecido, se sente aquela tristeza compartilhada quando eles sofrem, então temos alguma coisa muito importante em nossas similaridades. Independente de credos e/ou incredulidades, opiniões políticas, esportivas ou qualquer assunto atrelado a um grupo, somos humanos e isto é muito importante. Pode crer.

sexta-feira, 23 de março de 2012

UMA DOSE


Como encantamento de infância
Trouxe na minha boa memória
As marcas da porta que fechou
A dança e a doce lembrança
Do dom passado que ficou
Aquele seu doce jeito
De dizer sem preconceito
Sem medir gestos e palavras

De forma terna e sem respeito
Foi chegando e se instalou
Então é tudo e quase nada
É doce presença, delírio
E enlouquecido fecho os olhos
Viajo mundos, universos
Surgem todos versos e inversos
De uma só dose de você em mim

A INVASORA


Se o amor chegar, então chegou
Não há o que fazer, ela ganhou
Foi sem medir vontades, sem licença 
Não pediu opiniões, ela ficou
Desarrumando malas e salas
Com os pés em cima da mesa
Suas pernas por cima de mim
Senhora de xícaras e talheres 
Tomando o lado certo da cama
Espalhando bacana o seu amor
E então é sem mistério, é caso sério
Com tudo belo e todo esplendor
É o amor que sem fronteiras
E sem licença, as minhas terras tomou

CAMINHOS COMBINADOS





Está ou estava combinado
Este amor não é deste mundo
São rios em vidas paralelas
Este amor é mais que futuro
Porque em todos encontros
Por todos os cantos 
Nossos corpos cantam um amor
Que acima de tudo, 
Existe uma verdade
Uma vontade, tanta saudade
Que não cabe em um mundo

E fica combinado
Que nada vai parar
Pois tudo em nós conspira
Pra este amor ser todo futuro
E nós no encontro cósmico
De um amor de infinito puro
De um respirar tão fundo
Nosso amor não é deste mundo