terça-feira, 1 de novembro de 2011

Últimas Palavras

Outro dia fiquei pensando na vida de um conhecido
Fiquei intrigado, porque exatamente por ser claro
O indivíduo era meio encardido
Me lembrei que vez por outra, outro alguém
Indagava com certo cuidado, as razões de ele ser assim
Respondia sem muita frescura: "Este é meu jeito de pensar"
Explicava suas razões, falava de seus motivos,
Algumas pessoas entendiam, outras não
Mas ainda assim se perguntavam; mas porque ele é assim?
Era amigo de crianças, mulheres e homens sem distinção
No entanto, quando lhe perguntavam se era imparcial, 
Respondia que não, dizia ele:
Ser imparcial é coisa difícil, requer muito conhecimento
Conhecimento da situação, do outro e de si mesmo
Quando lhe perguntavam se era parcial, bem...
Fechava um pouco os olhos, balançava a cabeça
Respondendo baixinho: "Acho que não"
Perguntaram-lhe um dia se ele se achava tolerante
Respondeu: Olha.... nem sempre, as vezes perco a boa
Questionaram se achava-se inteligente, sorriu dizendo
Estou ficando velho para isto,
Com a idade descobri esta dificuldade, dizia ele
Nestes anos com ele, aprendi coisas boas e más
Vivenciei erros e acertos
Em situações que entendia ele ter sido preciso
Me respondia de forma suave e em baixa voz
Na verdade poderia ter feito melhor, só me impus 
Poderia tê-lo convencido 
Deveria ter esperado um pouco mais
E quando comentava sobre seus erros
Muitas vezes admitia, mas as vezes me explicava
Falava de seus motivos e suas razões
Motivos festivos contrastados por razões sombrias
Morreu aos 30 de junho e foi enterrado no mesmo dia
Alguns diziam: Vai fazer falta, era um bom sujeito
Outros: Já foi tarde, Deus nos livrou
Mas alguém diz ter presenciado suas últimas palavras
E afirma que Deus o levou
Pois ouviu de seus lábios poucas palavras
Que muito diziam: Obrigado por tudo Senhor
Me perdoe por tudo Senhor
Estendendo abriu sua mão que parecia tocar Deus
Deu um sorriso e em um piscar de olhos, Viveu.