segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O SONHO


Ela apareceu de repente,
           de repente do nada ela  estava ali.
                      Seus cabelos soltos dominados pelo vento
 
    Me encantavam a tal ponto
            Que fixamente eu a olhava
                            E ela sentada em seu carro
Cabelos ao vento, de longe olhando para mim.

 À medida que a matilha se aproximou
            Ela em seu Corcel galopou para longe
                    Longe de mim, longe de tudo

         E os cães latiam, ladravam em uivos
Cheiravam cantos, árvores
     Na busca ardente de encontrar
Aquele que olhava para a deusa que os conduzia

          Fiquei parado, calado, fitando os cães
                 Na expectativa de uma necessária fuga
                        E os uivos invadiam-me a alma

Mas a deusa distante
     Mesmo distante me olhava e sorria
    Deixando-me a dúvida se era desejo ou ironia
E de uma hora para outra, ela estava em meus braços

Os cães ainda ladravam, uivavam
    Era o som do término da busca, haviam encontrado
             A fúria contra a caça que abraçava a deusa

O transpirar, a palpitação, o medo
          Misturavam-se a beijos e desejo
    E cães avançando sem medo, furiosos
           Na vontade pouco gentil de morder

           Morder até matar e separar o intruso da deusa
De seus cabelos revoantes, cessar com os beijos
   Levando-a novamente para a floresta

Vencido o medo me descobri
    A força e a fúria dos cães em mim
A necessidade extrema de ter a deusa
        A vontade imensa de ser da deusa

     Projetei-me contra os cães em fúria
E nesta exata hora, despertei
                 Suado, palpitante. 
                        Abracei a deusa e voltei a dormir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário