sábado, 24 de setembro de 2011

CARTAS E FOTOS


Me sentei aqui e re-vivi coisas que já foram
E que provavelmente já deveriam ter ido
Deveriam ter me deixado em paz
Mas eu as guardei como quem guarda cartões
Em minhas gavetas cheias de memórias
Me obrigando a comprar móveis que não preciso

Então, sentado com caixas ao colo
Comecei a rasgar cartas do passado
Desfazer-me de imagens sem fotos
Palavras sem necessidade de papeis
Guardadas nas gavetas da memória
Com algumas coisas que jamais vivi

E aquele tanto que separei
Que entendi desnecessário
Levei para o pátio fora de mim
Sem entender o nexo de ter guardado
Tantas palavras, tantas imagens
Inerte queimei-as dentro de mim

Voltei à sala onde esta meu coração
E papéis que restavam no chão
Amarelados e sem datas
Tentavam em vão convencer-me
Das razões de estarem ali, e ali mesmo
Inerte queimei-os dentro de mim

LEMBRANÇAS

Relembrar você fraciona minha vida
Dividido em memórias boas e más
Certezas e dúvidas do amor que vivemos
Foram tantas palavras e gestos vividos
Desencontros de um amor que um dia
Foi quase toda razão de eu existir
Mas hoje meu coração se divide
Quando me lembro de nós dois
Pois sorri e sofri, lembrando você
E não sei bem a proporção
Mas relembrar você fraciona
Tudo aquilo que vivi.

A META

Caminho de forma precisa na direção do fim
É o fim que me interessa, esta é minha razão
A caminho deste fim, finto ainda obstáculos
Transponho paredes, barreiras e ilusões
Caminho célere e tranquilo nesta direção
Mantenho objetivos em novos métodos
Caminho existindo o que há em mim
Cada dia menos medo, cada dia mais preciso
Existe um Talibã em mim
Assim vou definindo metas, etapas a cumprir
Caminho de forma assertiva na direção do fim

A BUSCA


Na busca pelo encontro
De entender um coração
Vertentes de medo e dúvida
Dúvidas de entrega
Medos da paixão
O difícil ato de entrega
Não exatamente ao outro
Mas de nos entregarmos
Sem receios ao que somos
E encontrarmos dentro de nós
Alguma coisa que está no outro
E indiretamente no outro
Aquilo que propriamente é meu

PELE E PALAVRA


Sou pele e palavra
Mais pele do que palavra
Por este motivo falo
Para que a pele fique calada
E quando a pele cala, falo
Falo coisas da pele e não calo
E aí me calo e faço coisas da pele
E enquanto faço, falo
Porque sou palavra e pele
Razão e coração

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PRA PERTO


Eu sei que este amor vai me levar
Com suas propostas de mundo bom
Para um lugar bem longe de onde eu vivi
Não que possa pela força ou convencimento
Me fazer mudar ou coisa assim
Pois percorri estradas que eu mesmo construí
Abri caminhos sem me permitir atalhos
Desci rios, pernoitei em árvores
Descobri terras e me perdi
Mas o amor,
Este amor que existe em mim
Vai me levando pouco a pouco
Dias e noites a dentro
Pra mais perto de ti

A CHUVA


Na manhã úmida da chuva que caiu
Senti aquele cheiro bom de terra molhada
Lembrei sentimentos que vivi por toda vida
Infância, adolescência, coisas assim
Me dei conta que este cheiro bom
De tantas boas lembranças
Havia sumido, sucumbido dentro de mim
Por tantas preocupações acerca da chuva
Do guarda-chuvas que não uso
De engarrafamentos, coisas paradas
E nisto, eu vi a ausência do meu jardim
O velho jardim que deu lugar a calçada
Ele sim me ensinava da chuva
Ele me fazia sentir o cheiro tão bom
Me encantava com seus brotos
Ai! Como eu gostava do broto...
Que na chuva e toda molhada
Tinha no beijo um gosto bom

Mundo Novo


Quero dias que condigam com meu querer
Desejo coisas simples, papo com amigos
Beijos bem dados por todos os lados
Invadindo fronteiras sem cercas
Por convite e que seja assim
Penso em noites diferentes das que vivi
Sair um pouco, conversar sem medir
Dizer palavras que construam coisas boas
Pois tenho um tipo de alegria em mim
Que me faz caminhar, seguir, romper barreiras
Por este motivo eu mesmo me propus
Uma trégua, uma entrega ou coisa assim
Pra que eu possa amar, dormir em teu corpo
E despertar em um amanhã novo
No mundo novo que vou construir

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

MULHER


Tem em seu rosto as marcas da beleza
Feitas pelo tempo que vai passando
Te em si mesma a prova sólida
De que não era só juventude
Mantém a mágica do gene da mulher
Pois em cada gesto, por um só olhar
Declara em tons definidos e sublimes
De forma bela, plena e contundente
Força e esperança em gesto de amor
E então ela caminha sabendo-se
Não mais uma espera ansiosa e vã
Age, porque tem em si mesma
A certeza intuitiva da razão de ser mulher


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SUBLIME AÇÃO


Que a imagem que sou do seu passado se torne presente em você
Que a vontade que trago do meu passado esteja presente em você
Que todas as cores em múltiplas formas, de flores, rios e mares
Que os sabores diversos dos versos te faça saber, não só o doce
Mas o  amargo cacau do chocolate mordido a dois
No  salgado do suor dos corpos melados, entrelaçados em um
Cansados de tanto esperar pelo  desejo silencioso
Que a distância fez suportar, mas não conseguiu fraudar
Tudo o que pode existir em nós.

sábado, 17 de setembro de 2011

A Estrada

Não cultivo flores, não cultivo amores
Não prezo e nem menosprezo lembranças
Sejam boas ou más, felizes ou tristes
Vou caminhando e vivendo o hoje
Não com a mente amnésica
Nem com coração insensível
Porque vou deixando sem medo
Que alegrias e tristezas
Façam marcas em mim
E assim olho a mim mesmo
Sem me perguntar o que fui
Nem preocupação com que serei
Me ocupo em saber quem eu sou
E vou sendo, prossigo vivendo
Me alegrando ou sofrendo
Persisto na mesma esperança
De que é preciso melhorar
Tenho dúvidas sem medos

terça-feira, 13 de setembro de 2011

VIDA COMPLETA

Fiquei ali parado
Estarrecido com a cena
O homem havia ficado só
Ela a seu lado sem ânima
Ele sem animo também
Décadas de uma só vida
Uma só vida vivida a dois
Ele sem saber o que dizer
Consolava-se por saber ter dito
Que a amava com todo o seu amor
E ela ali parada, imóvel
Encerrando uma história
E sempre a mesma história
História que não tem fim

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

HOJE

Vamos pegar esta estrada que nos leva ao amanhã
Percorre-la com o cuidado daqueles que não têm medo
Em cada curva, reta, aclive, declive saber acelerar
Deixar o freio para a necessidade extrema de parar
Vamos sem carro automático, hidramático, seja o que for
E assim, trocar cada marcha, dando ritmo às emoções
O destino estará sempre na próxima cidade
Vai ajudar a diminuir nossa tensão
Vamos pegar esta estrada que nos leva ao amanhã
Percorrendo o hoje, com o cuidado dos que não têm medo.

domingo, 11 de setembro de 2011

SINTO


Tem dias que eu só sinto
Mas não consigo escrever
São dias de imensas saudades
De certas vontades, de viver o que vivi
Também de sentir o que não vivi
Tem dias então que me sinto assim
Dias que eu só sinto e me sinto só
Sinto as lacunas do que deixei para traz
Os paralelepípedos em que piso
E em um só giro, montanhas ao meu redor
Tem dias que eu me sinto assim
Dias que me sinto distante de mim
Distante de tudo, até dos meus ideais
E nestes dias, as idéias me fogem
As palavras me fogem,
As lembranças me fogem
Tem dias que eu só sinto
E me sinto tão só

domingo, 4 de setembro de 2011

LE COEUR ET LA PIERRE

A pedra nua, desvestida pela chuva
Tornou-se lisa, quase límpida
Não fossem pequenos verdes
Não fossem frisos nas pedras
E pequenos torrões que ficaram

Meu coração, também desvestido
Pelo vendaval de paixão que passou
Tornou-se duro, quase seco
Não fosse boas lembranças
E a morena que me olha ao passar

Lamento em homenagem às vítimas de Santa Tereza



Tomos de meu Rio
.
A ladeira ingrime
De resistentes paralelepípedos
Com calçadas descalçadas
Contra o passeio público
O ar bucólico e aristocrático
Mistura-se a bala, ao tráfico.
Permanece o bonde, as árvores
Se foram os vestidos burgueses
Surgindo shorts, mini-saias
Botas em pernas longas ou curtas
Imagem de crueis mudanças
As meninas que outrora brincavam
Precocemente se vendem
O susto que advinha da beleza estonteante
É provocado hoje por assaltos, armas de fogo
Apesar de tudo, contra tudo e a favor de todos
Continuas linda, pura e santa
Santa Tereza

AMANHÃ


Amanhã,
Quando a lua fingir minguar
E o sol se utilizar dela
E nela mostrar seu fulgor

Amanhã,
Depois que as aguas descerem
Águas que o céu não quis
Que desceu de resfriada

Amanhã falarei de amor
De olhares enluarados
Afogados em saudades
Que o céu não pode esconder

Amanhã falarei de noites
Noites de amor
Amanhã falarei de dias
Dias de mãos dadas

Amanhã falarei do hoje
Hoje que será tão bom
Amanhã falarei do ontem
 E do amor que ficou

sábado, 3 de setembro de 2011

VAZIOS


Entrei com respeito naquela cidade vazia e abandonada 
Adentrava cada porta na angustia que parece medo
Da possibilidade de encontrar alguém. 
Vi então uma criança sorrindo tranquila 
Ela levantou os braços para que eu a pegasse no colo
Tomei-a com cuidado
E todo o medo se transformou na coragem de morrer por ela. 
Não era a cidade vazia ou quem pudesse aparecer
Angustia e medo eram o vazio da ausência de propósito.

Enxergar-se


Pois bem, é preciso seguir os caminhos que escolhemos,
Não sem pensá-los, porque é possível voltar. 
Não volte por medo, por arrependimento sem convicção.
Volte, se o certo for voltar. 
Voltando, siga teu novo caminho e não o do outro 
E vá, só até onde for desejado e preciso
Não se esqueça do motivo da tua saída do primeiro lugar.
Siga adiante, olhando com alegria e esperança
 Pois teu hoje, está voltado para o amanhã
Olhe nos olhos de todas as coisas e das pessoas também
Não por arrogância ou ameaça
Mas para que vejam tua sinceridade e verdade
Deixe que saibam desejos e necessidades também.
Olhe para cima e admire Deus. 
Olhando a teu redor veja quão belo é o que Ele fez 
Lembre-se sempre, você é parte de tudo isso
Você é sonho de Deus e parte do belo também.
Olhe para baixo e pense Deus, ore baixinho. 
Talvez encontre alguém que está sofrendo e precise de ajuda
Alguém na dúvida precisando de um bom conselho
Veja o caído que espera uma mão estendida, ajude-o.
Siga o caminho que constrói um mundo melhor.
Viva a paz o quanto depender de você
Seja simples e feliz.

A AREIA E O COSMO

Moderno caminho antigo
Quando uma nuvem passa
Trazendo consigo boa sombra
Chuva fina pra regar

Antigo caminho novo
Quando o sol matinal
Adentra a janela do quarto
Acordando que é hora de levantar

Respeitando cortinas e persianas
Daqueles que por escolha ou obrigação
Dormiram mais tarde que costume
Ou querem o chorinho da manhã

Dias de aparência cósmica sempre iguais
Para os que ignoram movimentos maiores
Nascimento e morte de estrelas
Buracos negros, planetas em expansão

Dias de rotina, para alguns maçante
Para tantos, prazeroso de viver
Principalmente para os que já conheceram
Para os que já reconheceram

Que dentro de nós, de cada um de nós
Existe um universo em desenvolvimento
Com estrelas prestes a nascer
Outras perto de morrer