sábado, 27 de agosto de 2011

Les habits neufs


Não consigo me imaginar o mesmo por muito tempo, não se trata propriamente de inconstância, tampouco movimentos da desistência.
É a roupa que não me cabe mais, não pela engorda ou emagrecimento, de tempos em tempos o interior não cabe na roupa exterior.
É um crescimento nexo, baseado em razões vivenciais, ganhos e perdas das experiências passadas, fazendo com que o corpo d’alma cresça.
E aí preciso mais uma vez despir-me, para que o interior amadurecido venha à mostra no lugar da velha roupa que me representava tão bem.
É bem verdade que alguns estranham, mas são os distantes, os que ensimesmados esperam a cômoda postura igual dos outros, no esforço insano de não terem que crescer e mudar também.
E assim me sinto por vezes meio nu, uma hora da cintura pra cima, noutra da cintura pra baixo, vez em quando totalmente despido de confortar e agradar o outro com meu velho eu.
E por isto, exposto ao sol vou bronzeando a pele, desbotando a nova roupa que hoje me cabe tão bem, mas sabendo que amanhã não caberá mais.

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