terça-feira, 1 de novembro de 2011

Últimas Palavras

Outro dia fiquei pensando na vida de um conhecido
Fiquei intrigado, porque exatamente por ser claro
O indivíduo era meio encardido
Me lembrei que vez por outra, outro alguém
Indagava com certo cuidado, as razões de ele ser assim
Respondia sem muita frescura: "Este é meu jeito de pensar"
Explicava suas razões, falava de seus motivos,
Algumas pessoas entendiam, outras não
Mas ainda assim se perguntavam; mas porque ele é assim?
Era amigo de crianças, mulheres e homens sem distinção
No entanto, quando lhe perguntavam se era imparcial, 
Respondia que não, dizia ele:
Ser imparcial é coisa difícil, requer muito conhecimento
Conhecimento da situação, do outro e de si mesmo
Quando lhe perguntavam se era parcial, bem...
Fechava um pouco os olhos, balançava a cabeça
Respondendo baixinho: "Acho que não"
Perguntaram-lhe um dia se ele se achava tolerante
Respondeu: Olha.... nem sempre, as vezes perco a boa
Questionaram se achava-se inteligente, sorriu dizendo
Estou ficando velho para isto,
Com a idade descobri esta dificuldade, dizia ele
Nestes anos com ele, aprendi coisas boas e más
Vivenciei erros e acertos
Em situações que entendia ele ter sido preciso
Me respondia de forma suave e em baixa voz
Na verdade poderia ter feito melhor, só me impus 
Poderia tê-lo convencido 
Deveria ter esperado um pouco mais
E quando comentava sobre seus erros
Muitas vezes admitia, mas as vezes me explicava
Falava de seus motivos e suas razões
Motivos festivos contrastados por razões sombrias
Morreu aos 30 de junho e foi enterrado no mesmo dia
Alguns diziam: Vai fazer falta, era um bom sujeito
Outros: Já foi tarde, Deus nos livrou
Mas alguém diz ter presenciado suas últimas palavras
E afirma que Deus o levou
Pois ouviu de seus lábios poucas palavras
Que muito diziam: Obrigado por tudo Senhor
Me perdoe por tudo Senhor
Estendendo abriu sua mão que parecia tocar Deus
Deu um sorriso e em um piscar de olhos, Viveu.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O SONHO


Ela apareceu de repente,
           de repente do nada ela  estava ali.
                      Seus cabelos soltos dominados pelo vento
 
    Me encantavam a tal ponto
            Que fixamente eu a olhava
                            E ela sentada em seu carro
Cabelos ao vento, de longe olhando para mim.

 À medida que a matilha se aproximou
            Ela em seu Corcel galopou para longe
                    Longe de mim, longe de tudo

         E os cães latiam, ladravam em uivos
Cheiravam cantos, árvores
     Na busca ardente de encontrar
Aquele que olhava para a deusa que os conduzia

          Fiquei parado, calado, fitando os cães
                 Na expectativa de uma necessária fuga
                        E os uivos invadiam-me a alma

Mas a deusa distante
     Mesmo distante me olhava e sorria
    Deixando-me a dúvida se era desejo ou ironia
E de uma hora para outra, ela estava em meus braços

Os cães ainda ladravam, uivavam
    Era o som do término da busca, haviam encontrado
             A fúria contra a caça que abraçava a deusa

O transpirar, a palpitação, o medo
          Misturavam-se a beijos e desejo
    E cães avançando sem medo, furiosos
           Na vontade pouco gentil de morder

           Morder até matar e separar o intruso da deusa
De seus cabelos revoantes, cessar com os beijos
   Levando-a novamente para a floresta

Vencido o medo me descobri
    A força e a fúria dos cães em mim
A necessidade extrema de ter a deusa
        A vontade imensa de ser da deusa

     Projetei-me contra os cães em fúria
E nesta exata hora, despertei
                 Suado, palpitante. 
                        Abracei a deusa e voltei a dormir.

domingo, 30 de outubro de 2011

In certezas


A certeza certa que tenho
É que certamente virás pela manhã
Mas se for incerta a certeza que tenho
Incertamente sentirei o que pensei
Que não tive a dita sorte
Dos que certamente sentem
Que chegou o grande amor
E nesta vida de incertezas
Que certamente tenho vivido
Sinto vívido os sentimentos
De incertezas do que sinto
Certamente sinto então
Não sei bem se certezas
Ou incertezas do que sinto
Mas com certeza
Certamente sei que te amo.

sábado, 29 de outubro de 2011

COISAS SIMPLES


No meu pensamento
O olhar, os gestos e a voz
Na pele o cheiro do abraço
Na boca a cor do beijo
No ouvir o toque do amor
E eu evitando teu jeito
Me envolvendo em medos
Sentimentos despropositados
Em um amor tão lindo assim
Procuro então motivos, razões
Busco palavras e elas me vem
E me enxergam embaralhado
Buscando sinônimos
Para dizer te amo

Sedução

A menina sorriu com seu olhar
Naquele semblante macio
Em doces palavras disse tudo
Tudo aquilo que ele queria ouvir
Tocou seu braço com suavidade
Elogiando seu tom de voz
E ele que tinha cizudo olhar
Palavras de repreensão
Olhou-a estupefato
Sem bem saber o que dizer
E ela lhe perguntou suavemente
Demorei amor?
E ele lhe respondeu prontamente
Demorou sim e valeu cada hora esperada

A invasão


Aquela sensação outrora estranha
Que sempre me avisa a hora
E que com o passar do tempo
Tornou-se minha companheira
Aquela certeza tamanha
Sensações, sentimentos, visões
Me invadiu hoje, dizendo-me vem
Os olhos que a tantos anos contemplo
De um castanho sem igual
Sorriu seu sorriso cordial
Me chamando pelo nome
Me dizendo vem

A Sombra

Passam apressados, os dias voam
Por mais que tente, não consigo
Não consigo segurar a lembrança
Que se esvai me deixando vazio
Vazio de tudo no vazio de você
Fujo sem motivo ou direção alguma
Voo em voos sem destino
Entre terras imaginárias e sem fronteiras
Sigo fugindo de mim
Fugindo de lembranças
Fugindo de você
Fingindo viver

sábado, 8 de outubro de 2011

LEMBRANÇAS


Sempre que me lembro você
Sinto uma saudade contida
Que de forma estranha
É contida pelo que não vivemos
Ou não soubemos sentir
Transpirar um com o outro
Sempre que penso em você
Lamento alguma ausência
Pelo menos da sintonia
Da afinação que não houve
E que agora jamais haverá
Então decidi não querer mais
Não quero mais lembrar
Não quero mais pensar
Que não consegui viver
O amor que senti
E quando me penso liberto
Você me visita com sua ausência
E toda esta dor

SILÊNCIO

Fujo de sentimentos que não quero conhecer
Vou a pé pelos caminhos para não me perder
Tenho andado acelerado, vejo campos, plantações
Todos sem flores, pássaros, passo rapidamente
Finjo sentimentos que não quero sentir
Em águas profundas para mim
E com sintonia mímica, digo coisas
Que posso não sentir, mas digo

DANÇAR JUNTINHO

Meu bem,
Ouça agora um pouco deste amor
Ao ritmo de Jazz, Bossa Nova, coisa assim
Sinta o ritmo do compasso do querer
Não diga não
E se te chamar pra dançar
Solte o corpo quando estiver no meu
Me deixe falar baixinho do calor deste amor
E me aperte de mansinho, se for dizer que sim
Meu bem
Ouça agora esta canção de amor
E que seja em samba
Esta vontade clássica que tenho por você

PÉ NO CHÃO

Estou andando pela vida
Sem ter vontade ou medo de voltar
Vou seguindo meu caminho
Reparando detalhes em você
Curvas, nuances, ao sabor de versos
Retas, sabores diversos
Sons sem dó, em sol maior
Desse calor de verão no corpo
Que você me desperta
Denunciando a paixão
Que gosto de viver e sentir
E assim vou andando
E passo pela esquina
Sem querer voltar

sábado, 24 de setembro de 2011

CARTAS E FOTOS


Me sentei aqui e re-vivi coisas que já foram
E que provavelmente já deveriam ter ido
Deveriam ter me deixado em paz
Mas eu as guardei como quem guarda cartões
Em minhas gavetas cheias de memórias
Me obrigando a comprar móveis que não preciso

Então, sentado com caixas ao colo
Comecei a rasgar cartas do passado
Desfazer-me de imagens sem fotos
Palavras sem necessidade de papeis
Guardadas nas gavetas da memória
Com algumas coisas que jamais vivi

E aquele tanto que separei
Que entendi desnecessário
Levei para o pátio fora de mim
Sem entender o nexo de ter guardado
Tantas palavras, tantas imagens
Inerte queimei-as dentro de mim

Voltei à sala onde esta meu coração
E papéis que restavam no chão
Amarelados e sem datas
Tentavam em vão convencer-me
Das razões de estarem ali, e ali mesmo
Inerte queimei-os dentro de mim

LEMBRANÇAS

Relembrar você fraciona minha vida
Dividido em memórias boas e más
Certezas e dúvidas do amor que vivemos
Foram tantas palavras e gestos vividos
Desencontros de um amor que um dia
Foi quase toda razão de eu existir
Mas hoje meu coração se divide
Quando me lembro de nós dois
Pois sorri e sofri, lembrando você
E não sei bem a proporção
Mas relembrar você fraciona
Tudo aquilo que vivi.

A META

Caminho de forma precisa na direção do fim
É o fim que me interessa, esta é minha razão
A caminho deste fim, finto ainda obstáculos
Transponho paredes, barreiras e ilusões
Caminho célere e tranquilo nesta direção
Mantenho objetivos em novos métodos
Caminho existindo o que há em mim
Cada dia menos medo, cada dia mais preciso
Existe um Talibã em mim
Assim vou definindo metas, etapas a cumprir
Caminho de forma assertiva na direção do fim

A BUSCA


Na busca pelo encontro
De entender um coração
Vertentes de medo e dúvida
Dúvidas de entrega
Medos da paixão
O difícil ato de entrega
Não exatamente ao outro
Mas de nos entregarmos
Sem receios ao que somos
E encontrarmos dentro de nós
Alguma coisa que está no outro
E indiretamente no outro
Aquilo que propriamente é meu

PELE E PALAVRA


Sou pele e palavra
Mais pele do que palavra
Por este motivo falo
Para que a pele fique calada
E quando a pele cala, falo
Falo coisas da pele e não calo
E aí me calo e faço coisas da pele
E enquanto faço, falo
Porque sou palavra e pele
Razão e coração

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PRA PERTO


Eu sei que este amor vai me levar
Com suas propostas de mundo bom
Para um lugar bem longe de onde eu vivi
Não que possa pela força ou convencimento
Me fazer mudar ou coisa assim
Pois percorri estradas que eu mesmo construí
Abri caminhos sem me permitir atalhos
Desci rios, pernoitei em árvores
Descobri terras e me perdi
Mas o amor,
Este amor que existe em mim
Vai me levando pouco a pouco
Dias e noites a dentro
Pra mais perto de ti

A CHUVA


Na manhã úmida da chuva que caiu
Senti aquele cheiro bom de terra molhada
Lembrei sentimentos que vivi por toda vida
Infância, adolescência, coisas assim
Me dei conta que este cheiro bom
De tantas boas lembranças
Havia sumido, sucumbido dentro de mim
Por tantas preocupações acerca da chuva
Do guarda-chuvas que não uso
De engarrafamentos, coisas paradas
E nisto, eu vi a ausência do meu jardim
O velho jardim que deu lugar a calçada
Ele sim me ensinava da chuva
Ele me fazia sentir o cheiro tão bom
Me encantava com seus brotos
Ai! Como eu gostava do broto...
Que na chuva e toda molhada
Tinha no beijo um gosto bom

Mundo Novo


Quero dias que condigam com meu querer
Desejo coisas simples, papo com amigos
Beijos bem dados por todos os lados
Invadindo fronteiras sem cercas
Por convite e que seja assim
Penso em noites diferentes das que vivi
Sair um pouco, conversar sem medir
Dizer palavras que construam coisas boas
Pois tenho um tipo de alegria em mim
Que me faz caminhar, seguir, romper barreiras
Por este motivo eu mesmo me propus
Uma trégua, uma entrega ou coisa assim
Pra que eu possa amar, dormir em teu corpo
E despertar em um amanhã novo
No mundo novo que vou construir

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

MULHER


Tem em seu rosto as marcas da beleza
Feitas pelo tempo que vai passando
Te em si mesma a prova sólida
De que não era só juventude
Mantém a mágica do gene da mulher
Pois em cada gesto, por um só olhar
Declara em tons definidos e sublimes
De forma bela, plena e contundente
Força e esperança em gesto de amor
E então ela caminha sabendo-se
Não mais uma espera ansiosa e vã
Age, porque tem em si mesma
A certeza intuitiva da razão de ser mulher


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SUBLIME AÇÃO


Que a imagem que sou do seu passado se torne presente em você
Que a vontade que trago do meu passado esteja presente em você
Que todas as cores em múltiplas formas, de flores, rios e mares
Que os sabores diversos dos versos te faça saber, não só o doce
Mas o  amargo cacau do chocolate mordido a dois
No  salgado do suor dos corpos melados, entrelaçados em um
Cansados de tanto esperar pelo  desejo silencioso
Que a distância fez suportar, mas não conseguiu fraudar
Tudo o que pode existir em nós.

sábado, 17 de setembro de 2011

A Estrada

Não cultivo flores, não cultivo amores
Não prezo e nem menosprezo lembranças
Sejam boas ou más, felizes ou tristes
Vou caminhando e vivendo o hoje
Não com a mente amnésica
Nem com coração insensível
Porque vou deixando sem medo
Que alegrias e tristezas
Façam marcas em mim
E assim olho a mim mesmo
Sem me perguntar o que fui
Nem preocupação com que serei
Me ocupo em saber quem eu sou
E vou sendo, prossigo vivendo
Me alegrando ou sofrendo
Persisto na mesma esperança
De que é preciso melhorar
Tenho dúvidas sem medos

terça-feira, 13 de setembro de 2011

VIDA COMPLETA

Fiquei ali parado
Estarrecido com a cena
O homem havia ficado só
Ela a seu lado sem ânima
Ele sem animo também
Décadas de uma só vida
Uma só vida vivida a dois
Ele sem saber o que dizer
Consolava-se por saber ter dito
Que a amava com todo o seu amor
E ela ali parada, imóvel
Encerrando uma história
E sempre a mesma história
História que não tem fim

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

HOJE

Vamos pegar esta estrada que nos leva ao amanhã
Percorre-la com o cuidado daqueles que não têm medo
Em cada curva, reta, aclive, declive saber acelerar
Deixar o freio para a necessidade extrema de parar
Vamos sem carro automático, hidramático, seja o que for
E assim, trocar cada marcha, dando ritmo às emoções
O destino estará sempre na próxima cidade
Vai ajudar a diminuir nossa tensão
Vamos pegar esta estrada que nos leva ao amanhã
Percorrendo o hoje, com o cuidado dos que não têm medo.

domingo, 11 de setembro de 2011

SINTO


Tem dias que eu só sinto
Mas não consigo escrever
São dias de imensas saudades
De certas vontades, de viver o que vivi
Também de sentir o que não vivi
Tem dias então que me sinto assim
Dias que eu só sinto e me sinto só
Sinto as lacunas do que deixei para traz
Os paralelepípedos em que piso
E em um só giro, montanhas ao meu redor
Tem dias que eu me sinto assim
Dias que me sinto distante de mim
Distante de tudo, até dos meus ideais
E nestes dias, as idéias me fogem
As palavras me fogem,
As lembranças me fogem
Tem dias que eu só sinto
E me sinto tão só

domingo, 4 de setembro de 2011

LE COEUR ET LA PIERRE

A pedra nua, desvestida pela chuva
Tornou-se lisa, quase límpida
Não fossem pequenos verdes
Não fossem frisos nas pedras
E pequenos torrões que ficaram

Meu coração, também desvestido
Pelo vendaval de paixão que passou
Tornou-se duro, quase seco
Não fosse boas lembranças
E a morena que me olha ao passar

Lamento em homenagem às vítimas de Santa Tereza



Tomos de meu Rio
.
A ladeira ingrime
De resistentes paralelepípedos
Com calçadas descalçadas
Contra o passeio público
O ar bucólico e aristocrático
Mistura-se a bala, ao tráfico.
Permanece o bonde, as árvores
Se foram os vestidos burgueses
Surgindo shorts, mini-saias
Botas em pernas longas ou curtas
Imagem de crueis mudanças
As meninas que outrora brincavam
Precocemente se vendem
O susto que advinha da beleza estonteante
É provocado hoje por assaltos, armas de fogo
Apesar de tudo, contra tudo e a favor de todos
Continuas linda, pura e santa
Santa Tereza

AMANHÃ


Amanhã,
Quando a lua fingir minguar
E o sol se utilizar dela
E nela mostrar seu fulgor

Amanhã,
Depois que as aguas descerem
Águas que o céu não quis
Que desceu de resfriada

Amanhã falarei de amor
De olhares enluarados
Afogados em saudades
Que o céu não pode esconder

Amanhã falarei de noites
Noites de amor
Amanhã falarei de dias
Dias de mãos dadas

Amanhã falarei do hoje
Hoje que será tão bom
Amanhã falarei do ontem
 E do amor que ficou

sábado, 3 de setembro de 2011

VAZIOS


Entrei com respeito naquela cidade vazia e abandonada 
Adentrava cada porta na angustia que parece medo
Da possibilidade de encontrar alguém. 
Vi então uma criança sorrindo tranquila 
Ela levantou os braços para que eu a pegasse no colo
Tomei-a com cuidado
E todo o medo se transformou na coragem de morrer por ela. 
Não era a cidade vazia ou quem pudesse aparecer
Angustia e medo eram o vazio da ausência de propósito.

Enxergar-se


Pois bem, é preciso seguir os caminhos que escolhemos,
Não sem pensá-los, porque é possível voltar. 
Não volte por medo, por arrependimento sem convicção.
Volte, se o certo for voltar. 
Voltando, siga teu novo caminho e não o do outro 
E vá, só até onde for desejado e preciso
Não se esqueça do motivo da tua saída do primeiro lugar.
Siga adiante, olhando com alegria e esperança
 Pois teu hoje, está voltado para o amanhã
Olhe nos olhos de todas as coisas e das pessoas também
Não por arrogância ou ameaça
Mas para que vejam tua sinceridade e verdade
Deixe que saibam desejos e necessidades também.
Olhe para cima e admire Deus. 
Olhando a teu redor veja quão belo é o que Ele fez 
Lembre-se sempre, você é parte de tudo isso
Você é sonho de Deus e parte do belo também.
Olhe para baixo e pense Deus, ore baixinho. 
Talvez encontre alguém que está sofrendo e precise de ajuda
Alguém na dúvida precisando de um bom conselho
Veja o caído que espera uma mão estendida, ajude-o.
Siga o caminho que constrói um mundo melhor.
Viva a paz o quanto depender de você
Seja simples e feliz.

A AREIA E O COSMO

Moderno caminho antigo
Quando uma nuvem passa
Trazendo consigo boa sombra
Chuva fina pra regar

Antigo caminho novo
Quando o sol matinal
Adentra a janela do quarto
Acordando que é hora de levantar

Respeitando cortinas e persianas
Daqueles que por escolha ou obrigação
Dormiram mais tarde que costume
Ou querem o chorinho da manhã

Dias de aparência cósmica sempre iguais
Para os que ignoram movimentos maiores
Nascimento e morte de estrelas
Buracos negros, planetas em expansão

Dias de rotina, para alguns maçante
Para tantos, prazeroso de viver
Principalmente para os que já conheceram
Para os que já reconheceram

Que dentro de nós, de cada um de nós
Existe um universo em desenvolvimento
Com estrelas prestes a nascer
Outras perto de morrer

domingo, 28 de agosto de 2011

Viajei viajando na cena do Ballet.

Se ela que brinca faceira na imaginária terra do faz de conta me disser que é uma princesa, de certo eu crerei.
Se por algum motivo de seu interior profundo ela dançar e levantando sua perninha rodopiar, eu aplaudirei.
Direi elogios e a abraçarei ternamente, ficarei assim eternamente por uns seis anos, a reparar, a sorrir ou chorar.
E aos poucos a verei ir, deixar a criança quase anulada e se tornará lenta ou rapidamente uma mulher
E quem sabe consiga conter o ciume paterno ou me matamorfe para me aproximar da nova forma de ser
Assim verei meus dias passarem no vai e vem do dia-a-dia e quem sabe ela mesma me trará a velha cena
Dando a mim mais uma chance de ver e sentir a mulher na forma de criança crescer.

A BRISA

A doce presença que passa por mim
Me deixou assim meio sem chão
Trouxe lembranças do que ainda sou
Seus suaves passos, a doce voz
Despertou a capacidade antiga de ouvir
Nos passos dados no paço
Uma antiga e sempre nova canção
E assim a eternidade passa por mim
E eu, cheio de olhares
Me sinto desperto daquilo que sempre fui
Me envolvendo em palavras
Deixando que gotas desçam de mim
Nas formas de lágrima e suor
E mais do que um sentir
Me des-cubro vivo, terno e pleno.

sábado, 27 de agosto de 2011

Constância


A paz de viver conflitos sem medos, amores sem medos
A dança, o corpo da mulher que gira, o encanto
E em cada canto de mim, o espanto alegre de saber
Que a mesma força n’alma transpira paixão e desejo
Sinto-me só e único, acompanhado unicamente de mim
Com saudades deixadas para trás para viver o hoje
E do hoje fazer um dia único e somente isto
Viver o amor a cada dia, viver o amor do dia

Les habits neufs


Não consigo me imaginar o mesmo por muito tempo, não se trata propriamente de inconstância, tampouco movimentos da desistência.
É a roupa que não me cabe mais, não pela engorda ou emagrecimento, de tempos em tempos o interior não cabe na roupa exterior.
É um crescimento nexo, baseado em razões vivenciais, ganhos e perdas das experiências passadas, fazendo com que o corpo d’alma cresça.
E aí preciso mais uma vez despir-me, para que o interior amadurecido venha à mostra no lugar da velha roupa que me representava tão bem.
É bem verdade que alguns estranham, mas são os distantes, os que ensimesmados esperam a cômoda postura igual dos outros, no esforço insano de não terem que crescer e mudar também.
E assim me sinto por vezes meio nu, uma hora da cintura pra cima, noutra da cintura pra baixo, vez em quando totalmente despido de confortar e agradar o outro com meu velho eu.
E por isto, exposto ao sol vou bronzeando a pele, desbotando a nova roupa que hoje me cabe tão bem, mas sabendo que amanhã não caberá mais.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A LUA

A lua presa em meu quarto
Quarto minguante de solidão
Pois ela flutua, reflete raios
Que em mim refletem paixão

A lua clara no chão
Revela terra molhada
Revelando flores e frutos
Que amanhã ou mais tarde virão

A lua invade meu quarto
Me expulsa pra vida
Me propondo uma dança
Me convida a paixão

terça-feira, 9 de agosto de 2011

La mujer ideal

Marcio Monteiro

La mujer ideal tiene ojos de cualquier color

Pero en sus ojos, sinceridad y a ternura

En su voz existe bondad

Habla lo que construye un mundo mejor

Es de un amor sincero y suave

La piel sudada por trabajo o por el amor

Demuestra compañerismo, complicidad

Contento-me que es tan accesible

Vive conmigo, cuando este o no

Vive en el hogar de mi corazón

sábado, 9 de julho de 2011

TRAJETÓRIA

Vez por outra, vez em quando, quase sempre
Tenho uma crise amnésica que me invade e seduz
Esqueço alegrias, tristezas, vitórias e derrotas
Não levo muito em conta laços sociais
Revejo gabaritos, reclassifico amigos e coisas assim
Vez em quando, quase sempre depois da dor
Uma ou outra vez depois de sucessos
Vejo anotações de pessoas que me cercam
Transfiro alguns para o livro da gratidão
Porque de ingrato, nem Deuss gosta
Vou então me des-cobrindo em vida
Através de vidas que vivi aqui mesmo
Neste progressivamente velho corpo
Que tende ao aprendizado disfarçado
De alegrias, tristezas, vitórias e derrotas
E me vejo a caminho da velha estação
Sem ao certo saber quantas faltam
Tampouco em quantas delas vou saltar
E aprender e brincar coisas simples
Sonhar sonhos que um dia vão passar

OS DOIS

Aquela rua escura por onde passava Nicanor, era a mesma rua clara por onde passava Florisbela; ela, apressada, ia e vinha com compras nas mãos, olhos esbugalhados, semblante preocupado, cabeça pensando em bifes, saladas, roupas para passar, a cozinha e seus interminaveis afazeres; ele, tanto no ir quanto no vir, em seus passos serenos cumpria uma rotina que culminava naquilo que torna nossas manhãs mais agradáveis, o pão quentinho.


Florisbela e Nicanor se encontravam duas vezes ao dia; uma delas, bem cedinho, quando na contra mão da rua, então em penunbra matinal, ela ia ao trabalho e ele voltava dele; o outro encontro, ah! coisa excepcional, era quando a penumbra noturna chegava e os dois se encontravam em casa, para horas de amor, ele, depois de dormir e ela, antes de deitar.

Labor

No rosto escorre rósea gota pelo sério sorriso do dever cumprido

O suor com sangue desperta na amada uma admiração da dor

Cativa um respeito desnecessário cultivado pelo labor quase insano

E a mão que seca umedecendo a seca deste caminhar árduo

Escorre-lhe pelo corpo e desperta uma força ainda maior

Que irá brotar em uma noite de amor

domingo, 6 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher

La mujer ideal
                                                                      Marcio Monteiro

La mujer ideal tiene ojos de cualquier color
Pero en sus ojos, sinceridad y a ternura
En su voz existe bondad
Habla lo que construye un mundo mejor
Es de un amor sincero y suave
La piel sudada por trabajo o por el amor
Demuestra compañerismo, complicidad
Contento-me que es tan accesible
Vive conmigo, cuando este o no
Vive en el hogar de mi corazón

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Saudades da irmã Ilda

Zé Bento, comenta Zé Pedro, to meio assim assim, meio macambuso, sintindo aquele vazio, aquela dorzinha n'alma.
Verdade? comenta Zé Bento, vai vê que é a tar da depressão, coisa que os ricu inventaram para chamar a farta do que fazer com gente pra pagar as contas, essistória de macambuses, de tristin em minha famia nunca teve não, lá tudus os homi, porqui homi se escrevi cum h, H maiusquili, tudu acorda cedo, lava o rosto, tuma um café forte com pã e mantega e sai trabaia ochente.
Eita ignorancia, cumenta Zé Pedro, lá vem uce cum tuas bobageras, disafiandu ciencia, qui é coisera que voce perdeu purque num foi na iscola, axa? Vá cata o seu bostinha, num to falundo de tristeza e nem depressão ninhuma, falei e vu repiti, to meio macambuso sim, cum aquele vazio e a tar da dorzinha n'alma.
Aixi! como gostei di aprinde a fala a coisa com apostrófi, iconomisa num é priciso falar "na alma", falo diretão "n'alma", bunitu que só. Bem, mas... eita, cunhecimentu é tudo, mermu pra um ignorante quinem eu; ÔÔÔ Zé Bento, a tar da dorzinha, o seu burro, é da fome, já são mais de 11 horas e num armocei ainda, vamu cumer, vamu cumer que é pra num parar de creicer.
HEHE mundão.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

88 minutos

Ando sem nenhuma inspiração
Preciso de ócio
Mas tenho de trabalhar
Ando cansando e cansado
Trabalhando em mim
Aquilo que já foi trabalhado

Mas entendo que me sei
Quando chego neste ponto
Do já sei, me cansei
Começo a dar de ombro
Largo a mochila e coisas velhas
Passadas, pesadas em mim

Nesta hora, ora bolas
Ergo os olhos e vejo o gol
Dou um pique curto
Na direção do corredor
O sorriiso é um aviso
De que sei onde estou

E embora pareça longe
Lembro-me do que aprendi
Bato dalí sem medo de errar
Não olho a torcida, nem adversários
Estou indo para o meio do campo
Sei bem o que fiz. É GOOOL

domingo, 30 de janeiro de 2011

JESUS


A verdade que sei de mim
A verdade que sei dos outros
As verdades que cri e descri
Nenhuma era verdade de verdade
Eram todas verdades temporais

Que o tempo transformou
Não propriamente em mentira
Que os fatos feriram
Não propriamente de morte
Mas as fizeram meias-verdades
Meio verdades também
Meias-mentiras
Meio mentiras de alguém

Então ficou ela somente
A velha  e sempre nova verdade
Aquela que é luz, verdade e caminho
Que está muito além da humanidade
Transcendendo religiosidades
Expressada por perdão incomum
E por juizo leve e companhia continua

Ficou incólume, perfeita
A verdade chamada Jesus

sábado, 29 de janeiro de 2011

O IMPREVISTO

Andrea olhava fixamente a maca à sua frente com um semblante injustificavelmente preocupado, nela, sua irmã mais nova aguardava a transferência até a sala de parto, local em que iria dar a luz ao seu segundo filho. Marta era uma mulher de saúde invejável, havia praticado esportes durante todos os seus poucos anos de vida, já que ela tinha apenas 25 anos.
Minutos mais tarde chegou Claudia, a irmã do meio, mulher falante, decidida, entrou na sala de espera colocando uma ordem desnecessária nas coisas, escalou Andrea para passar a primeira noite com a irmã, determinou que a mãe seria poupada deste esforço de ficar ao lado da filha no hospital, retirou da bolsa cinco Check List e foi distribuindo a quem de direito, fazendo sempre e repetidamente a dupla pergunta: "Compreenderam tudo direitinho? Alguma dúvida?"
Já com as contrações tornando-se cada vez mais frequentes, chegou Maria Clara, a mãe; mulher "descolada", interessada em criar um clima de tranquilidade, tratou de ir dizendo a Claudia: "minha filha, segura a onda um pouco e não vá começar a ditar suas regras aqui na maternidade tambem, mal sabendo que havia chegado um pouco tarde para impedir os rompantes de sua filha do meio.
Bem na hora de Marta ser levada para a sala de parto, Plínio chega dizendo: "Amor, está aqui aquela mantinha que você me pediu que troussesse, é esta? Marta responde positivamente com a cabeça e completa dizendo, Paulinho saiu com ela da maternidade, Sara tambem sairá."
Marta então é levada para a sala de parto e lá fica por alguns minutos; neste período que levou pouco mais de uma hora, os comentários variavam entre: "Está demorando muito, alguma coisa deve ter acontecido, vou lá perguntar", "Calma, este é o tempo que leva mesmo e Marta tem uma saúde de ferro", "Pessoal, a gestação foi super bem acompanhada e Sarinha está bem.", "Podem ficar tranquilos, Sara sairá igual ao pai quando pega um tubo, tranquilo e fazendo pose na prancha."
Nisto vem saindo do corredor Dr. Corvetto, com um semblante um pouco fechado, sinais de fracasso no olhar; Plinio antes que uma das três Marias falassem, se antecipa e diz: "Fala doctor, o que pegou na parada?" Corvetto llhe informa que desta vez ele falhou, Plínio retruca: E?, o médico bem sisudamente lhe diz, "o pintinho dele parece uma verruga, desta vez eu errei, é um menino.
Plínio dá um sorriso, coloca a mão no queixo e diz baixinho: "Deve ter puxado ao avô materno, ao pai é que não foi", dá uma gargalhada e diz rapidinho, me desculpem os religiosos, mas Abraão ele não vai se chamar, o nome dele está escolhido e é Carlos, Paulão e Carlão, nome de dupla de volei de praia.
Mais tarde, Marta vem chegando na maca e diz a Plínio: "Amor, ele vai se chamar Carlos, se ligou? Paulão e Carlão medalhas de ouro, não é lindo?", ao que ele responde: "Esta é minha gata, fechou".
Marta olha para Maria Clara e sorrindo diz, a senhora estava certa quando dizia: "Se puxar ao falecido vovô, não vai dar para saber". Todos caem na gargalhada e acabou a história.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

TRAJETÓRIA

Vez por outra, vez em quando,  quase sempre
Tenho uma crise amnésica que me invade e seduz
Esqueço alegrias, tristezas, vitórias e derrotas
Não levo muito em conta laços sociais
Revejo gabaritos, reclassifico amigos e coisas assim

Vez em quando, quase sempre depois da dor
Uma  ou outra vez depois de sucessos
Vejo anotações de pessoas que me cercam
Transfiro alguns para o livro da gratidão
Porque de ingrato, nem Deuss gosta

Vou então me des-cobrindo em vida
Através de vidas que vivi aqui mesmo
Neste progressivamente velho corpo
Que tende ao aprendizado disfarçado
De alegrias, tristezas, vitórias e derrotas

E me vejo a caminho da velha estação
Sem ao certo saber quantas faltam
Tampouco em quantas delas vou saltar
E aprender e brincar coisas simples
Sonhar sonhos que um dia vão passar

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

TRAGÉDIAS

Vidas levadas a dor
O desmazelo público
Dos que governam
Aos governados

Não são só casas em aterros
São garrafas, copos no chão
Não são só desvios de verbas
São filhos da irresponsabilidade

Uma mulher, seis filhos, cinco homens
Um homem, seis filhos, cinco mulheres
As avós tornaram-se mães
Os avôs tornaram-se pais

E a vida enrosca na tragédia
A tragédia está no cotidiano
No cotidiano a corrupção
Na corrupção o homem
Homem pobre ou rico

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

LEMBRANÇAS E VIDA ou (A vida em si é morta, é passado, lembrança)

Viver é basicamente re-ação
A vida é lembrança
Com exatidões ou desvios
Vivemos momentos importantes
Sem que valorizemos
E mais tarde, outro fato
Nos faz pensar, refletir, lembrar
A vida que vivemos sem perceber

Determinado dia nos condenamos
Mais adiante compreendemos
Tudo porque lembramos de fatos
Fatos vividos, vívidos ou não

Nos arrependeremos por ter feito
Ou quem sabe por defeito
De não levar em conta tudo o que passou
E vamos vivendo muitas vidas
Ora gentil, mais acolá brigão
Destemido ou covardão
Vamos reagindo fatos
Gerando a vida de lembranças
Porque viver é sentir, sofrer, reagir
Mas a vida é a lembrança analítica
Do que você ou eu viví.

domingo, 23 de janeiro de 2011

AMADA

Aleijado, o alijado social
Deficiente, o portador de necessidades
E que sejam bem especiais
Parece guanará, cerveja
Seja lá o que for
Miseráveis rótulos
Distintivos comparativos
Da sociedade deficiente
Da qual fazemos parte
De pessoas cegas,
Que não enxergam
Mesmo com olhos bons
Que de bons só o exame clínico
Alem disto não conseguem enxergar
De outro angulo, nada bom, de jeito algum
Na verdade e a bem da verdade
Somos todos puramente gente
Cada qual de um modo diferente
Pura e simplesmente gente
Que só precisa ser AMADA

TANATUS II

Exposta a influências, a alma ou aquilo que sentimos,
Se encontra a mercê das tempestades do viver.
Somos então, compellidos a ações ou reações
Daquilo que a nosso frágil entender
Pró ou contra, sopra sobre nosso querer
Aprendemos com isto a resistência
Com aquilo outro, o ceder, fazer manobras
Mas nosso corpo, a nau da alma
Em seus emaranhados hormonais
Complexos sistemas educacionais
Vai batendo em rochedos milenares
Encalhando em novos bancos de areia
Não existe um mapa seguro
Que nos garanta navegar incólume
Isentos de todo e qualquer perigo
E na maioria das vezes
Não são os acidentes geográficos
Ou a topografia das relações interpessoais
Que nos alcançam e ferem
Somos nós que colidimos
Que guiamos inconsequentemente
A nau da alma, a casa do espírito
Que por fim e de forma una somos nós
Mas vamos em frente
Atropelando amigos, respeitando inimigos
Compelidos por um não saber
Que a nau tem destino certo
E nesta esfera, todas tem porto único
E ninguem sabe o dia que vai chegar.

QUE VOCÊ SEJA FELIZ


Desejo coisas simples a você
Pois espero que você seja feliz
Nas manhãs, café e pão quentinho
Porque pães podem engordar
Desejo um dia de trabalho produtivo
Porque des-emprego faz des-esperar
E que você tenha prazer  nele
Pois isto nos faz feliz

Desejo coisas simples a você
Como comer arroz e feijão
E que seja preto o feijão
Pois o ferro dá vigor
Coma verduras, legumes
Fruta na sobremesa
E escolha a da estação
O preço é bem melhor

Desejo coisas simples a você
Ao voltar para casa esqueça,
Esqueça de chefes, funcionários
Passe no mercado e compre, se puder
Biscoitos de polvilho ou o que aprouver
E vá comendo, não deixe um sequer,
Fazendo assim, gaste todo egoismo nisto

A noite, leia um bom livro
Telefone para alguem que se quer bem
A saudade vai ajudar a escolher
Antes de deitar faça uma prece
Creia na força que ela tem
E deite-se, não sem se lembrar
Que eu sou um homem simples

sábado, 22 de janeiro de 2011

CAMINHAR

Mudar por medo ou vingança
Por querer, progresso e prazer
Mudar de endereço ou de lugar
Cidades, empresas, ir e voltar
Retrocesso, mudança do medo
Progresso, mudança de olhar
Olhares que mudam de cor
Tom de paixão ou esfriamento
Calor de  insolar ao luar
Frio gélido ao meio-dia
Cantam prosas, contam prosas
Vão mudando de lugar
Sem saber se vão
Ou onde vão chegar
Vamos mudando
Por prazer de caminhar

domingo, 16 de janeiro de 2011

PLANTANDO E COLHENDO


Espere sempre a nova manhã
Construindo hoje um amanhã melhor
Espere sempre a dor passar
Fazendo DO-IN ou tomando um melhoral
Espere que o amor vai chegar
Tenha olhos atentos e seja gentil
Espere as crianças crescerem
Conduzindo-as no caminho de Deus
Pois darão frutos bons
Espere e confie no amor e em Deus
Espere coisas boas, elas vão chegar
Plante e regue coisas boas
Que das pragas, Deus protege
Pois bons frutos Ele quer te dar.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Senões

A previsibilidade fragiliza as intenções, a necessidade de unir pessoas contra outra demonstra por declaração implícita o sentir-se mais frágil que o opositor. A sociedade de forma quase que geral imita o caleidoscópio, embora as peças que formam os desenhos sejam sempre as mesmas e seus espelhos sejam fixos e imóveis, seus desenhos mudam a partir do giro do aparelho e a criança se encanta com isto, os adultos aos poucos se cansam.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

RE-ENCONTRO

Senti uma saudade
Não propriamente de coisas
Nem tampouco de lugares
Era uma saudade precisa
Que é preciso se ter
Pelo menos vez em quando

Aquela saudade
Tambem não era de pessoas
Acontecimentos ou coisa assim
Ela surge gradativamente
 E em meio as preocupações
Senti saudade de mim

DOMÍNIO

Faceira menina que me encanta
Olhar alerta, lingua solta
Embora nem saiba muito bem falar
Tem jeitinho de encanto
Nos pega pela mão
E nos leva aonde quer
A alguns chama titio
A um ou dois, chama vovô
Aprendeu falar papai
E fundamentalmente convence
Quando sem preocupações
Diz suave e meigamente
Euzinha quer

Olhar para tras

Ela se movia na direção contrária do viver
Atorduada por exames, por idade
Por prognósticos cientificamente precisos
Como se fosse preciso diagnóstico
Que nos lembre que o final da estrada
Logo na primeira parada do caminho
A estação se chama morrer

E então ela olhou para tras
Na direção da vida, do nascer
E compreendeu que é mais
Bem mais que mágica o que existe
E enxergou por aquele segundo eterno
Que a vida é milagre, é dádiva
É dom de Deus

HUMANIDADES

Simples assim,
Como desejar ficar e ter de ir
Complexo por desejar dizer não
E precisar com dor dizer sim
Nos variáveis tons de sublimar
Quando gentilmente, propositadamente
Ferimos com as palavras leves
Como um punhal adornado em pedras
Afiado em pedras feitas de coração

Complexo também
Quando sente a dor de se perder
Não propriamente o outro
Mas exatamente, se perder de si
Nos variaveis tons de amor
De propósitos indefinidos
Que nos levam ao descaminho
Com cor de atalho de vida em retalho

E seguimos e/ou perseguimos
Mundos de ilusões
Sonhos de bolhas de sabão
Que no chão nos fazem escorregar
E acordarmos em pesadelo e enfrenta-lo
E exatamente por isto, por enfrentá-lo
Em sins e nãos fora dos sonhos
De situações ideais e viver somente o dia
E seja o que for e de cor que for
Se fazer feliz

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Amizade

Aquela alegria passageira
Me levou de motorista
Para além de mim
Sentou-se a meu lado
Me acompanhou na dor
Me fez sorrir em lágrimas
Falava de uma tal esperança
Me ensinou o valor do stratus
Assim que me recuperei
Não na primeira
Mas na segunda parada
Disse-me: Preciso ir
Em meu olhar a indagação
No dela a indicação
Outro olhar
Bem ao nosso lado
Precisa dela
Ou precisa de mim?

Sinais

A terra na Terra removeu-se
Valores e estações moveram-se
Marcos e paradigmas ruiram
Rios adquiriram fúria dos mares
O homem não quer perceber
E a espiral subindo o cone
Mostrando ciclo crescente
Desarrumando cidades
Desprezando valores sociais
Pedras em toneladas saem
Deixam os rios em areia
Transformando ruas em pistas
De obstáculos e horror
E nada se compara ao absurdo
À tolice grosseira
De o homem ainda assim
Não buscar a Deus

domingo, 9 de janeiro de 2011

A CEGUEIRA

A estiagem durou tanto tempo
Que por fim, rios e lagos
Fontes, até mesmo mares
Sentiram a falta da água.
Alguns peixes não resistiram
Plantas de raizes profundas sentiram
Por todos os lados, sinais de erosão.
Mas amanhã vai chover 
E é bem provável que quase todos
Terão a tola e simplista impressão
De que tudo voltou
Ou voltará ao normal.







sábado, 8 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS

Deixe fluir o que você é; não reprima e nem force a saída em abundancia, deixe sair calma e continuamente até ficar pura, o que necessariamente não significa limpa. Depois e somente depois disto poderás dar uso adequado ao que és.


O elemento fundamental do desenvolvimento e crescimento do ser humano é encarar, aceitar e viver a realidade, a começar pela sua própria realidade.

Antero tinha uma vida simples e aparentemente sincera, era um homem franco, não fazendo questão de contar, nem esconder o que fazia; então tudo parece lindo e promissor, a não ser pelo fato de Antero confundir sinceridade com presunção e grosseria.

A anatomia é um mapa que nos guia ao encontro dos sentidos dos vértices, ainda que não estejam em ângulos.

Os pais descobrem erros graves em seus filhos porque se negam longa e continuamente a aceitarem que isto é possível.

BRASIL

Caiu a tarde e sons de dor
Dominavam ruas e lares
Os corações perturbados
Ouvidos de estampidos
Olhares estarrecidos
Olhando suores de sangue
E corpos ao chão
Ali o que menos vale
São reflexões ou méritos
Domina o espanto da dor
O enorme sentido da perda
Filhos, pais ou irmãos
Carregados como embrulhos
Sacos e sacas de restos humanos
Plantados na miséria
Colhidos em horror