segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boa noite




Lugares diversos
Lembranças
Boas ou más
Lugares de versos
Saudades demais

E eu, sempre pensando
Se fico ou se vou
O sono chegando
Já me derrubou
Bocejos demais

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Amanhã


Amanhã,
Quando a lua fingir minguar
E o sol se utilizar dela
E nela mostrar seu fulgor

Amanhã,
Depois que as aguas descerem
Águas que o céu não quis
Que desceu de resfriada

Amanhã falarei de amor
De olhares enluarados
Afogados em saudades
Que o céu não pode esconder

Amanhã falarei de noites
Noites de amor
Amanhã falarei de dias
Dias de mãos dadas

Amanhã falarei do hoje
Hoje que será tão bom
Amanhã falarei do ontem
 E do amor que ficou

A busca


Digo, se quiser
tudo o que sinto
Digo, se puder
Coisas que não finjo
Sei de coisas simples
Simples coisas sãs
Que dizem o que preciso
Quando quero dizer não

Então, mantenho meu caminho
Persisto em dizer de pronto
As vezes no dia seguinte
As coisas que entendo ser
E questiono se não entendo
Perguntando porque são

Mantenho uma sanidade
Perco tambem, se for preciso
E sou bem preciso,
Quer tenha vontade de dizer
Ou queira calar, ficar calado
Parar, ficar parado

Vou seguindo
Perseguindo sonhos, pesadelos
Sonhando acordado, calado
Mergulhando em mares
Nadando em tempestades
Em busca de alguma coisa
Que esta perto do fim.

Desconhecidos sinônimos

Antônia corria atônita de um lado para o outro em um misto de alegria e espanto por haver conseguido, quanto mais tentava entender a dicotomia entre alegria e medo que dividiam as ações de Antônia, mais eu me entendia em algumas questões do meu viver.
Sutilmente ela se deu conta de que estava em um comportamento frenético e mudou seu modo de agir, sorrindo com certo controle acerca da situação, Antonia ia recebendo de amigos e/ou parentes, os parabéns, vez por outra era possível notar através do seu semblante, que algum conselho mais carregado havia lhe sido entregue e ela balançava a cabeça, como que admitindo a propriedade do que lhe era dito e com um sorriso parecia agradecer.
Quando já ia me afastando, alguem que passava a meu lado disse apontando naquela direção, "Carlos olha a Antonia ali, vamos parabeniza-la", foi a unica referência que tive do caso, o modo pelo qual fiquei sabendo seu nome, nada mais soube, mas só de olhar aquelas reações e pessoas, me senti comovido.

Seguir em frente


Aquela lembrança suave
De uma dor tamanha
Me diz de forma simples
Que existe o eterno amor
Aquela lembrança tamanha
De dor tão simples
Me diz de forma suave
De uma mania de lembrar
De voltar atras e de querer
Querer coisas que já foram
Cheiros, sabores
Suaves ou não

Aquela dor suave
Nascida do tempo que passou
Me mostra aquilo que ficou
Desfocado, intocado, retocado ou não
Aquela lembrança me faz pensar
Que já soube amar
E de alguma forma me impede
De viver um novo amor


Deixo então as lembranças de dor
As lembranças do amor que já não é
E me negarei a retocar da face
O borrado feito pela lágrima que passou
Vou só passar a mão que mistura
A doce mistura de suor e lágrimas
E deixarei que o olhar revele
Diga sem escrupulos, sem pudor
Que um verdadeiro e novo momento
Traga na face as marcas do novo amor

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sociologias

Tudo, sem exceção alguma, pode vir a ser transformado, mudado por mim, tudo o que faço e/ou penso virá a ser transformado e mudado pelo que os outros pensam, valores fundamentais persistem como dentro de um caleidoscópio, as pedras podem ser as mesmas, suas imagens desiguais. E assim vamos evoluindo e regredindo, vai depender de quem nos vê, nos interpreta; alguns se acharão mais ou menos donos da verdade, mas são humanos iguais, sabios ou tolos iguais. Então vamos lá, vamos mudar o mundo dos outros ao mesmo tempo que os outros mudam nosso mundo, pois o importante é mudar para libertar e não para escravizar.

Sínteses

Caminhos, verdades pessoais. Verdades, ideologias pessoais. Ideologias são sempre pessoais.
Parecemos seguir algumas, mas quanto mais pensamos, mais divergimos; quanto mais divergimos, mais pensamos e entendemos melhor as verdades pessoais dos outros, as ideologias e seus valores temporais, conjuntos de afirmações amareladas pelo tempo e por outras afirmações que partiram daquele primeiro degrau, que, embora amarelado, permanece sólido como um mármore, esperando polimento para brilhar, polimento que só é possível se feito por idéias divergentes, contrárias, até convergentes, mas nunca iguais e aí a síntese, irmã prima de muitas idéias, que nos dá a impressão de  havermos encontrado a verdade e a roda volta a girar.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Maria de ninguem


A lua daquela manhãzinha
Dizia o cedo que ela acordava
Tinha o sorriso despreocupado
Num compasso malemolente
Descia suave e alegremente
Seu andar uma canção

Pescoços torcidos
Direcionavam olhos fitos
Bocas entre-abertas
Umidas de desejo
Acompanhavam o molejo
Da mulata a requebrar

Sabia e sabe o que provoca
Conhece bem o seu poder
E tambem sabe do segredo
De se manter como ninguem
Tem no olhar um tudo bem
E no torcer da boca
Um vê se te enxerga

Partículas

O sol, a lua, carros indo e vindo, crianças, velhos graciosos ou medonhos, tudo faz parte de uma realidade e ao mesmo tempo de nosso imaginário, por este motivo estabelecemos nossas fronteiras, o perímetro daquilo que chamamos urbano, rural, interior ou exterior.


O fato é que fazemos parte deste cosmo, queiramos ou não somos parte dele e ele de nós.

Se


Seria, se não tivesse temido
Faria, se não tivesse faltado
Poria, se não tivesse esquecido
Daria, se não tivesse negado

Poderia, se fosse esforçado
Mudaria, se houvesse arrependimento
Ligaria, se tivesse lembrado
Falaria, se não adulasse

Mas foram tantos ses
Foram tantos quases
Foram tantos por um pouco
Que o tempo passou

E por mais que se esforçasse,
Arrependido de  lembranças de covardias
Ainda que esquecido de ter faltado
Negado ter temido
Não havia mais tempo
Nem para ses, nem para quases
E de tantos possíveis
Fez-se tão pouco

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os dois

Aquela rua escura por onde passava Nicanor, era a mesma rua clara por onde passava Florisbela; ela, apressada, ia e vinha com compras nas mãos, olhos esbugalhados, semblante preocupado, cabeça pensando em bifes, saladas, roupas para passar, a cozinha e seus interminaveis afazeres; ele, tanto no ir quanto no vir, em seus passos serenos cumpria uma rotina que culminava naquilo que torna nossas manhãs mais agradáveis, o pão quentinho.
Florisbela e Nicanor se encontravam duas vezes ao dia; uma delas, bem cedinho, quando na contra mão da rua, então em penunbra matinal, ela ia ao trabalho e ele voltava dele; o outro encontro, ah! coisa excepcional, era quando a penumbra noturna chegava e os dois se encontravam em casa, para horas de amor, ele, depois de dormir e ela, antes de deitar.

A gata



É cedo, é tarde, é hora de acordar

É tarde, é cedo, é hora de dormir


Manhã bem tarde descansa sem parar


É noite, bem cedo já pensa em se deitar


Levanta espreguiça, boceja devagar


Sai de mansinho, mas logo vai voltar


Se enrosca, arranha, no colo quer deitar


Rola no chão, faz manha


Carinho quer ganhar

Lembranças



Um caminho, uma pedra e José
A estrada, um espinho e Maria
A rua, a navalha e João
A rosa, flor em botão
Alegria, alegria e baião
Gilberto e Caetano
Erasmo e Roberto
E haja João
Boscos, Gilbertos
E tudo em canção

Críticas e críticas, enfrente-as

Existirão sempre os críticos e as criticas não construtivas, use-as com sabedoria. Se houver alguma verdade ou sentido naquilo que falam, corrija-se, pois os inimigos procuram falhas por onde possam causar prejuizo; se não houver, entenda, pois só sabe-la não dará a você um crescimento, nunca valorize, tampouco despreze as criticas adversárias, compreenda-as com respeito e destrua-as.

Dicas de sucesso

Simples atitudes podem mudar o destino do teu viver.
Primeiro: Seja otimista sem ser demasiadamente romantico ou sonhador, sendo assim, sonhe com castelos só depois que tiveres uma casa, antes disto, sonhe com a casa mesmo.
Segundo: Seja gentil e educado com as pessoas, isto pode abrir muitas portas, com certeza não as fecha. Terceiro: Crie metas em que voce dependa só de si mesmo e procure colaborar com aquelas pessoas que porventura vierem a te ajudar. Lembre-se, o mundo não gira em torno de seu umbigo; lembre-se sempre e nunca se esqueça, não mate aquilo que possa ser o que se denomina vulgarmente de "galinha dos ovos de ouro".
Quarto: Na corrida pelo crescimento priorize a sobre-vivência, mesmo que ela lhe pareça sub-vivência, muitas vezes o que nos ensinam como escadas a subirmos valorizam o crescimento dos outros e não necessariamente o nosso e peça a DEUS sabedoria e discernimento para entender os processos do viver.

SEJA FELIZ E FAÇA COM QUE OS OUTROS O SEJAM TAMBÉM.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Lutas e vitórias

O cansaço, o caminhar tropego, a face demonstra o desgaste da jornada, mas o homem persiste em ir adiante, seu olhar, ainda que cabisbaixo, aponta para o futuro; almeja chegar, colocar os pés na linha de chegada e dalí, fazer partida para um amanhã mais adiante, ainda que lhe custe a última gota de suor já misturado ao sangue, pois são estes os sinais dos mártires.
Alguem lhe estende a água que sacia parte da sede, que refresca parte do calor gerado pelo esforço, mas fundamentalmente lhe diz que ele não está só. Então ele se enche de esperança, coloca um meio sorriso na boca, levanta o olhar e retirando energia da alma, aperta o passo na certeza de chegar.

A caminho do caos

Finalidades
Essencias
Propósitos
Caminhos de uma direção
E não importa a razão
O sentido em sí
A motivação de ser

Importa que haja projeto
Ainda que projete a sombra
Pois se o sol, astro rei
É impelido a ausência
São os propósitos
Das essencias
Sem finalidade alguma

sábado, 11 de dezembro de 2010

A cena


Flores ao chão
A casa desarrumada
Marcas ainda na cozinha
O gelo ainda derretendo
Copos quebrados
Roupas rasgadas
Silente e reverente
O vento sopra suavemente
Os corpos ainda quentes
Regados de cores
E marcas do amor

Certezas


Estiagem de amor
Nuvens brancas
Rápidas e passageiras
Em céu de luz azul
Na sega dos frutos
Folhas secas tambem
Raízes expostas
Em forma de dor

E quando a água pouca
Chega para regar
Parte é sorvida por torrões
A outra evapora com calor
E a noite gélida, desértica
Mostra pela lua clara
Galhos sem folhas
Em chão sem cor

Então, a alma sedenta
De resistência descomunal
Faz brotar um fruto seco
Que açoitado pelo sol
Abre-se em flor seca também
Jogando sementes tórridas
Ao longe no chão
Na certeza tênue, mas constante
De que a chuva virá

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Serão Verões

Vai chegar o verão
Com ele a força do sol
A força das águas
A metabólica força dos insetos
A força de corpos dourados nas praias

Vai chegando o verão
Das noites de luas claras
Minguantes, crescentes
Cheias as novas então

Luas e sóis de novos amores
De um novo verão
Que virá, que irá
Mergulhado em doce paixão

E quando se for o verão
Nos virá o outono de frutos
O inverno do frio que convida
Os corpos ao amor
Que vai dar lugar a prima vera
Primeiro verão

Os amantes verão
Os amores serão
As canções nos dirão
Do amor tão bonito
Que verão no verão.

A vida é má

Carmela parecia incomodada com a indiferença com que Valentina, a  proprietária da Loja, havia recebido suas alfinetadas. Estava inquieta, reparando cada detalhe bem cuidado daquela loja que ela adentrara; Valentina, uma mulher de seus 38 anos, aparentava uma despreocupação com aquele modo pouco cortês de ser que Carmela transpirava, perguntou-lhe suavemente depois de ouvir a ameaçadora afirmação de ser o mundo mau, a Srª gostaria de tomar uma água, um café? Está tão quente lá fora; Carmela interceptou-a imediatamente dizendo: não precisa me chamar de Srª, nossa diferença de idade não é tão grande assim, Carmela tinha seus 58 anos e só duas décadas as separavam e tambem uma centena de rugas criadas pelas expressões de mágoas e tristezas.
Carmela pensou e respondeu com suavidade e sinceridade: não filha, não é preciso, acabei de tomar café na padaria, vou ficar aqui para descançar um pouco e já vou, não quero lhe incomodar e é possível que chegue uma cliente sua e não quero ser um estorvo; Valentina lhe respondeu: fique a vontade, retornando às suas tarefas relacionadas a loja.
Depois de algum tempo, Carmela se levantou e agradecendo foi saindo, deixando no ar mais uma de suas pérolas de estímulo, pois bem querida, espero que esta tranquilidade e felicidade sejam mais do que aparências, porque eu não me engano, nem as pessoas me enganam, o mundo é mau.

A necessidade

Necessidade é coisa estranha, admitimos a de beber, alguns até água; a de comer, a de dormir, alguns até muito; a de enxergar, que alguns vivem sem, tanto quanto ouvir, falar, sentir cheiros e sabores. Mas temos necessidades estranhas, que via de regra custamos a admitir, existem pessoas que não conseguem viver sem fazer brincadeiras estúpidas, um amigo que tenho qualifica-os de estúpidos e vai por aí adiante com os que tem necessidades extremas de afeto, de se perfumarem demasiadamente e até os que tem uma estranha necessidade de prejudicarem outras pessoas, brigarem com outras pessoas.
E eu, quantas necessidades comuns ou estranhas tenho eu?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A incompreendida

Carmela é uma mulher de meia idade, de humor pouco estável, confundindo grosseria com sinceridade, princípios com preconceito. Sua vida, outrora com aparente sentido, tem sido, de acordo com sua narrativa, de tristeza e desconforto, todos originários de uma ingratidão profunda que todos tem demonstrado ter por ela.
Vai de casa em casa, de loja em loja, filas de super mercado narrando suas histórias de injustiça, ingratidão e dor, todos no mundo contra a pobre Carmela. Certa vez adentrou em uma loja e com um estranho tipo de simpatia que lhe é peculiar, falou: mocinha, a proprietária com simpatia lhe perguntou: Posso ajudar? Carmela tratou de definir a situação com seu caráter bondoso e lhe disse: Creio que não, não vejo nesta loja nada que me agrade, mas como está vazia, assim meio abandonada, vim lhe fazer companhia, este era seu estilo de sinceridade; com um sorriso a proprietária lhe convidou a sentar e ela prontamente aceitou.
Não deu um segundo de trégua e disparou, voce ainda é jovem, pensa que tudo são flores, mas lhe advirto, o mundo é mau.

O computador e o doce exercício do poder

Computador parece ser tudo igual, mas nunca igual ao meu. Eu gosto de PORTUGUES-BRASIL ABNT, não gosto muito, na verdade detesto, quando entro e começo a escrever sem olhar e tudo está em Caps Lock.
Tem quem goste de Windows em Ingles, quem goste de Linux, quem instale aqueles navegadores que vc nunca consegue limpar sua navegação e que cada vez que voce abre a barra de endereços te dois mil e duzentos e sete links de endereços e vc tem de procurá-los e se cansa e entende que o melhor e digitá-lo de novo e lá vai o dois mil duzentos e oito para a lista.
Tem o meu e nem sempre está comigo e quando vou usar um outro, mesmo conhecido, é aquele sentimento de certeza de voce ter motivos para a insegurança, mas tudo isto é bobagem, na verdade eles são tão, mas tanto iguais, que ainda a pouco, antes deste texto, procurei, procurei o acento circunflexo e não achei, não sei se está escondido, se não existe ou simplesmente  a nova ortografia o apagou de meu teclado, que nem meu exatamente é.
E olha, é da mesma marca, com o mesmo sistema operacional, mas tem um danado teclado que não é ABNT  PORTUGUES-BRASIL.