terça-feira, 30 de março de 2010

O PAI

Nada parece importar
O frio, o calor
A estrela mais distante
A perda presente
Ou ausência qualquer

Está catatônico
Pasmo, perplexo
Pressentindo a dimensão
A responsabilidade
Os dias que se seguirão

De súbito surge o choro
A pele cheia de sangue
A lágrima lhe escorre
E no olhar o contentamento
Pois seu filho nasceu

sexta-feira, 19 de março de 2010

Amigos irmãos

Sentamos ali à mesa do café e conversamos
Tratavamos de coisas comuns, dia-a-dia
Descobríamos à cada palavra um gen comum
Não era o caso de conversarmos sobre famílias
Cuidávamos de situações que nos pertencem
Esforços e compartilhamento de apreensões
As histórias sempre em uma composição crescente
Os alvos, as imagens de exemplo
Deixavam clara a imagem de uma só família
Foi a melhor refeição familiar dos ultimos dias
É tão bom saber-se desta família
A família de Deus

quinta-feira, 18 de março de 2010

Amor Genial

Ele simplesmente olhou-a
E todo seu ser se transbordou
Disse-lhe palavras códigos
Coisas criadas pelos dois

Ela esboçou uma corrida
Ele a tomou em seus braços
Sorrisos e declarações de amor
Parados por instantes, indagavam-se

Para onde havemos de ir
Olhando-a nos olhos disse-lhe:
Pode escolher, hoje é seu dia
Ela lhe respondeu sorridente
Quero uma enorme taça de sorvete

Entraram no carro
A caminho da sorveteria
Brincavam, cantavam
Aquele amor puro e paternal.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Desamparos



A dor na cor vermelha
O sangue que escorria
O corpo estendido
A pele pálida e macerada
O olhar imóvel

As pessoas que olham
Suas versões diversas
Verdades e mentiras
Desconhecimento e delírios
Mas como todos nestes casos
Está passando só este momento impar

Foi só um tombo
Caiu da árvore
Levou um tiro
Foi aquela bicicleta
O homem morreu

Cercado de hipoteses
Centro de muita atenção
Nunca havia recebido tanta
Tanta em tão pouco tempo
Tanta de tantas pessoas

Mas tambem foi só,
Um a um foram saindo.
Cada qual com sua história,
Uns lamentavam, outros brincavam
Mas nem um, nem um sequer
Soube seu nome

Morreu ali, sozinho e sem nome.

Dias e noites

Na escura lua nova
O amor crescente
Estrelas claras, cintilantes
Luz do amor primeiro

Noites sem fim
Manhãs de início
Tardes de recomeço
Dias inteiros de amor

Fases inteiras
Crescentes, minguantes
Cheias de amor
Repletas de cor e sabor

E por mais que hajam noites
Ainda que somem dias
A todos os totais
Não haverá o suficiente
para que se viva esse amor

Tomos de meu Rio

A ladeira ingrime
De resistentes paralepípedos
Com calçadas descalçadas
Contra o passeio público
O ar bucólico e aristocrático
Mistura-se a bala, ao tráfico.
Permanece o bonde, as árvores
Se foram os vestidos burgueses
Surgindo shorts, mini-saias
Botas em pernas longas ou curtas
Imagem de crueis mudanças
As meninas que outrora brincavam
Precocemente se vendem
O susto que advinha da beleza estonteante
É provocado hoje por assaltos, armas de fogo
Apesar de tudo, contra tudo e a favor de todos
Continuas linda, pura e santa
Santa Tereza

sábado, 13 de março de 2010

Sem volta

A ví tropega, cambaleante
O semblante perturbado
As roupas malajeitadas
O olhar umido de dor

Havia sofrido a perda
que dilacerava seu coração
Estava sem amparo
Com rumo incerto

Nenhum amigo ou amiga
O silencio sólido tornou-se
Des-esperou, desistiu
Deixou as dores, decepções
Deixou até quem amava
Até os que a amavam
Escolheu ir sem querer voltar

sexta-feira, 12 de março de 2010

Fins do começo

O brilho do sol
Invadiu minh'alma já ao entardecer
E sendo assim
Não sei bem as cores da manhã
Também não me feri
Com os raios causticos do meio dia
As sombras longas desta hora
Protegem mais, agridem menos
A natureza já aquecida
Os prédios já aquecidos
Deixam marcas de força e poder
Deixam tambem certezas
De que mesmo um grande poder
Tende a esmorecer
Fico então com as cores da tarde
Com a promessa do amanhã
E certezas da noite que virá
Noite que me faz tão bem

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ciclos

As incertezas do poente
Interrogam as esperanças
De nascentes sóis

Das nascentes
Mães das corredeiras
Descem riachos e ribeiros
Transpondo montanhas
E montes de obstáculos.
Que evitando ou superando
Vão deixando para tras
Na planíce longa
A pureza plena
E a pressa de chegar

Então, quando o volume
Que parece lhe dar poder
De regar, de gerir e gerar
De fazer brotar flor e fruto
Ele desagua em um mar
Repleto de sal e vidas

E aquele velho sol nascente
Em persistentes manhãs
E ao longo de longos dias
Eleva a água, deixando o sal
E rega montanhas e mares
Rios e planícies de tamanhos diversos
Em porções diversas

Mas só uma pequena parte
Rega e faz brotar
A velha,
Mas sempre nascente fonte
Que corre montes e rega o mar.

Manter-me


Havia uma liberdade em mim
E eu a perdi
Havia tambem um sentimento puro
E eu o perdi
Houve um tempo de esperança
E eu o perdi
Perdi pouco, perdi muito
Perdi coisas e sentimentos
Pessoas e projetos
Mas não me perdi de mim

terça-feira, 9 de março de 2010

Ser

Ser sereno e claro
Antonimo sinonimo
Daquela nova ou velha dor
Saber-se ausente
Na presença insana
Quando a mente cara
Por ser cara e minha cara
Se apresenta ausente
Suportando pesos
Lamento e dissabor

E toda dor se transforme
Em jóia rara, cara
Que independa da cor
Forte ou tênue
Sem nenhum calor
Ou qualquer sabor
De predicado raro
Ilusões de amor.

FATOS

Verdades, mentiras
Ilusões e vertigens
O medo do caso
O medo descaso
Espaço, tempo
Tempo de sofrer
Hora de riscos
Riscos, rabiscos
Papéis rasgaados
Declarações trocadas
O que era amor
Virou decepção
E a dor virou lágrima
Ainda contida
Não contada
Virou brisa aquela flor
Na gota derramada
A lágrima, o ciso
Acesso negado
Aceso o sinal
O vermelho, a paixão
O caso, o acaso
O ocaso, a dor