sábado, 6 de fevereiro de 2010

POEMA PARA OS AMIGOS

Brumas, pedras, ventos;
milhões em grãos de areia
Azul e verde; céu ou mar,
Rio morto, sem corredeira.
O homem faz,
O homem planta e espanta.
E por fim se encanta
Com tanta beleza;
Montanha, árvore;
Arvore,
varrer a folha que cai
é matar aos poucos.
Mar em forma de praia.
Ressaca: areia na calçada
ou homem a bambear?
Fúrias internas,
Reprimidas como a natureza das encostas,
O mar dos países baixos.
Tanta beleza que cai,
Que varrem,
Que varre e mata;
Tudo em prol de ficar limpo,
Cheiroso feito flor.
Que por sinal não trabalha;
Recebe de Deus, do sol, da chuva,
A força fotossintética que a faz crescer.
Do homem,
A mão que arranca a flor;
Para dar e dar-se a quem se ama,
Vender, estragar ou jogar fora.
No homem,
Mares de lágrimas,
De alegria ou de dor
Da angústia por não poder vir a ser.
Não sem juízo; próprio ou dos outros
Sem olhares truncados
Trocados entre si
Ou entre os outros.
E o homem?
Se a voz lhe sai desafinada,
Não se vê nele um pássaro diferente;
É simplesmente errado.
Se hoje for para aqui,
Amanhã para acolá;
Ao contrário do mar,
Que se diz, “sempre constante”,
Sete, treze, onze vagas;
Ressacas, vagas brandas,
Praias calmas;
Do homem se dirá:
Incauto, claudicante.
Mas existe a beleza filosófica,
A capacidade de escolher,
Escolher-se, mudar-se,
E se mudar.
Sair, voltar,
Voltar atrás se for preciso,
Ir adiante,
Ainda que inconstante.
Transformar-se em pessoa
Mesmo que em criança,
Adolescente, adulto ou velho.
Mas no homem, sim!
No homem existem os pensamentos,
As narrativas, as descritivas.
Tanto dos dias, quanto dos mares,
Das montanhas, dos ares,
Ar em moléculas de O, O2, O3.
Algum hidrogênio,
Carbono do diamante em forma de gás.
Palavras que fazem do mar,
Do rio, dos lagos ou lares,
Delas ou deles,
Crianças ou adultos;
Serem feitos feios ou belos.
Talvez seja essa a maior beleza do homem,
Transformar simples coisas em belo,
E sua maior tristeza, o não saber fazê-lo.

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