segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boa noite




Lugares diversos
Lembranças
Boas ou más
Lugares de versos
Saudades demais

E eu, sempre pensando
Se fico ou se vou
O sono chegando
Já me derrubou
Bocejos demais

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Amanhã


Amanhã,
Quando a lua fingir minguar
E o sol se utilizar dela
E nela mostrar seu fulgor

Amanhã,
Depois que as aguas descerem
Águas que o céu não quis
Que desceu de resfriada

Amanhã falarei de amor
De olhares enluarados
Afogados em saudades
Que o céu não pode esconder

Amanhã falarei de noites
Noites de amor
Amanhã falarei de dias
Dias de mãos dadas

Amanhã falarei do hoje
Hoje que será tão bom
Amanhã falarei do ontem
 E do amor que ficou

A busca


Digo, se quiser
tudo o que sinto
Digo, se puder
Coisas que não finjo
Sei de coisas simples
Simples coisas sãs
Que dizem o que preciso
Quando quero dizer não

Então, mantenho meu caminho
Persisto em dizer de pronto
As vezes no dia seguinte
As coisas que entendo ser
E questiono se não entendo
Perguntando porque são

Mantenho uma sanidade
Perco tambem, se for preciso
E sou bem preciso,
Quer tenha vontade de dizer
Ou queira calar, ficar calado
Parar, ficar parado

Vou seguindo
Perseguindo sonhos, pesadelos
Sonhando acordado, calado
Mergulhando em mares
Nadando em tempestades
Em busca de alguma coisa
Que esta perto do fim.

Desconhecidos sinônimos

Antônia corria atônita de um lado para o outro em um misto de alegria e espanto por haver conseguido, quanto mais tentava entender a dicotomia entre alegria e medo que dividiam as ações de Antônia, mais eu me entendia em algumas questões do meu viver.
Sutilmente ela se deu conta de que estava em um comportamento frenético e mudou seu modo de agir, sorrindo com certo controle acerca da situação, Antonia ia recebendo de amigos e/ou parentes, os parabéns, vez por outra era possível notar através do seu semblante, que algum conselho mais carregado havia lhe sido entregue e ela balançava a cabeça, como que admitindo a propriedade do que lhe era dito e com um sorriso parecia agradecer.
Quando já ia me afastando, alguem que passava a meu lado disse apontando naquela direção, "Carlos olha a Antonia ali, vamos parabeniza-la", foi a unica referência que tive do caso, o modo pelo qual fiquei sabendo seu nome, nada mais soube, mas só de olhar aquelas reações e pessoas, me senti comovido.

Seguir em frente


Aquela lembrança suave
De uma dor tamanha
Me diz de forma simples
Que existe o eterno amor
Aquela lembrança tamanha
De dor tão simples
Me diz de forma suave
De uma mania de lembrar
De voltar atras e de querer
Querer coisas que já foram
Cheiros, sabores
Suaves ou não

Aquela dor suave
Nascida do tempo que passou
Me mostra aquilo que ficou
Desfocado, intocado, retocado ou não
Aquela lembrança me faz pensar
Que já soube amar
E de alguma forma me impede
De viver um novo amor


Deixo então as lembranças de dor
As lembranças do amor que já não é
E me negarei a retocar da face
O borrado feito pela lágrima que passou
Vou só passar a mão que mistura
A doce mistura de suor e lágrimas
E deixarei que o olhar revele
Diga sem escrupulos, sem pudor
Que um verdadeiro e novo momento
Traga na face as marcas do novo amor

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sociologias

Tudo, sem exceção alguma, pode vir a ser transformado, mudado por mim, tudo o que faço e/ou penso virá a ser transformado e mudado pelo que os outros pensam, valores fundamentais persistem como dentro de um caleidoscópio, as pedras podem ser as mesmas, suas imagens desiguais. E assim vamos evoluindo e regredindo, vai depender de quem nos vê, nos interpreta; alguns se acharão mais ou menos donos da verdade, mas são humanos iguais, sabios ou tolos iguais. Então vamos lá, vamos mudar o mundo dos outros ao mesmo tempo que os outros mudam nosso mundo, pois o importante é mudar para libertar e não para escravizar.

Sínteses

Caminhos, verdades pessoais. Verdades, ideologias pessoais. Ideologias são sempre pessoais.
Parecemos seguir algumas, mas quanto mais pensamos, mais divergimos; quanto mais divergimos, mais pensamos e entendemos melhor as verdades pessoais dos outros, as ideologias e seus valores temporais, conjuntos de afirmações amareladas pelo tempo e por outras afirmações que partiram daquele primeiro degrau, que, embora amarelado, permanece sólido como um mármore, esperando polimento para brilhar, polimento que só é possível se feito por idéias divergentes, contrárias, até convergentes, mas nunca iguais e aí a síntese, irmã prima de muitas idéias, que nos dá a impressão de  havermos encontrado a verdade e a roda volta a girar.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Maria de ninguem


A lua daquela manhãzinha
Dizia o cedo que ela acordava
Tinha o sorriso despreocupado
Num compasso malemolente
Descia suave e alegremente
Seu andar uma canção

Pescoços torcidos
Direcionavam olhos fitos
Bocas entre-abertas
Umidas de desejo
Acompanhavam o molejo
Da mulata a requebrar

Sabia e sabe o que provoca
Conhece bem o seu poder
E tambem sabe do segredo
De se manter como ninguem
Tem no olhar um tudo bem
E no torcer da boca
Um vê se te enxerga

Partículas

O sol, a lua, carros indo e vindo, crianças, velhos graciosos ou medonhos, tudo faz parte de uma realidade e ao mesmo tempo de nosso imaginário, por este motivo estabelecemos nossas fronteiras, o perímetro daquilo que chamamos urbano, rural, interior ou exterior.


O fato é que fazemos parte deste cosmo, queiramos ou não somos parte dele e ele de nós.

Se


Seria, se não tivesse temido
Faria, se não tivesse faltado
Poria, se não tivesse esquecido
Daria, se não tivesse negado

Poderia, se fosse esforçado
Mudaria, se houvesse arrependimento
Ligaria, se tivesse lembrado
Falaria, se não adulasse

Mas foram tantos ses
Foram tantos quases
Foram tantos por um pouco
Que o tempo passou

E por mais que se esforçasse,
Arrependido de  lembranças de covardias
Ainda que esquecido de ter faltado
Negado ter temido
Não havia mais tempo
Nem para ses, nem para quases
E de tantos possíveis
Fez-se tão pouco

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os dois

Aquela rua escura por onde passava Nicanor, era a mesma rua clara por onde passava Florisbela; ela, apressada, ia e vinha com compras nas mãos, olhos esbugalhados, semblante preocupado, cabeça pensando em bifes, saladas, roupas para passar, a cozinha e seus interminaveis afazeres; ele, tanto no ir quanto no vir, em seus passos serenos cumpria uma rotina que culminava naquilo que torna nossas manhãs mais agradáveis, o pão quentinho.
Florisbela e Nicanor se encontravam duas vezes ao dia; uma delas, bem cedinho, quando na contra mão da rua, então em penunbra matinal, ela ia ao trabalho e ele voltava dele; o outro encontro, ah! coisa excepcional, era quando a penumbra noturna chegava e os dois se encontravam em casa, para horas de amor, ele, depois de dormir e ela, antes de deitar.

A gata



É cedo, é tarde, é hora de acordar

É tarde, é cedo, é hora de dormir


Manhã bem tarde descansa sem parar


É noite, bem cedo já pensa em se deitar


Levanta espreguiça, boceja devagar


Sai de mansinho, mas logo vai voltar


Se enrosca, arranha, no colo quer deitar


Rola no chão, faz manha


Carinho quer ganhar

Lembranças



Um caminho, uma pedra e José
A estrada, um espinho e Maria
A rua, a navalha e João
A rosa, flor em botão
Alegria, alegria e baião
Gilberto e Caetano
Erasmo e Roberto
E haja João
Boscos, Gilbertos
E tudo em canção

Críticas e críticas, enfrente-as

Existirão sempre os críticos e as criticas não construtivas, use-as com sabedoria. Se houver alguma verdade ou sentido naquilo que falam, corrija-se, pois os inimigos procuram falhas por onde possam causar prejuizo; se não houver, entenda, pois só sabe-la não dará a você um crescimento, nunca valorize, tampouco despreze as criticas adversárias, compreenda-as com respeito e destrua-as.

Dicas de sucesso

Simples atitudes podem mudar o destino do teu viver.
Primeiro: Seja otimista sem ser demasiadamente romantico ou sonhador, sendo assim, sonhe com castelos só depois que tiveres uma casa, antes disto, sonhe com a casa mesmo.
Segundo: Seja gentil e educado com as pessoas, isto pode abrir muitas portas, com certeza não as fecha. Terceiro: Crie metas em que voce dependa só de si mesmo e procure colaborar com aquelas pessoas que porventura vierem a te ajudar. Lembre-se, o mundo não gira em torno de seu umbigo; lembre-se sempre e nunca se esqueça, não mate aquilo que possa ser o que se denomina vulgarmente de "galinha dos ovos de ouro".
Quarto: Na corrida pelo crescimento priorize a sobre-vivência, mesmo que ela lhe pareça sub-vivência, muitas vezes o que nos ensinam como escadas a subirmos valorizam o crescimento dos outros e não necessariamente o nosso e peça a DEUS sabedoria e discernimento para entender os processos do viver.

SEJA FELIZ E FAÇA COM QUE OS OUTROS O SEJAM TAMBÉM.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Lutas e vitórias

O cansaço, o caminhar tropego, a face demonstra o desgaste da jornada, mas o homem persiste em ir adiante, seu olhar, ainda que cabisbaixo, aponta para o futuro; almeja chegar, colocar os pés na linha de chegada e dalí, fazer partida para um amanhã mais adiante, ainda que lhe custe a última gota de suor já misturado ao sangue, pois são estes os sinais dos mártires.
Alguem lhe estende a água que sacia parte da sede, que refresca parte do calor gerado pelo esforço, mas fundamentalmente lhe diz que ele não está só. Então ele se enche de esperança, coloca um meio sorriso na boca, levanta o olhar e retirando energia da alma, aperta o passo na certeza de chegar.

A caminho do caos

Finalidades
Essencias
Propósitos
Caminhos de uma direção
E não importa a razão
O sentido em sí
A motivação de ser

Importa que haja projeto
Ainda que projete a sombra
Pois se o sol, astro rei
É impelido a ausência
São os propósitos
Das essencias
Sem finalidade alguma

sábado, 11 de dezembro de 2010

A cena


Flores ao chão
A casa desarrumada
Marcas ainda na cozinha
O gelo ainda derretendo
Copos quebrados
Roupas rasgadas
Silente e reverente
O vento sopra suavemente
Os corpos ainda quentes
Regados de cores
E marcas do amor

Certezas


Estiagem de amor
Nuvens brancas
Rápidas e passageiras
Em céu de luz azul
Na sega dos frutos
Folhas secas tambem
Raízes expostas
Em forma de dor

E quando a água pouca
Chega para regar
Parte é sorvida por torrões
A outra evapora com calor
E a noite gélida, desértica
Mostra pela lua clara
Galhos sem folhas
Em chão sem cor

Então, a alma sedenta
De resistência descomunal
Faz brotar um fruto seco
Que açoitado pelo sol
Abre-se em flor seca também
Jogando sementes tórridas
Ao longe no chão
Na certeza tênue, mas constante
De que a chuva virá

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Serão Verões

Vai chegar o verão
Com ele a força do sol
A força das águas
A metabólica força dos insetos
A força de corpos dourados nas praias

Vai chegando o verão
Das noites de luas claras
Minguantes, crescentes
Cheias as novas então

Luas e sóis de novos amores
De um novo verão
Que virá, que irá
Mergulhado em doce paixão

E quando se for o verão
Nos virá o outono de frutos
O inverno do frio que convida
Os corpos ao amor
Que vai dar lugar a prima vera
Primeiro verão

Os amantes verão
Os amores serão
As canções nos dirão
Do amor tão bonito
Que verão no verão.

A vida é má

Carmela parecia incomodada com a indiferença com que Valentina, a  proprietária da Loja, havia recebido suas alfinetadas. Estava inquieta, reparando cada detalhe bem cuidado daquela loja que ela adentrara; Valentina, uma mulher de seus 38 anos, aparentava uma despreocupação com aquele modo pouco cortês de ser que Carmela transpirava, perguntou-lhe suavemente depois de ouvir a ameaçadora afirmação de ser o mundo mau, a Srª gostaria de tomar uma água, um café? Está tão quente lá fora; Carmela interceptou-a imediatamente dizendo: não precisa me chamar de Srª, nossa diferença de idade não é tão grande assim, Carmela tinha seus 58 anos e só duas décadas as separavam e tambem uma centena de rugas criadas pelas expressões de mágoas e tristezas.
Carmela pensou e respondeu com suavidade e sinceridade: não filha, não é preciso, acabei de tomar café na padaria, vou ficar aqui para descançar um pouco e já vou, não quero lhe incomodar e é possível que chegue uma cliente sua e não quero ser um estorvo; Valentina lhe respondeu: fique a vontade, retornando às suas tarefas relacionadas a loja.
Depois de algum tempo, Carmela se levantou e agradecendo foi saindo, deixando no ar mais uma de suas pérolas de estímulo, pois bem querida, espero que esta tranquilidade e felicidade sejam mais do que aparências, porque eu não me engano, nem as pessoas me enganam, o mundo é mau.

A necessidade

Necessidade é coisa estranha, admitimos a de beber, alguns até água; a de comer, a de dormir, alguns até muito; a de enxergar, que alguns vivem sem, tanto quanto ouvir, falar, sentir cheiros e sabores. Mas temos necessidades estranhas, que via de regra custamos a admitir, existem pessoas que não conseguem viver sem fazer brincadeiras estúpidas, um amigo que tenho qualifica-os de estúpidos e vai por aí adiante com os que tem necessidades extremas de afeto, de se perfumarem demasiadamente e até os que tem uma estranha necessidade de prejudicarem outras pessoas, brigarem com outras pessoas.
E eu, quantas necessidades comuns ou estranhas tenho eu?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A incompreendida

Carmela é uma mulher de meia idade, de humor pouco estável, confundindo grosseria com sinceridade, princípios com preconceito. Sua vida, outrora com aparente sentido, tem sido, de acordo com sua narrativa, de tristeza e desconforto, todos originários de uma ingratidão profunda que todos tem demonstrado ter por ela.
Vai de casa em casa, de loja em loja, filas de super mercado narrando suas histórias de injustiça, ingratidão e dor, todos no mundo contra a pobre Carmela. Certa vez adentrou em uma loja e com um estranho tipo de simpatia que lhe é peculiar, falou: mocinha, a proprietária com simpatia lhe perguntou: Posso ajudar? Carmela tratou de definir a situação com seu caráter bondoso e lhe disse: Creio que não, não vejo nesta loja nada que me agrade, mas como está vazia, assim meio abandonada, vim lhe fazer companhia, este era seu estilo de sinceridade; com um sorriso a proprietária lhe convidou a sentar e ela prontamente aceitou.
Não deu um segundo de trégua e disparou, voce ainda é jovem, pensa que tudo são flores, mas lhe advirto, o mundo é mau.

O computador e o doce exercício do poder

Computador parece ser tudo igual, mas nunca igual ao meu. Eu gosto de PORTUGUES-BRASIL ABNT, não gosto muito, na verdade detesto, quando entro e começo a escrever sem olhar e tudo está em Caps Lock.
Tem quem goste de Windows em Ingles, quem goste de Linux, quem instale aqueles navegadores que vc nunca consegue limpar sua navegação e que cada vez que voce abre a barra de endereços te dois mil e duzentos e sete links de endereços e vc tem de procurá-los e se cansa e entende que o melhor e digitá-lo de novo e lá vai o dois mil duzentos e oito para a lista.
Tem o meu e nem sempre está comigo e quando vou usar um outro, mesmo conhecido, é aquele sentimento de certeza de voce ter motivos para a insegurança, mas tudo isto é bobagem, na verdade eles são tão, mas tanto iguais, que ainda a pouco, antes deste texto, procurei, procurei o acento circunflexo e não achei, não sei se está escondido, se não existe ou simplesmente  a nova ortografia o apagou de meu teclado, que nem meu exatamente é.
E olha, é da mesma marca, com o mesmo sistema operacional, mas tem um danado teclado que não é ABNT  PORTUGUES-BRASIL.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

APRENDENDO O SABER

Caminhar a cada dia o caminho proposto, novo ou não, longo, curto, simples ou complexo; aí está a missão do educador, evoluir desfazendo fronteiras, solucionando o novo, transformando barreiras insuperáveis em obstáculos de treinamento; olhando o todo sem conceitos que tenham a cor do pré-conceito, sem a dó desnecessária,  mas tendo compreensão dos limites e etapas biopsicosociais do indivíduo.
Educar é, portanto, missão para quem gostou e gosta de ser aprendiz.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AVANCE E VENÇA

O sinal estava aberto e ele ali parado, ninguem o compreendia, alguns entendiam erroneamente que ele estava perdido e sem saber para onde ir; no entanto, ele somente aguardava um amigo que vinha na mesma faixa do lado contrário e em direção a ele. Era tudo muito simples, mas a pretenção de se saber o outro atrapalhava a compreensão do que era inclusive visível.


A vida está sempre a nosso favor, não recue, tão pouco avance sem propósitos bons e bem definidos. O segredo é ter a certeza de que DEUS nos quer bem e está a nosso favor, logo caminhe sem medo e vença, este é o nosso destino.
 
Existe a situação certa, quando na hora certa a pessoa certa estará lá, aproveite a oportunidade e vença, vá até o final e desfrute o sabor do triunfo. Existe a situação errada, então, saia na hora certa, que normalmente é já, para que a pessoa errada a ser prejudicada não seja você.

domingo, 21 de novembro de 2010

ENCANTAMENTO



A brisa caía enluarada
Regava a hortelã e a relva
Pela manhã
Uma exalava frescor
A outra
Mostrava-se em flor
O sol e seu calor
Fez a brisa evaporar
As folhas verdes escurecerem
As flores definirem suas cores
E o fotossintético crescimento
Imperceptivel ao olhar e ao olfato
Mostrou todo seu encantamento

terça-feira, 30 de março de 2010

O PAI

Nada parece importar
O frio, o calor
A estrela mais distante
A perda presente
Ou ausência qualquer

Está catatônico
Pasmo, perplexo
Pressentindo a dimensão
A responsabilidade
Os dias que se seguirão

De súbito surge o choro
A pele cheia de sangue
A lágrima lhe escorre
E no olhar o contentamento
Pois seu filho nasceu

sexta-feira, 19 de março de 2010

Amigos irmãos

Sentamos ali à mesa do café e conversamos
Tratavamos de coisas comuns, dia-a-dia
Descobríamos à cada palavra um gen comum
Não era o caso de conversarmos sobre famílias
Cuidávamos de situações que nos pertencem
Esforços e compartilhamento de apreensões
As histórias sempre em uma composição crescente
Os alvos, as imagens de exemplo
Deixavam clara a imagem de uma só família
Foi a melhor refeição familiar dos ultimos dias
É tão bom saber-se desta família
A família de Deus

quinta-feira, 18 de março de 2010

Amor Genial

Ele simplesmente olhou-a
E todo seu ser se transbordou
Disse-lhe palavras códigos
Coisas criadas pelos dois

Ela esboçou uma corrida
Ele a tomou em seus braços
Sorrisos e declarações de amor
Parados por instantes, indagavam-se

Para onde havemos de ir
Olhando-a nos olhos disse-lhe:
Pode escolher, hoje é seu dia
Ela lhe respondeu sorridente
Quero uma enorme taça de sorvete

Entraram no carro
A caminho da sorveteria
Brincavam, cantavam
Aquele amor puro e paternal.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Desamparos



A dor na cor vermelha
O sangue que escorria
O corpo estendido
A pele pálida e macerada
O olhar imóvel

As pessoas que olham
Suas versões diversas
Verdades e mentiras
Desconhecimento e delírios
Mas como todos nestes casos
Está passando só este momento impar

Foi só um tombo
Caiu da árvore
Levou um tiro
Foi aquela bicicleta
O homem morreu

Cercado de hipoteses
Centro de muita atenção
Nunca havia recebido tanta
Tanta em tão pouco tempo
Tanta de tantas pessoas

Mas tambem foi só,
Um a um foram saindo.
Cada qual com sua história,
Uns lamentavam, outros brincavam
Mas nem um, nem um sequer
Soube seu nome

Morreu ali, sozinho e sem nome.

Dias e noites

Na escura lua nova
O amor crescente
Estrelas claras, cintilantes
Luz do amor primeiro

Noites sem fim
Manhãs de início
Tardes de recomeço
Dias inteiros de amor

Fases inteiras
Crescentes, minguantes
Cheias de amor
Repletas de cor e sabor

E por mais que hajam noites
Ainda que somem dias
A todos os totais
Não haverá o suficiente
para que se viva esse amor

Tomos de meu Rio

A ladeira ingrime
De resistentes paralepípedos
Com calçadas descalçadas
Contra o passeio público
O ar bucólico e aristocrático
Mistura-se a bala, ao tráfico.
Permanece o bonde, as árvores
Se foram os vestidos burgueses
Surgindo shorts, mini-saias
Botas em pernas longas ou curtas
Imagem de crueis mudanças
As meninas que outrora brincavam
Precocemente se vendem
O susto que advinha da beleza estonteante
É provocado hoje por assaltos, armas de fogo
Apesar de tudo, contra tudo e a favor de todos
Continuas linda, pura e santa
Santa Tereza

sábado, 13 de março de 2010

Sem volta

A ví tropega, cambaleante
O semblante perturbado
As roupas malajeitadas
O olhar umido de dor

Havia sofrido a perda
que dilacerava seu coração
Estava sem amparo
Com rumo incerto

Nenhum amigo ou amiga
O silencio sólido tornou-se
Des-esperou, desistiu
Deixou as dores, decepções
Deixou até quem amava
Até os que a amavam
Escolheu ir sem querer voltar

sexta-feira, 12 de março de 2010

Fins do começo

O brilho do sol
Invadiu minh'alma já ao entardecer
E sendo assim
Não sei bem as cores da manhã
Também não me feri
Com os raios causticos do meio dia
As sombras longas desta hora
Protegem mais, agridem menos
A natureza já aquecida
Os prédios já aquecidos
Deixam marcas de força e poder
Deixam tambem certezas
De que mesmo um grande poder
Tende a esmorecer
Fico então com as cores da tarde
Com a promessa do amanhã
E certezas da noite que virá
Noite que me faz tão bem

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ciclos

As incertezas do poente
Interrogam as esperanças
De nascentes sóis

Das nascentes
Mães das corredeiras
Descem riachos e ribeiros
Transpondo montanhas
E montes de obstáculos.
Que evitando ou superando
Vão deixando para tras
Na planíce longa
A pureza plena
E a pressa de chegar

Então, quando o volume
Que parece lhe dar poder
De regar, de gerir e gerar
De fazer brotar flor e fruto
Ele desagua em um mar
Repleto de sal e vidas

E aquele velho sol nascente
Em persistentes manhãs
E ao longo de longos dias
Eleva a água, deixando o sal
E rega montanhas e mares
Rios e planícies de tamanhos diversos
Em porções diversas

Mas só uma pequena parte
Rega e faz brotar
A velha,
Mas sempre nascente fonte
Que corre montes e rega o mar.

Manter-me


Havia uma liberdade em mim
E eu a perdi
Havia tambem um sentimento puro
E eu o perdi
Houve um tempo de esperança
E eu o perdi
Perdi pouco, perdi muito
Perdi coisas e sentimentos
Pessoas e projetos
Mas não me perdi de mim

terça-feira, 9 de março de 2010

Ser

Ser sereno e claro
Antonimo sinonimo
Daquela nova ou velha dor
Saber-se ausente
Na presença insana
Quando a mente cara
Por ser cara e minha cara
Se apresenta ausente
Suportando pesos
Lamento e dissabor

E toda dor se transforme
Em jóia rara, cara
Que independa da cor
Forte ou tênue
Sem nenhum calor
Ou qualquer sabor
De predicado raro
Ilusões de amor.

FATOS

Verdades, mentiras
Ilusões e vertigens
O medo do caso
O medo descaso
Espaço, tempo
Tempo de sofrer
Hora de riscos
Riscos, rabiscos
Papéis rasgaados
Declarações trocadas
O que era amor
Virou decepção
E a dor virou lágrima
Ainda contida
Não contada
Virou brisa aquela flor
Na gota derramada
A lágrima, o ciso
Acesso negado
Aceso o sinal
O vermelho, a paixão
O caso, o acaso
O ocaso, a dor

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

SUAVE PRESENÇA


O encontro e a sensação
A doce verdade
Que sei de mim
É que sou teu

A suave esperança
De resposta
De reciprocidade
Seja mentira
Ou seja verdade
A verdade
Eu sou só teu

A fusão
O calor
A doce presença
Teu corpo, meu corpo
Meu corpo no teu.

SENSAÇÕES

A cor, o sabor
O doce cheiro
Teus olhos castanhos
O andar faceiro
E a voz em tom suave
Tudo me encanta
Enebria e seduz

Ao sentir-te
Em qualquer sentido
Com qualquer sentido
Sinto as cores e sabores
Que saciam-me
Do meu início
Ao teu fim.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CRISTAL


O que tens por certo
Pode ser incerto
Se houver apreço
Se existe preço
Evite causar desprezo
Preza com todo ser
Constroi com alma
Em mente sana

Em tudo
Ou qualquer lugar
Mantenha o padrão
Em metro ou cana
Cristal ou porcelana

E assim,
A velha gana
De se querer
De se dar
De se saber
E de fazer
Um bem querer
Dará seu fruto

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

VERÕES

Vértices, vertentes
De onde brota o mel
De todos os teus cantos
Tantos pontos ao meio
Que me incendeiam
E me fazem suspirar
Dizendo em silêncio
Em meio a gemidos

Mergulhado
No salgado suor do amor
Embriagado, trôpego
Rastejo em teu corpo
No sedento desejo
De ver findar por inteiro
A pequena chama de vigor que me resta

Envolto em uma fonte de desejos
Escorrego-me em ti
E bebo com prazer
O prazer de teu corpo
Reflexo de nosso amor

PUREZA


Há de existir em algum lugar

Um riacho límpido em mim
Aquele canto puro
Em que ideologia alguma chegou
Onde o humano dispensa humanismos
Sendo somente gente.

Há de ser

Há de ser amor se for por prazer
Há de ser favor se houver pena
Há de ser com dor se for por dever

Os corpos se dão, se unem
E em seus reencontros constroem
Palácios,  casas no campo
Circos ou praças de guerra
Feitas de gestos, palavras
Diferenças, indiferenças
Complexos esquemas
Disfarçados de amor

Há de ser amor, se for bem querer
Há de ser amor se houver prazer
Há de ser amor se for por você.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

NAJA

Enluarado pelo brilho deste olhar
Minh’alma geme adolescente
Não há razão que me diga fique
Tampouco força que me faça ir
É o corpo adulto
Trocando o medo do não
Pelo medo do sim

SONHAR SEMPRE

Ontem estiveram em nós,
Uma ou duas porções de sonhos
Duas ou três ilusões

Hoje
Quem sabe?
Fragmentos de realidades
Decepções

Amanhã
Acordar e sonhar sonhos novos
Ilusões nem pensar
Sonhar realidades

Viver e ser feliz

Ο θάνατος

Os dias passavam doídos
A alma sofria afastamento
Tudo sentia ou todo eu gemia
Já nem bem sei
Parecia maior do que eu
A fuga não conseguia
Todo caminho era escuro
Durante a noite
Mesmo ao dia
Ainda que soubesse
Embora resistisse
Chegou com a mesma força de sempre
E a levou
Sofro.

VERSOS VERSUS VAZIOS

Versos versus vazio
Versos versus violência
Versos versus valores efêmeros

Versos para sussurrar
Versos para gritar
Versos para sonhar

Versos em todas as línguas
Versos em formas diversas
Versos em todo lugar

Versos, verbos, versus
Vazios, variedades, vontades.
Versos que te façam feliz
Que te acompanhem nos anos de vida

E que tua vida se eternize
Como um bom verso
Que depois que se vai o autor
O verso fica por ser bom
Cheio de significado.

O REENCONTRO

Sorvi com paixão
Experienciei cada detalhe
Revivi os mesmos sentimentos
Alegrei-me com tua presença
A cada momento
A certeza daquilo que sinto
O prazer de reviver
De tornar a sentir teu sabor
De tua boca, teu suor
E tudo que transpiras.

A RESPOSTA

Se a estranha força
Que chega sem aviso
Bater em tua porta
E disser do que preciso
Não adie por instante
Nem recuse hesitante
O pedido que fará

Diga alguma coisa boa
Fale logo, diga assim
Diga que me quer também
Que deseja meu amor
E não vai viver sem mim
Pois deseja meu carinho
Vamos logo, diga sim.

A DOR

Tenho uma saudade
Um tipo de tristeza
Dor que não tem cura
E que vive em mim.
Tenho lembranças
Lágrimas guardadas
Às vezes escondidas
Que me tornam assim.
Descrente da felicidade
Que vem de amor
As lágrimas que escorrem
Na noite da minha solidão
Descendo da face
Inundam-me o coração.
Então, fico parado
No canto, calado
Sem esperança que passe
Mas arrumando um jeito
Uma forma qualquer
De guardar dentro do peito
Pra que eu volte a caminhar
E sorrir, e cantar
Falando até de amor
Deste amor que sinto
E senti por você

TOLICES

Tingir verdades
Mentir vontades
Fazer em si maldades
Por ter medo de se dar
Não olhar para não se perder
Não tocar para não se aquecer
Tingir verdades, mentir vontades.
Desviar-se do seu querer

sábado, 6 de fevereiro de 2010

2010

A pedra na calçada
A chuva torrencial
Tudo espalhado
Meio perdido

O out-door na calçada
A imagem que mente
Engana a mente
Meio perdida

Terremotos espalhados
A dor tremenda
Vidas rasgadas
Sem chance de emenda
Tudo totalmente perdido

POEMA PARA OS AMIGOS

Brumas, pedras, ventos;
milhões em grãos de areia
Azul e verde; céu ou mar,
Rio morto, sem corredeira.
O homem faz,
O homem planta e espanta.
E por fim se encanta
Com tanta beleza;
Montanha, árvore;
Arvore,
varrer a folha que cai
é matar aos poucos.
Mar em forma de praia.
Ressaca: areia na calçada
ou homem a bambear?
Fúrias internas,
Reprimidas como a natureza das encostas,
O mar dos países baixos.
Tanta beleza que cai,
Que varrem,
Que varre e mata;
Tudo em prol de ficar limpo,
Cheiroso feito flor.
Que por sinal não trabalha;
Recebe de Deus, do sol, da chuva,
A força fotossintética que a faz crescer.
Do homem,
A mão que arranca a flor;
Para dar e dar-se a quem se ama,
Vender, estragar ou jogar fora.
No homem,
Mares de lágrimas,
De alegria ou de dor
Da angústia por não poder vir a ser.
Não sem juízo; próprio ou dos outros
Sem olhares truncados
Trocados entre si
Ou entre os outros.
E o homem?
Se a voz lhe sai desafinada,
Não se vê nele um pássaro diferente;
É simplesmente errado.
Se hoje for para aqui,
Amanhã para acolá;
Ao contrário do mar,
Que se diz, “sempre constante”,
Sete, treze, onze vagas;
Ressacas, vagas brandas,
Praias calmas;
Do homem se dirá:
Incauto, claudicante.
Mas existe a beleza filosófica,
A capacidade de escolher,
Escolher-se, mudar-se,
E se mudar.
Sair, voltar,
Voltar atrás se for preciso,
Ir adiante,
Ainda que inconstante.
Transformar-se em pessoa
Mesmo que em criança,
Adolescente, adulto ou velho.
Mas no homem, sim!
No homem existem os pensamentos,
As narrativas, as descritivas.
Tanto dos dias, quanto dos mares,
Das montanhas, dos ares,
Ar em moléculas de O, O2, O3.
Algum hidrogênio,
Carbono do diamante em forma de gás.
Palavras que fazem do mar,
Do rio, dos lagos ou lares,
Delas ou deles,
Crianças ou adultos;
Serem feitos feios ou belos.
Talvez seja essa a maior beleza do homem,
Transformar simples coisas em belo,
E sua maior tristeza, o não saber fazê-lo.