domingo, 7 de janeiro de 2018

A ESPERANÇA



Escorre suavemente pelo rosto
Uma lágrima antiga e cansada
Antiga de estar sempre calada
Cansada de só ficar pensando
Sem reação e sem consolação

Escorre a rubra gota de sangue
De um coração sem motivação
Esquecido de esperança do sol
Que venha despertar e aquecer
Todo o gelo que enfim ficou

Sobrou do montante negativo
Consolidado de perdas muitas
Um centavo, uma só semente
Restada com nome esperança
É dela virá vida e novo amor

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Ser velho


Em velho sendo tem seus lugares impares
A certeza de estar em seu próprio futuro
De se saber, de ser e ter sido e já ter ido
E não precisar voltar para se ver e rever

É um estado solidamente etéreo e eterno
Solvido em solvente de razões da emoção
A ação, a lágrima, o soluço e a solução
Tornando terno o eterno, veste seu terno

Trazendo em si solene encontro colossal
Desfeito de ansiedades, medos e dores
Traz no semblante uma calma úmida
Um sereno encontro com o ser imortal

Porque tenham sido os dias como foram
Traz a certeza de que já é e jaz no Jazz
Em um estado de ser-se e só ser livre
Tendo certeza sem medo da morte
O que nos faz imortais

domingo, 31 de dezembro de 2017

2017 vai e 2018 vem



Chove, chove copiosamente lá fora, um pouco aqui dentro
Chove água, chovem lembranças da vida que vai passando
Dos passos precisos, certos passos errados e os imprecisos
Chove um pouco de lágrimas, sorrisos, lembranças. É isso

E em meus pensamentos e delírios, em minha bugiganga
Sim, em minhas bugigangas mentais e na memória sana
Permanecem frases, falas e olhares que me dizem sempre
A chuva é uma bênção, é um sinal de bênção, é o abençoar

E eu, crédulo que sou no amor, nas muitas formas de amar
Me alegro ao som das gotas, som da corredeira das calhas
Que coletando e não absorvendo a água chuva que recebe
Entrega aos que desejam, água pura e limpa para se usar

E assim vivi 365 dias e assisto o fim de 2017 em chuva
Porque foi bem isto, chuva na medida, bençãos exatas
Exata hora, exata quantidade, exatas vasilhas de guardar
Então, Graças a Deus pela chuva que cai e ano que vai

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

POEMA PARA PATI



Aquela menina morena que subia postes
Construiu em minha mente ilusões semânticas
Que não se pode esvair com a distância

O que se esvaiu foi a ilusão do futuro
Porque o presente diário dos anos
Trouxeram-me certezas de profecia

Sim, todo sonho se fez realidade bela
Bela pessoa, bela mulher, beleza pura
Que de forma divinal, me traz cura

domingo, 24 de setembro de 2017

TIJUCANO



Vivi rodeado de Desembargadores e Generais
Mas por alguma razão cósmica, os meus passos
De forma ainda meio infantil viveram o Bom Pastor
Caminhando ao redor de Salgueiros os mais diversos
Alguns de versos, outros de drogas e de um bom samba

Eram dias de paz, as guerras mais cruéis eram interiores
Travadas por rígidos valores familiares e religiosos
Forrados pela caudalosa mudança social dos anos 60
Os conflitos existentes eram entre o Rock e a MPB
Emilinha e Marlene disputavam o reinado do rádio

Lembrando de tudo isto, não sinto falta ou saudade
É memória restada em um canto limitado e silente
Que vez ou outra me vem e depois vai embora
Levando a cada ano que passa, mais dias para voltar
Mas hoje a memória amanheceu em mim e escrevi.

sábado, 23 de setembro de 2017

SIMPLES



Fartas fadas, fantasias, ilusões
Fardas falsas, infantaria, convulsão
Nada, que boia  por aqui, não tem não
Não tem nada, não tem eira, não tem beira
O que tem é fala falsa, fartas de ilusão
Tem também um tanto de farda falsa e sem jargão
Fadas, borboletas, lagartas, bruxas e decepção
Mas como cada um constrói seu mundo neste mundão
Quero o meu sem fada, sem farda, sem borboletas
Quero um mundo pequeno, cotidianamente simples
Sem necessidade do desnecessário luxo sem sabor
Basta-me o sabor, o saber, cores primárias, preto e branco
E vá lá, que seja este meu luxo, um só tantinho de amor

sábado, 5 de agosto de 2017

UM RAPAZ CHAMADO LIBERDADE


Existe um causo, que causa certo espanto,
certa preocupação
É o do menino que andava solto,
sempre preso pela liberdade
Virava e mexia, o menino sumia,
batia em retirada e voava
Nada importava, nada continha
o menino que amava sair e ir
Uns que o conheciam,
diziam que com certeza seria a idade
Sim, a idade, aquela austera senhora o conteria,
ela seria seu jeito
Mas o tempo foi passando
e a idade que era a esperança, falhou
Disseram mesmo, que o tal menino,
agora rapaz, desesperou-a
Enganando-a com aquela alegria contagiante
que sempre o remoçava
Desiludidos, os carcereiros atônitos,
tiveram uma genial ideia
Apresentaram-lhe uma bela moça,
criada para cuidar do lar
Prendada e "prendida" nas coisas de casa;
e de ouvidos atentos
Ela era em si uma viagem,
uma terra encantada a ser conhecida
E o menino, que de rapaz passara
e homem se tornou, encantou-se
E encantado naquele cantinho
que chamam de lar, o menino ficou
E ela ouvinte, o encantava com suas 
perguntas bem feitas e gentis
E ele passava horas a fio, no calor ou no frio,
a lhe contar histórias
Todas cheias de lugares novos,
pessoas diferentes, secas e enchentes
E ela, já mulher e agora prenha,
continuava a ouvir, sorrir e perguntar
E aquele homem de diminuídos cabelos,
com um grisalho surgindo
Continuava com aquele mesmo olhar menino,
sorriso farto e contente
E ela na sala, com um menino
mamando em seu colo e a pequena ao chão
Ouviam todos, aquelas belas e lindas histórias
que pareciam não ter fim
E em um dia simples, que parecia
ser igual a todos os outros dias
Quando todos acostumados com as histórias,
se encaminharam para lá
Nada encontraram, não havia nem
a menina transformada em moça
Nem a doce senhora, a bela conhecedora
de todos os segredos do lar
Não estava a menina já moça,
nem o menino peralta que vivia a pular
Disseram alguns, sem muita certeza,
que saíram em grande veículo
Todos estavam sorrindo e contentes,
foram viver e fazer novas histórias
Disseram que um dia voltam,
trazendo novidades para contar